Na última segunda-feira, 17 de maio, comemorou-se o dia internacional de luta contra a LGBTfobia. Neste dia, em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade – na época ainda chamada de homossexualismo, cujo sufixo ‘ismo’ denota condição patológica – do rol de distúrbios mentais, da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).
Por isso, a data foi escolhida para simbolizar a luta, não só contra a homofobia, mas contra a lesbofobia, bifobia, transfobia e toda prática LGBTfóbica.
Embora a data pareça comemorativa, há muito pouco o que comemorar. É verdade que os direitos da população LGBTQIA+ avançaram de alguns anos para cá, ainda que a passos largos, mas ainda é necessário repetir o óbvio: parem de matar pessoas LGBTQIA+.
De acordo com dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada 19 horas, uma pessoa LGBTQIA+ é morta no país, sendo que, em 2019, 445 pessoas foram assassinadas em razão da LGBTfobia. Conforme dados levantados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) divulgados em 2020, a cada uma hora uma pessoa é agredida em razão de sua identidade de gênero ou orientação sexual.
Segundo a Rede Trans, a cada 26 horas uma pessoa trans é assassinada no Brasil, e a expectativa de vida dessas pessoas é de 35 anos.
Segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), no Boletim nº 01/2021, 56 assassinatos de pessoas trans foram mapeados somente entre os meses de janeiro e abril de 2021. Ainda, foram encontrados cinco casos de suicídio, 17 tentativas de assassinatos e 18 violações de direitos humanos contra pessoas trans neste mesmo período.
Destas vítimas, apenas dez tinham acima de 35 anos, de modo que, segundo o que se pode identificar, as vítimas tinham entre 13 e 35 anos.
13 anos foi a menor idade identificada de violência transfóbica sofrida. 13 anos. Do que foi identificado. Obviamente que, em muitos casos, a violência inicia ainda mais cedo.
É impossível quantificar o real número de violência LGBTfóbica ocorrida no Brasil, pois, muitas vezes, ela inicia em casa. Ela não termina em assassinato, mas resulta em abalos psicológicos imensuráveis. Ela acontece na escola, no trabalho, no bar, na academia, na festa. Ela acontece disfarçada, como piada, como comentário, até mesmo como ‘conselho’. Vem da família, das pessoas amigas, das pessoas companheiras. A violência é imensurável. Como combater?
Esses dados são o resultado do pPaís que lidera o ranking de assassinatos da população LGBTQIA+. São o resultado da intolerância, do preconceito, e da ignorância, fomentada por aqueles que deveriam proteger.
Ainda que estejamos no caminho, enquanto qualquer grupo sofrer as consequências da LGBTfobia, estaremos de cabeça erguida lutando por todos. Seja a violência desenfreada contra pessoas trans, a fetichização da mulher lésbica, a invisibilidade de pessoas bissexuais, ou o desrespeito à autonomia de pessoas intersexo, todas as pautas interessam à todas as pessoas, LGBTQIA+ ou não.
É nosso dever enquanto cidadãos desenfrear a LGBTfobia.
O que você irá fazer para ajudar?
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