2021 está logo ali. Pela primeira vez não sinto um final de ano como encerramento de um ciclo. A pandemia e o isolamento social (pouco respeitado) reconfigurou as nossas vidas. Não se estou trabalhando demais ou de menos, não vejo meus colegas para comparar, para ter noção, ao mesmo tempo, vários campos se abriram para que se possa avançar. O campo do diálogo, do virtual, esta coluna por exemplo. E o esgotamento? Nossa! Estou exausto e só quero que o ano termine, porém, terminará que continuaremos sendo desafiados pela vida.
O que tem me ajudado a respirar são os afetos, os carinhos, as pessoas que vou encontrando e que encontrei neste percurso virtual de 2020. Fiz umas aulas na Universidade de São Paulo, ingressei no Doutorado em Educação na UFRGS (um sonho do primeiro graduado da família), conheci pessoas de todo o Brasil nas minhas andanças pelo google-meet. Estive uma hora em Capão, outra em Cruz Alta volto pra Porto Alegre sem sair do meu quarto (às vezes da cama). E os amores? Queria um amor de quarentena para me ocupar e esquecer de assistir a TV Câmara e a Voz do Brasil onde só tiram nossas direitos, e as perspectivas não são as melhores. Filiei-me a um partido, pois entendo que é importante estar perto de quem potencializa nossos pensamentos e pensa um projeto de sociedade pautado na coletividade.
Esses encontros me afetaram positivamente e me deram e dão força para atravessar esse percurso pandêmico. O que estou dizendo aqui é pura filosofia. Sempre cito Espinoza, um filósofo que aposta na potência dos encontros. Ele vai dizer que a gente não sabe a potencia que carrega, mas, só vai entender quando nosso corpo, nossa vida se encontra com algo ou alguém que vai potencializar isso, vai aumentar nossa vida, ou seja, a gente vai crescer como pessoa, como pensamento. A gente também pode ter encontros ruins, que tiram nossa energia. Gosto de usar Espinoza com meus pacientes sabem como? Quando ele diz que um mau encontro, ou uma paixão triste, é quando se atribui ao outro a responsabilidade pela nossa felicidade. Ou seja, não vamos por no outro a responsabilidade pelo que é nossa.
Mas Vinicius, o que tudo isso tem a ver com essa coluna véspera de natal? Ora gente.. tudo!
Se não fossem os encontros, mesmo que virtuais, eu não teria parar nesses espaços todos e saindo feliz, não pelas conquistas matérias, mas, pelas conquistas afetivas que me ajudaram a me ver diferente do que era. Outrei. Apostar nos encontros para que possamos outrar é linha de vida, é saúde mental e é o que desejo para todas e todos nós em 2021. Afinal, infelizmente, luxo hoje em dia é saúde mental.
Há braços pra nós! Que possamos nos encontrar em 2021 e ser afetados positivamente.
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