Estamos com uma geração de crianças que basicamente nasce digital, que recebe a informação de forma quase que instantânea, nem sempre de qualidade e/ou verdadeira, mas recebe. O que não é totalmente positivo tampouco totalmente negativo. Mas requer muita atenção e cuidado da família sobre, e quanto à escola, isto requer uma reflexão profunda sobre a maneira de se ensinar e aprender com estas crianças, sim, eu disse aprender, ensinamos e aprendemos dentro da educação, a era da educação tradicional, onde só o professor ensina já acabou e faz tempo.
Socializar, incluir e informar são as palavras-chaves!
A socialização é um fator de extrema importância, que precisa ser observado e exaustivamente trabalhado durante o acolhimento inicial, mas também ao longo do ano letivo. E engana-se quem acredita que esta prática se aplica somente nos anos iniciais, é tão necessária quanto, em todos os anos escolares.
Precisamos combater o egocentrismo, o individualismo que cresce em nossa sociedade, assim como o imediatismo, o prazer e a satisfação para já. Ensinar o planejamento, a construção, a execução das mais diversas fases do conhecimento, da aquisição, dos sonhos e dos projetos, aqueles que são a curto e os que são a longo prazo, e não digo aqui que isto se refere apenas a escola não, é na família que se dá os primeiros passos para quase tudo na vida. Despertar e estimular a afetividade, as relações sociais, a busca pela resolução pacífica de conflitos. Ultrapassar o cognitivo, desenvolver a consciência de cidadania, de inclusão é outro ponto fundamental! Ensinar a convivência com os diferentes, com o coletivo. Não é um caminho fácil, mas possível, necessário, urgente. O ser humano precisa aprender a conviver com o ser humano! Aprender que não precisamos “aceitar” o diferente, simplesmente porque isso não nos cabe, cada um é como é, e precisamos “respeitar”!
Buscar incessantemente práticas que permitam incluir da maneira mais completa possível a todos, em todos os ambientes escolares e familiares, e não apenas porque é Lei, mas porque é humano, ético! Onde todos se sentem bem e parte do projeto, do trabalho, da proposta, da prática, este é o ambiente ideal, onde tudo flui. É preciso que nossas crianças e adolescentes, e porque não dizer, adultos também, aprendam e percebam que absolutamente tudo o que fazemos tem consequências que podem afetar não só a nós mesmos, mas ao coletivo no qual estamos inseridos.
E por fim, “informar”. Mas não qualquer informação, a verdadeira, a de qualidade, e aqui não me refiro só a notícias, assuntos aleatórios, mas ao cognitivo em geral, aos conteúdos escolares e afins, ensinar que os cliques na internet podem e devem auxiliar na busca de conhecimento, mas jamais substituirão a mediação de um bom professor, o professor impacta a aprendizagem e a vida do educando! O conhecimento se dá na interação, na troca, e isso é o que se faz na escola, é isso o que humaniza a educação!
O falar, mas também o ouvir o outro, a reflexão sobre o que eu sei e o que o outro sabe, uma fala consciente e uma escuta atenta, que impacta e transforma o conteúdo aprendido, relacionando-o à prática, a vida, ao cotidiano, sempre respeitando as particularidades, as habilidades e o tempo de cada grupo e ambiente, essencialmente desenvolvendo o engajamento através de práticas que o favoreçam. Ponto este que tem feito parte das mais variadas formações continuadas de professores atualmente.
Comentários: