A Câmara de Vereadores de Guaíba deve terminar com a obrigatoridade da leitura da Bíblia nas sessões ordinárias, depois de cerca de 40 anos. A medida está no novo regimento interno da Casa que entrará em discussão e votação a partir de fevereiro.
O presidente recentemente empossado, Florindo Motorista, afirma que essa foi uma decisão muito tranquila, acatando uma sugestão do Ministério Público.
"O parlamento é um local para amplos debates políticos e de políticas públicas, e não de temas de caráter religioso. A Câmara seguirá com o seu papel fundamental de legislar e fiscalizar as ações das atividades públicas de nossa sociedade”, diz.
A Conselho de Povos de Tradição e Matriz Africana de Guaíba comunicou a decisão ainda na semana passada, sendo uma reinvidicação do orgão desde a sua instauração.
A presidente, mãe Chris Alves D'Òòsàlá, destaca que de acordo com a Constituição Federal o estado é laico, e que, desde maio de 2022, dialogou com poder legislativo para houvesse a revogação da leitura bíblica ou o estabelecimento da igualdade para todas as demais religiões existentes na cidade.
"Comunicamos o sucesso de uma das tantas lutas empreendidas por este tão novo Conselho que busca a eliminação do racismo institucional e da discriminação, a igualdade étnica e o respeito com as tradições e modo de vida dos negros e afrodescendentes de matriz africana. Em especial ao que se refere aos aspectos das diásporas em seus ritos e mitos na área do município de Guaíba. É uma vitória obtida pelo respeito às nossas tradições, nós só somos porque todos são", afirma.
Segundo o site da Câmara de Vereadores, a leitura bíblica nas sessões ordinárias foi aprovada em 28 de abril de 1980, e desde então fazia parte da ordem do dia todas as terças-feiras.
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