Seguindo na montagem do álbum de figurinhas com talentos aqui da nossa cidade, hoje vamos conhecer um pouco da trajetória de Rafael Garcez.
Rafael, que é formado em Realização Audiovisual pela Unisinos, trabalhou durante dois anos como editor de roteiro, roteirista e pesquisador para o programa Pandorga, da TVE.
Além da formação em Realização Audiovisual, nosso entrevistado também possui mestrado em Comunicação Social e especializações em Televisão e Convergência Digital, e também na área de Gestão e Docência.
Reconhecido por seu jeito discreto e pelo bom papo, Rafael é um dos membros do Conselho Municipal de Políticas Culturais aqui da cidade e um talentoso disseminador da linguagem audiovisual através de sua produção e das oficinas que ministra.
Tenho certeza de que você vai gostar de conhecer um pouco da trajetória desse nosso vizinho que anda e sonha junto conosco pelas ruas de Guaíba.
Caso você já conheça o “Rafa”, também vai ter a chance de se surpreender com algumas de suas ótimas respostas nessa entrevista divertida e bastante lúcida.
Sem mais delongas, vamos ao que interessa:
Luz! Câmera! Rafael!
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DRONE CULTURAL – Primeiramente, muito obrigado por aceitar o convite e reservar um tempinho para essa entrevista.
Somos companheiros no Conselho Municipal de Políticas Culturais. Você se caracteriza pela presença constante, sempre muito atencioso, disposto e, ao mesmo tempo, discreto, reservado. Conheço um pouquinho da tua trajetória, mas tenho certeza de que muitas pessoas nutrem uma certa curiosidade sobre a sua pessoa.
Para começar esse passeio pelas tuas ideias, conte-nos um pouco sobre a tua trajetória no audiovisual.
Como a Arte e, particularmente, o cinema entraram na tua vida?
RAFAEL – Eu não me lembro de a arte e o cinema não estarem presentes na minha vida. Eu sempre amei histórias, e as diferentes emoções que elas podem nos provocar, e tive a sorte de na infância ter tido fácil acesso à diferentes formas de arte, como a literatura; o teatro; os quadrinhos, e o próprio cinema. Além, é claro, da própria televisão, que por mais esnobada que seja hoje em dia, foi vital na minha formação cultural, e porta de entrada para o cinema.
DC – Para ti, o que é o cinema?
RAFAEL – O cinema é a arte mais próxima de nós, por que o ser humano é um ser basicamente audiovisual. Quando ouvimos uma história, imediatamente a imaginamos como um filme em nossa cabeça. Nossas memórias possuem montagem, enquadramento, e até trilha sonora. Logo, cinema é vida.
DC – Quais são as tuas referências? Onde você busca inspiração?
RAFAEL – Eu sou um grande admirador dos gêneros terror e policial, então sempre busco alcançar a atmosfera presente nesse tipo de história em meus trabalhos. Eu assistia à muitos filmes de terror, que passavam sem grandes problemas no meio da tarde na TV Aberta nos anos 1990. Também lia muito os livros de Sherlock Holmes e os gibis do Batman. Admiro muito o trabalho de diretores como Alfred Hitchcock; Wes Craven; e John Carpenter, que exploraram o medo de forma muito inteligente em seus filmes. Ao mesmo tempo, como a maioria dos brasileiros, consumi muita telenovela, e Sitcoms, que também acabam servindo como referência, mesmo que inconsciente.
A inspiração pode vir de qualquer lugar. Vem das nossas próprias experiências de vida, mas também de histórias que ouvimos de outras pessoas; de uma notícia que vimos na TV; de algo que vimos na rua, ou mesmo de um filme ou de uma música. Claro, a inspiração é apenas parte do processo criativo; o ponto de partida por assim dizer, pois uma vez que decidimos o tipo de história que queremos contar, é necessário esforço para dar uma forma coerente para as ideias que nos inspiraram.
DC – Qual é o maior desafio para quem faz Cinema?
