No dia 29 de janeiro é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado desde 2004, quando nesta data um grupo de pessoas trans e travestis se reuniram no Congresso Nacional, lançando a campanha ‘Travesti e Respeito’, sendo a primeira ação nacional contra a transfobia.
Desde então, o dia 29 de janeiro traz à tona as violências físicas e institucionais constantemente sofridas por pessoas trans.
Entretanto, é importante pensarmos nestes debates não só em janeiro. A invisibilidade e o silenciamento das identidades trans acontecem ainda que despercebidamente, resultando em desumanização e subalternização. Uma suposta comemoração da visibilidade trans mobilizou as redes sociais neste mês, enquanto no mesmo período a participante Linn da Quebrada, do Big Brother Brasil (Rede Globo), reforçava sua identidade travesti feminina incansavelmente – aparentemente em vão.
Verifica-se, assim, uma falsa visibilidade, pois se utiliza da narrativa de afirmação de identidade trans para se passar uma imagem desconstruída, quando às pessoas trans pouco se repassa.
Além dos posts informativos e estatísticas de violência, é preciso que as pautas trans sejam ouvidas. Que a visibilidade gere oportunidades de emprego, de possibilidades, de vida digna às pessoas trans e travestis. O silenciamento da população trans e travesti faz com que esta seja lembrada apenas em casos de violação de direitos por meio da violência, quando a pauta ultrapassa em muito o direito penal.
A visibilidade busca o desenvolvimento social por meio de responsabilização coletiva, a fim de que a inclusão de pessoas trans e travestis não seja um sonho, muito menos uma gentileza, mas sim um dever, e para que os corpos trans e travestis não sejam elencados apenas à violência.
Na mídia brasileira as pessoas trans e travestis que têm seus nomes vinculados a matérias raramente não se referem a algum fato violento. No artigo “Jornalismo transfóbico? Uma análise da imprensa na cobertura sobre pessoas trans”, por Caê Vasconcelos e Vitória Régia da Silva para o Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais em 2021 da ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais -, verifica-se que ‘raramente vemos pessoas trans e travestis na imprensa em pautas positivas, para falar de vida e de potência. A imprensa prefere estampar os corpos violentados e tombados do que os corpos em movimento”.
Contudo, o Dia Nacional da Visibilidade Trans é o holofote da resistência, respeito e inclusão pedido pelo ano inteiro, comumente ignorado pela sociedade.
Infelizmente, não podemos esquecer que o Brasil ainda é o País que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo.
Por essa razão, optei por não celebrar apenas o dia 29 de janeiro neste ano, mas sinalizar que a luta das pessoas trans é de toda a sociedade, e que a visibilidade trans deve acontecer o ano todo.
Comentários: