O mês de setembro é celebrado, desde 2014, pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina - CFM, como o mês do combate ao suicídio, em razão do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, comemorado no dia 10.
Segundo a ABP, são registrados mais de 13 mil suicídios por ano no Brasil, e mais de 1 milhão no mundo. Cerca de 96,8% dos casos de suicídios estão relacionados a transtornos mentais, sendo que, em primeiro lugar, figura a depressão, seguida do transtorno bipolar e uso excessivo de substâncias.
No relatório Suicide worldwide in 2019, publicado em 16 de junho de 2021, a Organização Mundial da Saúde estimou que mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama, ou até mesmo guerras e homicídios. Em 2019, a OMS identificou que uma em cada 100 mortes ocorreram por suicídio, totalizando 700 mil pessoas.
Diversos fatores influenciam para o agravamento da saúde mental a ponto de levar ao suicídio, como é o caso do bullying com adolescentes. A adolescência, dos 10 aos 19 anos, é o período crucial de aquisição de habilidades socioemocionais, considerando que metade problemas de saúde mental aparecem antes dos 14 anos.
Nos dias atuais, as redes sociais colaboram para a exclusão e preconceito das pessoas, principalmente de crianças e adolescentes que utilizam as ferramentas sem supervisão. As redes sociais podem ser perigosas até mesmo para adultos, quando não houver a separação entre a realidade e a imagem ostentada nos aplicativos.
Em agosto deste ano, o jovem Lucas Santos, de 16 anos, filho da cantora Walkyria Santos, tirou a própria vida ao receber comentários homofóbicos em um vídeo publicado na rede social TikTok. No vídeo, o adolescente aparece em uma brincadeira afetiva com um amigo. Mesmo cedendo à pressão e publicando outro vídeo se explicando, e inclusive, pedindo desculpas pelo comportamento, o público seguiu destilando ódio e preconceito, o que ocasionou em uma vida ceifada aos 16 anos.
Como se não bastasse a necessidade vista pelo jovem de se desculpar por uma simples brincadeira homoafetiva, os comentários no vídeo foram tão maldosos e invasivos a ponto de levarem Lucas a acreditar que não superaria tal dor.
Infelizmente, esta é a realidade de boa parte da população LGBTQIA+ no Brasil – a que não é assassinada.
Excluídas e marginalizadas, a solidão e/ou a violência assombra a maioria das pessoas LGBTQIA+. Segundo o Boletim nº 002-2021, divulgado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA, a falta de políticas públicas, a paralisação dos serviços de saúde, o cenário geral de violência anti-trans, os altos índices de assassinatos, as discussões que pretendem criminalizar pessoas trans e/ou institucionalizar a transfobia a partir de projetos que ferem a existência de pessoas trans, aliadas à disseminação massiva de notícias tendenciosas, tem gerado um ambiente com grave impacto emocional e sensação de desamparo ou baixa perspectiva de melhora em pessoas trans e travestis.
Sem dúvidas que o suicídio não é problema exclusivo da população LGBTQIA+, mas é inegável que seja a mais propícia à prática. Segundo o Diagnóstico LGBT+ na pandemia – 2021, elaborado pela #VoteLGBT, 55,19% das pessoas LGBTQIA+ entrevistadas declararam que sua saúde mental em 2021 piorou em relação a 2020, e 54,92% das pessoas foram classificadas com o risco de depressão no nível mais grave, quase 8% a mais que no ano de 2020.
A pesquisa aponta que, além do distanciamento social como um todo, o afastamento de grupos e redes de apoio e a falta de preparo de profissionais contribuíram para que estas pessoas se sentissem ainda mais sozinhas.
A iniciativa do Setembro Amarelo tem o intuito de alertar quanto à necessidade de cuidado quanto à saúde mental. Seja no ambiente escolar, familiar, laboral, ou de lazer, a atenção à saúde mental é um exercício diário, que deve partir do próprio indivíduo, bem como das pessoas próximas.
Que não só em setembro, mas em todos os outros meses do ano, a empatia seja a principal força de ação que move a todos.
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