Muito tem se visto e falado sobre violência nas escolas, existem muitas sugestões surgidas em discussões, projetos de lei em andamento, indicações de estratégias, enfim... E este não é um assunto novo, infelizmente, nem de exclusividade brasileira. Mas então, como prevenir, evitar a violência no ambiente escolar, como educar para a paz?
Vimos, como medidas para coibir a violência dentro das escolas, redes escolares adotando muros, grades, vigilantes, portarias, câmeras de vigilância e até portas com detectores de metais. E não estou de maneira alguma aqui criticando ou condenando nenhuma destas medidas, pois acredito que a inércia é a pior das alternativas, apenas propondo uma reflexão sobre o tema.
A violência tem raízes profundas, pode ser bem visível (brigas, discussões, agressões físicas, etc...) ou nem tão visível (menosprezo, preconceito, abandono físico ou emocional, etc...). Muito da violência visível tem suas raízes na violência pouco visível, e isto é fato. É possível prevenir a violência com diversas iniciativas, preferencialmente em maneira conjunta, violência é uma questão de saúde pública sim e portanto a prevenção e combate implica aí todos os setores da sociedade.
A escola é um meio de fundamental importância para a reversão da violência, através da cultura e da educação pela paz, para a paz. Mas o que é a cultura de paz, para a paz mesmo? É sobre valores humanos, direitos humanos, ações restaurativas de conflitos, ambiente acolhedor, agregador, reflexivo, respeitoso, ensinar e aplicar a empatia e a afetividade, promover acima de tudo o ser humano como foco, no destaque, muito mais do que resultados cognitivos.
E como fazemos a educação para a paz? Fazemos cada vez que praticamos a mediação de conflitos com diálogo e ações efetivas, cada vez que detectamos a necessidade de intervenção dos canais de saúde (física, psicológica, emocional), cada vez que incentivamos ações de respeito, apoiamos projetos e jogos colaborativos, ensinamos que mais vale o caminho que o ponto de chegada, que desestimulamos as competições por padrões de beleza e popularidade (geralmente ditados pela mídia ou internet e pouco possíveis, atingíveis), promovemos o afeto e o combate ao bullying, estimulamos a participação ativa dos estudantes na rotina das tarefas, envolvendo-os e tornando-os protagonistas do próprio aprendizado e da própria vida, tudo isso só trará benefícios a todos.
No entanto, para que a escola possa realizar tais ações é necessário quase sempre, um trabalho em conjunto com a família, a educação para a paz se inicia por lá, valores humanos vem de lá. A família é a base de tudo, e quando a família falha ou enfrenta dificuldades para tal, o que fazer então? Se a escola busca a parceria e a encontra, os resultados surgem, mas quando não, é necessário uma rede de apoio para a restauração do papel da família, pois reafirmo que o combate aos vários tipos de violência, inclusive as que ocorrem dentro do ambiente escolar, implica todos os setores da sociedade.
Outro ponto que merece ser citado aqui e vale uma reflexão, é a questão da crescente necessidade de exposição que as crianças e adolescentes encontram no uso da tecnologia, da internet, que não são “vilões”, desde que administrados de forma viável e saudável, ponto este que tem preocupado muito a pais, educadores, psicólogos, médicos, pesquisadores, enfim, todos os setores ligados à educação e saúde das crianças e adolescentes, muitas vezes gerando distância cada vez maior de uma alimentação saudável, prática de atividade física, o contato com a natureza, a interação com outras crianças e adolescentes, a vida virtual substituindo a vida real.
Encerro com a reflexão do grande Nelson Mandela quando diz: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, ou por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta”.
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