Repórter Guaibense

Sabado, 22 de Agosto de 2026

Colunas/Geral

O que você aprendeu sobre você com os seus últimos relacionamentos?

Me diga como te relacionas e eu te direi quem és

O que você aprendeu sobre você com os seus últimos relacionamentos?
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Eu gosto muito de um filósofo chamado Baruch Spinoza. Gosto dele por dar uma pista de como as relações podem ser potentes ou destrutivas para nós.  Ele traz os conceitos de paixões tristes e paixões alegres. Paixões alegras são encontros onde nós aumentamos nossa potência de vida, onde crescemos, onde sentimos bem-estar e, paixões triste, diminuem nossa vontade vida, nossa vontade, nossa potência. Gosto de dizer que paixões tristes são quando atribuímos ao outro a reponsabilidade pela nossa felicidade. Isso não pode! Nós temos que ser mais Rita Lee, “me dê o prazer de ter prazer comigo”, ou seja, relações onde a gente se veja pelos olhos do outro, se reconheça e cresça. 

Mas muitas coisas nos prendem e nos induzem a paixões tristes como conceitos duros sobre  a dinâmica dos relacionamentos, que inclui tipos de conjugalidade muitas vezes efêmeras, precárias ou permeadas por interesses egoísticos.

Enquanto Bauman denomina “amor líquido” à fugacidade do amor contemporâneo, Giddens a chama de “amor confluente”, que se caracteriza pela finitude do laço no momento em que este deixa de ser vantajoso para um dos parceiros e que presume igualdade na doação e no recebimento emocional. 

Leia Também:

Nesse cenário, os casais casam, descasam, (re)casam ou apenas vivem juntos sem formalidades. Às vezes, até moram em casas separadas, em situação de concubinato que equivale à “união estável”. São modos de tentar estar junto, afirmando sua potência de vida de modo a romper com o que dizem ser certo ou errado.

Precisamos aprender que não existe “ter” alguém, mas “estar”. Que seja eterno enquanto dure. Que seja uma oportunidade que possamos aproveitar enquanto acontece. Terminar relações e as dores que trazem dizem mais respeito às nossas feridas internas, relacionamentos familiares, crenças de que não somos bons, não temos beleza. É muito comum chegar mulheres no consultório com a queixa de pensarem que tem algo errado com elas, por não conseguirem uma relação sendo que foram “ensinadas” para.  

A gente não pode esquecer do cuidado com a gente e tenho pensando muito nas relações, no quanto não estamos sendo generosos conosco.  Mas não estamos sendo por que não sabemos como e Spinoza nos dá pistas, precisamos estar atentos no que nos fortalece.  

Podes estar com alguém que pode nos fazer crescer ou nos manter num lugar, “presos” vida parada. Escrevo isso por que o isolamento social apenas escancarou algo que já existe na nossa cara, ou seja, o quanto precisamos olhar para as nossas histórias e relações e o quanto podem ser oportunidade para aprendermos sobre nós mesmo. A culpa não é sua ou do outro, mas, do modo como a relação se estabelece. As relações não são abusivas do nada, elas se tornam e isso diz mais de nós mesmos do que do outro. 

Que possamos começar a olhar mais para isto! Sempre busco puxar, tencionar, para que possamos nos ver nas relações, nas histórias, nos processos e as relações são um ótimo modo para podermos fazer o exercício de aprender sobre nós com o outro.

Comentários:
Vinicius Pasqualin

Publicado por:

Vinicius Pasqualin

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Veja também