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Sabado, 16 de Maio de 2026

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Setembro amarelo: uma campanha necessária

O tema é delicado e complexo que precisa ser exaustivamente abordado

Setembro amarelo: uma campanha necessária
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 A campanha do Setembro Amarelo pela conscientização sobre suicídio teve inicio nos Estados Unidos, em 1994, quando no funeral de um jovem que dirigia um carro amarelo e faleceu desta trágica forma, a família distribuiu fitas amarelas com frases de apoio aos presentes com intenção de auxiliar quem eventualmente estivesse enfrentando sofrimento semelhante. A partir de então, diversos locais do mundo, entre eles o Brasil, aderiram à causa.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, somente durante a pandemia, mais de 24% dos jovens entre 18 e 24 anos considerou seriamente tirar a própria vida e quase a totalidade das pessoas que cometem suicídio sofrem de algum transtorno psiquiátrico não diagnosticado ou não adequadamente tratado. Mais da metade dessas pessoas buscou ajuda em algum momento nos seis meses anteriores à sua morte. Mas suicídio está longe de ser um problema restrito ao difícil momento que vivemos, trata-se de um problema crônico de saúde pública no nosso país e muito especialmente em nosso estado, que lidera esse preocupante ranking.

Falar de morte ainda nos é desconfortável, falar de suicídio muito mais. Encarar a necessidade de abordar esse tema como a saída possível para uma das principais causas de morte potencialmente evitável, se faz extremamente necessário em todos os meses do ano. Falar a respeito não coloca em risco quem não está e dá a chance, para quem precisa, abordar o assunto com menos temor do julgamento alheio.

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Suicídio ainda é um assunto sobre o qual pairam inúmeros mitos, entre eles o de que quem quer mesmo morrer não avisa, na maior parte das vezes o desejo é livrar-se de um sofrimento insuportável e não da vida em si, e muitas pessoas falam a respeito justo em busca de outra solução para sua dor. Não tente convencer alguém com pensamentos suicidas a mudar de ideia, ajude sim a buscar ajuda profissional. Argumentar com dados de realidade sobre como sua vida é boa, sua família e amigos lhe querem bem, pode ter um efeito insignificante diante da potência e gravidade de um transtorno mental. Uma pessoa com pensamentos suicidas precisa de auxílio médico e uma abordagem muito mais ampla e técnica do que frases motivacionais. Tentar “levantar o astral” pode fazer com que a pessoa se sinta ainda mais incompreendida e solitária e aquilo que é dito na intenção de resgatá-la acabe por empurrá-la em direção ao abismo.

Outro pensamento comum é de quem fala em suicídio deseja apenas chamar atenção. Pessoas com pensamentos de morte, em realidade precisam de atenção e cuidado, tanto quanto qualquer outra pessoa que esteja gravemente doente. Necessita atendimento especializado e intensivo, configurando uma emergência.

Nem sempre quem tenta ou comete suicídio está deprimido, mas quase que invariavelmente está doente. Pessoas com outros quadros psiquiátricos como transtorno do humor bipolar, esquizofrenia, transtornos de personalidade e dependentes químicos também tem risco aumentado. Também as crianças não estão isentas e devem ser levadas a sério se verbalizarem temas relacionados ao desejo de morte e suicídio.

Suicídio é tema delicado e complexo que precisa ser exaustivamente abordado, para que a ajuda chegue a quem precisa enquanto há tempo. A busca precoce por tratamento psicológico e psiquiátrico ainda é a forma disponível de prevenção quando já houver sintomas. Prevenção em saúde mental é assunto muito mais amplo, que deve começar por reconhecer, respeitar e legitimar sentimentos desde a infância, criando ambiente de acolhimento ao que é sentido e modelos e espaços de busca por regulação emocional. Sejamos acolhedores, é um bom começo.

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Luciana Bridi

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Luciana Bridi

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