É setembro, ouvimos o nosso hino muito mais seguido nessa época e com ele incontáveis versões da guerra, dos propósitos, da finalidade, enfim...
Outro dia, eu perplexo, escutava um noticiário que relatava sobre manifestações antirracistas à respeito do hino.
Pois bem, quero isentar o veículo ao qual sirvo e entrego minhas palavras de tudo o que vem a seguir. Sou responsável pelas minhas ideias, meus ideais e também por tudo o que escrevo. O Repórter Guaibense confia nos meus textos, mas eles são fruto do que penso, portanto se quiserem atirar pedras é a mim que devem procurar, não ao jornal.
Primeiro que ao meu ver o racismo começa quando tentamos separar as raças, somos de uma raça apenas, a raça humana. Não há cor, credo, pensamento político ou gênero que nos separe enquanto raça.
Os contextos são muito escusos quando se trata de manifesto. Não se contempla tudo o que existe em cada tema, por isso, podemos aproveitar a inanição cultural, para tornar algo simplório em ato público de manifesto exacerbado por uma causa própria.
O negro é meu irmão, assim como o branco, o índio, o amarelo e qualquer cor que tenha na pele, na mente ou no peito. Escrevo poemas e crônicas falando que na guerra farrapa, os negros de tanto valor, lutaram de forma corajosa e visceral, mas ao final foram covardemente entregues ao massacre.
Agora, dizer que o hino é uma afronta racista porque fala que “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo” perdão, que mediocridade! Que pretensão descabida!
Onde está escrito que escravo está atrelado apenas ao negro? Onde foi lavrado o decreto, onde estipula que o hino Rio-Grandense decreta que somente os negros são escravos? Será que entende o grito de liberdade da frase do hino?
Por favor, sejamos mais cultos e menos aproveitadores! Nas escrituras que regem a humanidade a definição de “Escravos” diz que são todos aqueles que tem a liberdade tolhida, quem pertence a outrem ou que é submisso ao poder de alguém ou de algo. No antigo Egito não se escravizava por cores, mas por classe. Os primitivos (índios) não foram escravizados apenas pelos portugueses, como na África, aqui no Brasil os índios escravizavam seus irmãos, para venderem aos invasores por espelhos, por vestimentas, por quaisquer quinquilharias.
E hoje? Não existem mais escravos no Brasil?
Se não nos libertarmos da falta de humanidade, se não nos revestirmos com a roupagem do afeto e da fraternidade, se não compreendermos que somos da mesma irmandade e que a cor não é nada mais que uma característica genética e que nossa raça é uma só a raça humana, seremos escravos eternos do preconceito, da discriminação e acabaremos presos nos nossos calabouços mentais.
Eu sou preto, sou neto de índio, bisneto de negro escravizado, tataraneto de português, alma de desbravador espanhol e ímpeto de guerreiro viking, eu sou homem da terra que briga pela bondade e reza pra que possamos de mãos dadas valorizar a vida, libertando as correntes das coisas que o mundo quer nos prender e que a cultura liberta.
“Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”.
Se vendermos o voto, se calarmos aos abusos, se deixarmos a mediocridade aflorar sobre a busca da intelectualidade, seremos eternos escravos de uma sociedade que sucumbe a falta de cultura porque preferimos lutar por falsas ideologias ao invés de fazermos um mundo melhor.
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