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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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Formação continuada de professores

Reflexões com o professor Rodrigo Barelo sobre o tema

Formação continuada de professores
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O professor Rodrigo Luis Barelo é mestrando em Educação (UNISC), integrante do Grupo de Pesquisa Currículo, Memórias e Narrativas em Educação (CNPQ), especialista em Alfabetização (UniRitter) e em Tecnologias para a Educação Profissional (IFSC), Pedagogia (FAPA), atualmente docente do Curso Normal na EMEB Emílio Meyer em Porto Alegre.

Grande conhecer do tema, o professor Rodrigo conversou com esta coluna, provocando reflexões construtivas acerca do tema.

Carmen - O que significa “Formação Continuada”?

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Rodrigo - Atualmente, entendemos a “formação continuada” enquanto parte de um processo que acompanha a trajetória profissional dos professores, tanto da Educação Básica, quanto do Ensino Superior. Ou seja, nunca estamos “formados” e "prontos”. Cada escola, turma de alunos e comunidade exigem novos saberes, portanto o estudo junto a colegas da mesma instituição é fundamental para qualificar o trabalho pedagógico. Na década de 80, havia os termos “reciclagem de professores” ou “treinamento em serviço”. Essas duas designações expressavam uma ideia de um especialista que ia até a escola e “despejava” o seu saber, como se cada professor não tivesse uma história e não possuísse conhecimentos sobre sua profissão. Hoje, pensamos a formação continuada como um momento de estudo, mas também de reflexão sobre a prática de cada professor na perspectiva da mudança. Além disso, a Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/1996), em seu artigo 62, coloca a formação inicial e continuada dos profissionais do magistério enquanto um dever dos entes federados (união, estados e municípios).

Carmen - Qual é a importância da Formação Continuada para o trabalho do professor e equipe gestora?

Rodrigo - A formação inicial, nos cursos de graduação em Licenciaturas, dá conta dos principais conceitos teóricos e metodológicos para o ensino de determinadas disciplinas da Educação Básica (História, Português, Geografia etc.) ou mesmo para a docência na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental (Pedagogia). Contudo, quando o professor está na escola se depara com crianças e jovens concretos, com comunidades que apresentam muitas vulnerabilidades, por exemplo. Então, aquilo que aprendemos na faculdade precisa ser recontextualizado e problematizado levando em conta as especificidades da escola. Cada educador e cada gestor têm suas concepções de educação. Para que uma escola tenha qualidade, também é necessário certos acordos teórico-metodológicos ou não haverá uma coerência no ensino daquela instituição. Na alfabetização, isso acontece bastante, cada professora trabalha como acha que seria o melhor, e isso fragmenta a trajetória curricular das crianças.

Carmen - Na sua opinião, quais os maiores desafios da educação atualmente?

Rodrigo - Entre os maiores desafios para a educação atualmente, acredito que seja a formulação de políticas educacionais com a devida colaboração dos entes federados (prevista na Constituição Federal de 1988), bem como com a participação real de professores e das instituições universitárias que pesquisam a educação brasileira. Hoje, muitos gestores estão comprando pacotes pedagógicos de diversas empresas e deixando os professores de suas redes como meros executores. Futuramente, colheremos o fruto dessas decisões… pois um livro didático produzido em São Paulo, com certeza não levará em conta a riqueza da cultura de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul ou de uma comunidade de periferia da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Carmen - Quais as suas impressões para o futuro da educação brasileira, no cenário pós-pandemia?

Rodrigo - O pós-pandemia e o contexto político têm colocado nas escolas difíceis tarefas, pois para além dos conhecimentos escolares que as crianças não tiveram acesso, muitas famílias tiveram perdas na área social e econômica. Muitos educadores também relatam que as crianças estão bastante agressivas e os pais parecem descontar na professora suas frustrações. Bernard Charlot argumenta que as escolas têm um papel fundamental no “processo civilizatório" de uma sociedade. Ou seja, aprender a resolver conflitos de forma adequada, colocar-se no lugar do outro, entender a importância da ciência, lutar de forma coletiva por uma sociedade mais igualitária, respeitar as singularidades de cada um e acreditar na democracia como uma condição para o desenvolvimento brasileiro. Assim, os professores precisam ser realmente valorizados e de condições estruturais para dar conta dessa nova realidade.

 

 

Esta coluna agradece imensamente ao professor Rodrigo por compartilhar seu conhecimento e suas reflexões conosco. A educação se faz assim, com trocas, com ideias e ideiais, com ações positivas e propositivas!

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Carmen Almeida

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Carmen Almeida

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