Repórter Guaibense

Domingo, 30 de Agosto de 2026

Colunas/Geral

Setembro Amarelo: a solidão assombra a maioria das pessoas LGBTQIA+

A prevenção ao suicídio e a necessária atenção à saúde mental

Setembro Amarelo: a solidão assombra a maioria das pessoas LGBTQIA+
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

O mês de setembro é celebrado, desde 2014, pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina - CFM, como o mês do combate ao suicídio, em razão do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, comemorado no dia 10.

Segundo a ABP, são registrados mais de 13 mil suicídios por ano no Brasil, e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídios estão relacionados a transtornos mentais, sendo que, em primeiro lugar, figura a depressão, seguida do transtorno bipolar e uso excessivo de substâncias.

No relatório Suicide worldwide in 2019, publicado em 16 de junho de 2021, a Organização Mundial da Saúde estimou que mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama, ou até mesmo guerras e homicídios. Em 2019, a OMS identificou que uma em cada 100 mortes ocorreram por suicídio, totalizando 700 mil pessoas.  

Leia Também:

Diversos fatores influenciam para o agravamento da saúde mental a ponto de levar ao suicídio, como é o caso do bullying com adolescentes. A adolescência, dos 10 aos 19 anos, é o período crucial de aquisição de habilidades socioemocionais, considerando que metade problemas de saúde mental aparecem antes dos 14 anos.

Nos dias atuais, as redes sociais colaboram para a exclusão e preconceito das pessoas, principalmente de crianças e adolescentes que utilizam as ferramentas sem supervisão. As redes sociais podem ser perigosas até mesmo para adultos, quando não houver a separação entre a realidade e a imagem ostentada nos aplicativos.

Em agosto deste ano, o jovem Lucas Santos, de 16 anos, filho da cantora Walkyria Santos, tirou a própria vida ao receber comentários homofóbicos em um vídeo publicado na rede social TikTok. No vídeo, o adolescente aparece em uma brincadeira afetiva com um amigo. Mesmo cedendo à pressão e publicando outro vídeo se explicando, e inclusive, pedindo desculpas pelo comportamento, o público seguiu destilando ódio e preconceito, o que ocasionou em uma vida ceifada aos 16 anos.

Como se não bastasse a necessidade vista pelo jovem de se desculpar por uma simples brincadeira homoafetiva, os comentários no vídeo foram tão maldosos e invasivos a ponto de levarem Lucas a acreditar que não superaria tal dor.

Infelizmente, esta é a realidade de boa parte da população LGBTQIA+ no Brasil – a que não é assassinada.

Excluídas e marginalizadas, a solidão e/ou a violência assombra a maioria das pessoas LGBTQIA+. Segundo o Boletim nº 002-2021, divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA, a falta de políticas públicas, a paralisação dos serviços de saúde, o cenário geral de violência anti-trans, os altos índices de assassinatos, as discussões que pretendem criminalizar pessoas trans e/ou institucionalizar a transfobia a partir de projetos que ferem a existência de pessoas trans, aliadas à disseminação massiva de notícias tendenciosas, tem gerado um ambiente com grave impacto emocional e sensação de desamparo ou baixa perspectiva de melhora em pessoas trans e travestis.

Sem dúvidas que o suicídio não é problema exclusivo da população LGBTQIA+, mas é inegável que seja a mais propícia à prática. Segundo o Diagnóstico LGBT+ na pandemia – 2021, elaborado pela #VoteLGBT, 55,19% das pessoas LGBTQIA+ entrevistadas declararam que sua saúde mental em 2021 piorou em relação a 2020, e 54,92% das pessoas foram classificadas com o risco de depressão no nível mais grave, quase 8% a mais que no ano de 2020.

A pesquisa aponta que, além do distanciamento social como um todo, o afastamento de grupos e redes de apoio e a falta de preparo de profissionais contribuíram para que estas pessoas se sentissem ainda mais sozinhas.

A iniciativa do Setembro Amarelo tem o intuito de alertar quanto à necessidade de cuidado quanto à saúde mental. Seja no ambiente escolar, familiar, laboral, ou de lazer, a atenção à saúde mental é um exercício diário, que deve partir do próprio indivíduo, bem como das pessoas próximas.

Que não só em setembro, mas em todos os outros meses do ano, a empatia seja a principal força de ação que move a todos.

Comentários:
Yasmin Angra

Publicado por:

Yasmin Angra

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também