O dia 20 de novembro celebra o Dia da Consciência Negra, e o mês todo costuma trazer diversas reflexões acerca da luta antirracista.
Ocorre que, de maneira equivocada, as pessoas costumam crer que os racismos devem ser apenas uma preocupação das pessoas negras, de modo que pessoas brancas se eximem de participar ativamente da luta antirracista.
O racismo é um problema sim de pessoas brancas, e não pode ser considerada uma pauta exclusiva da população negra, muito menos debatido somente no mês de novembro.
Reconhecer-se enquanto pessoa branca e os privilégios atrelados à branquitude é um passo essencial para aliar-se à luta antirracista. Resumidamente, entende-se a branquitude enquanto a identidade racial branca, construída por privilégios simbólicos, subjetivos e objetivos, que contribuem para a construção social e reprodução de preconceitos raciais.
Toda pessoa branca deve buscar conhecimento. Não é obrigação das pessoas negras educarem sobre racismo, principalmente atualmente, onde o acesso é simples e rápido. Pesquisar, estudar, ler, é fundamental para contribuir com as pautas raciais.
É importante, de igual modo, se assumir racista. Reconhecer os privilégios e as relações de poderes estruturais que permeiam a sociedade. Pensamentos, termos, gírias, debates, políticas públicas, etc., muitas vezes passam desapercebidos para pessoas brancas, mas rever tais locais e práticas são passos fundamentais para entender a estrutura do racismo.
Muitas vezes, pessoas brancas contribuem apenas prestigiando o trabalho de pessoas negras: ampliando suas vozes. Respeitar o protagonismo das pessoas negras é obrigatório, pois o local de fala está ligado à representatividade e à ocupação de espaços.
Entretanto, o local de fala não deve ser confundido com a ideia de que pessoas negras falam apenas sobre racismo. A reflexão é válida, e deve ser diária às pessoas brancas: quantas pessoas negras tenho no meu círculo de amigos? No meu trabalho? Na minha universidade? Pessoas negras possuem diversas qualificações e especialidades. Racialize as questões.
Infelizmente, a vitimização em relação à luta antirracista é mais fácil que assumir-se racista, mas a mudança social não é responsabilidade das pessoas negras.
Se pergunte: enquanto pessoa branca, como posso desmantelar o meu racismo?
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