Com quase duas horas de duração, o secretário municipal de Bem-Estar Animal, Ale Alves, apresentou as atividades realizadas à frente da pasta na Câmara de Vereadores. O gestor da pasta recentemente instaurada na gestão do prefeito e colega de partido Marcelo Maranata (PDT) criticou o governo e recebeu reclamações dos vereadores de oposição e até mesmo da base governista na noite desta terça-feira (18).
"A secretaria do Bem-Estar Animal é hoje uma secretaria basicamente sem estrutura, porque se não fosse essa força de vontade de nossa equipe não teria nenhuma estrutura para a operação. Entendemos que ela foi criada recentemente com a intensão de dar uma vida melhor para os animais, mas infelizmente não há veterinários lotados na secretaria, havendo outros veterinários lotados em outras secretarias, e não temos apoio desses servidores", disse.
Alves criticou o não suporte de demais órgãos da prefeitura municipal e a burocracia para compra de veículos para o trabalho realizado pela pasta que comenda desde o começo do ano. "O veículo que tem hoje só falta perder a frente, as rodas da frente. Infelizmente arriscamos nossas vidas, mas não vamos deixar de trabalhar. O veículo que tem estava parado durante muitos anos naquela sucateada que tem no pátio da prefeitura. Num cemitério de veículos".
Ele ainda relatou que dezenas de animais encontrados em situação de abandono nas ruas da cidade ficam abrigados na sede da secretaria, no bairro Columbia City, em um sítio recentemente alugado pelo próprio secretário e nas casas de quatro servidores. "Se a lei dizer que eu não posso levar animais resgatados para uma área privada, onde eles estão em segurança e não estão livres de morrer de doenças ou coisas parecidas, sendo que não temos apoio de veterinários do município, vou buscar esses animais e colocar dentro do pátio da prefeitura. Enquanto eu tiver evitando acidentes dentro da cidade, com a minha forma humildade de salvar vidas, vou resgatar todos que eu puder".
Segundo ele, quando a secretaria seria criada houve "burburinhos" que era para o calar como vereador, o que não é verdade, e nas duas vezes que insinuou em solicitar exoneração do cargo foi para “pôr os pingos nos is" (termo que significa organizar o que está confuso, discernir entre uma coisa e outra, definir o lugar de cada coisa).
A ida do secretário na Câmara partiu do requerimento do vereador Tiago Green, que o perguntou sobre os valores obtidos na secretaria neste ano. Ele não soube responder. "Para um gestor público de qualquer pasta, a primeira coisa que devemos saber é o orçamento, e você não me disse nenhum número. Mas, de acordo com o Portal da Transparência, há cerca de R$ 977 mil. [...] A Secretaria foi instaurada em uma reforma de governo, e a previsão da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) do ano que vem é de R$ 850 mil. A gente espera que esse recurso chegue da melhor forma", disse líder da bancada do PTB.
A plateia estava com a presença de protetores independentes e associações de proteção animal, que criticam o trabalho realizado pelo secretário. Em abril, voluntários de diversas entidades que atendem cães e gatos em situação de vulnerabilidade protestaram contra a política adotada para o oferecimento de castrações.
Sem veterinário
O secretário confirmou que a pasta trabalha sem a presença de veterinário porque, segundo ele, “o veterinário sabia que ele teria que trabalhar”. Não há também funcionário de carreira cedido para a secretaria, apenas cargos em comissão.
Castrações não suficientes
A Secretaria oferece cerca de 85 a 100 castrações ao mês, sendo considerado muito pouco para a demanda.
Cavalo roubado
Ale Alves disse que roubaram um cavalo de dentro da secretaria, mas que não sabe se foi o dono ou não.
Colega de partido
O vereador João Collares também manifestou contra as medidas do colega de partido, disse que não há bom relacionamento entre o secretário, protetores de animais e servidores da prefeitura.
Comentários: