Repórter Guaibense

Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026

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Pelo direito de se isentar perante o ódio

A crescente onda de omissão diante das violações a Direitos Humanos no Brasil

Pelo direito de se isentar perante o ódio
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Na última semana, veio à tona o debate acerca da necessidade de nos manifestarmos diante do caos político em que estamos vivendo, gerando, assim, polarização nas opiniões sobre o direito de isentar-se de opiniões políticas.

Há quem diga que não se manifestar sobre as crescentes atitudes do (des)governo atual do Brasil não significa concordar com elas, que essa seria, inclusive, uma forma de tentar não se afetar tanto com cada notícia devastadora que insiste em nos abalar diariamente. Há os que entendem que, nesse momento, não há como ficar em cima do muro, que não se trata mais de simples opinião individual, e sim de direitos humanos básicos que seguem sendo violados.

Não discordo do argumento de que, muitas vezes, nos alienar é necessário à mínima estabilidade mental. A pandemia e a negligência para com os cidadãos, por parte de quem deveria promover a saúde e a vida, estão, inegavelmente, adoecendo a todos – os que não estão matando.

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É inegável, porém, que a situação política atual do Brasil ultrapassa a necessidade de apenas apoiar ou contrariar determinado partido ou ideologia política.

O Brasil vive uma crescente onda de violação a Direitos Humanos. Se fomenta discursos de ódio contra minorias, a discriminação baseada em raça, gênero, orientação sexual, classe social, etc. Se recusa vacinas, e medidas preventivas de contenção ao covid-19. Se defende tratamentos precoces com ineficácia comprovada cientificamente. Se defende o desmatamento, auxilia no desemprego, na fome, e no declínio social. E, ainda assim, há uma sutil tendência em minimizar tais efeitos.

Não se exige que as pessoas se posicionem favoráveis ou contrárias a determinado partido ou representante político, mas sim perante às barbáries causadas pelo governo atual do país. É direito e dever dos cidadãos acompanhar os seus representantes, de modo que a cobrança e a crítica são consequências lógicas.

Não é uma simples questão de polarização política. Quem dera fosse. É sobre se omitir perante o absurdo. É sobre se calar diante da violência crescendo, pessoas morrendo, e discursos de ódio sendo normalizados.

O Brasil bateu a marca de 473 mil mortes por covid, e sabemos que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas, e não o foram apenas por negligência, sequer por omissão, pois houve a escolha deliberada em não adquirir vacinas.

Nesta última segunda-feira (31) um jovem gay sofreu estupro coletivo, em Santa Catarina, sendo espancado e torturado, e após, abandonado na rua. O jovem se encontra internado no hospital, em estado grave. Apesar da barbárie do crime, o caso só foi divulgado na sexta-feira (04), e está sendo pouco notificado pelos veículos de comunicação.

Essa é a consequência da banalização da violência, da violação a Direitos Humanos, do ‘direito a não se posicionar’. Se estamos, de um lado, lutando para não se abalar com as notícias, no conforto de nossas casas, de outro, tentamos sobreviver.

O seu posicionamento neutro, a necessidade de se calar, a reivindicação do direito a se omitir, se contrapõe à tentativa de sobrevivência da maioria de brasileiros. Vivemos em uma realidade em que precisamos repetir o óbvio, pedir por respeito, justiça, empatia.

Se calar não é uma opção.

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Yasmin Angra

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Yasmin Angra

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