RAFAEL – Financiamento. Ainda que devido ao avanço da tecnologia e sua lenta democratização, seja muito mais fácil gravar um filme hoje do que já foi; fazer audiovisual ainda é caro, por mais modesto que seja o projeto. Mesmo quando trabalhamos no sistema conhecido como “Cinema de Guerrilha”, onde a equipe abre mão de qualquer remuneração, os gastos ainda existem. Nós precisamos de um equipamento para gravar o filme; nós precisamos alimentar a nossa equipe; nós precisamos transportar a nossa equipe. E os gastos não terminam após a gravação; pois é preciso finalizar o filme, e por fim distribuí-lo.
Muitas vezes, após esse longo processo, esses filmes ainda acabam sendo pouco assistidos; restringindo-se à alguns festivais de cinema para depois nunca mais serem vistos, o que pode provocar frustração depois de todo o árduo trabalho envolvido para dar vida aquela obra, já que o filme ainda pode deixar dívidas para os seus realizadores.
Estamos longe de termos as melhores politicas públicas para resolver esse problema, pois as que existem ainda são mal aplicadas em muitos casos, elitizando o setor ao invés de democratizá-lo. Por outro lado, tivemos evoluções também. Por exemplo, hoje temos a opção dos Crowdfundings, que se tornou a salvação de muitos projetos que talvez nunca vissem à luz do dia; além de apontar uma maior valorização de nossa cultura pela população. A proliferação dos serviços de streamings no país também surge de forma tímida como uma opção interessante para os realizadores.
DC – O que o Cinema acrescentou na tua vida?
RAFAEL – Muitas coisas. O cinema me ensinou a me comunicar; me ensinou a encontrar formas de expor o que eu pensava e sentia; a ouvir com respeito e atenção o que outras pessoas tinham a dizer. Decididamente a profissão me fez uma pessoa mais tolerante e de mente mais aberta. O audiovisual é uma arte coletiva, e como em qualquer arte; há muita emoção envolvida, então posso dizer que me tornei uma pessoa com muito mais empatia nessa profissão, pois precisamos entender a emoção dos outros da mesma forma que nossos colegas precisam entender as nossas para o trabalho fluir. Por fim, foi uma profissão que me fez acumular muito conhecimento, o que nunca é ruim.
DC – Que tipo de aspecto da tua vida tu acha que deve exclusivamente a Arte e ao Cinema?
RAFAEL – Se não fosse o cinema, minha mente não seria tão aberta quanto é hoje. Nós vivemos em uma época em que as pessoas têm tanta certeza de tudo; e nunca param para questionar as suas crenças, mesmo que seja para confirma-las. Como disse anteriormente; o cinema é um caldeirão de ideias e opiniões, e foi nesse caldeirão que aprendi o valor de olhar duas vezes para minhas crenças e certezas para que elas não me cegassem. Com isso, não quero dizer que todos no setor vivem em harmonia cantando abraçados, porque não é o caso. Mas a arte e o cinema permite que olhemos de forma crítica para as nossas próprias convicções.
DC – Guaíba possui uma joia muito valiosa chamada Festival de Cinema estudantil de Guaíba, realizado no Instituto Estadual de Educação Gomes Jardim. Este é o mais antigo festival de cinema estudantil em atividade no Brasil.
Podes falar um pouco sobre a importância desse tipo de festival para a consolidação e propagação de Cultura no contexto local?
RAFAEL – A importância deste tipo de festival é vital para a propagação da cultura. Se aprendemos a valorizar a cultura na escola; vamos continuar valorizando-a na vida adulta. Quando estes estudantes produzem os seus filmes para o festival; eles estão entrando em contato com o poder transformador da arte; eles estão desfrutando da pedagogia por trás desta atividade cultural, e o festival de cinema deve ser a celebração disso. Eventos como o festival são tão importantes não só porque eles geram agentes culturais, e mesmo trabalhadores da cultura muito produtivos para as suas comunidades; mas por gerar cidadãos que mesmo que não trabalhem ou atuem no segmento cultural; o valorizam. Não me parece coincidência que nossos Hermanos Argentinos, que tem uma produção cultural audiovisual muito rica e valorizada, tenham o audiovisual como uma atividade cultural extremamente presente em suas escolas.
DC – Qual é a influência da tua família em relação ao que tu fazes? Como eles encaram a tua escolha e esforço pela carreira? Eles conseguem entender tudo o que você faz, ou ficam meio perdidos no meio de tantas correrias?
RAFAEL – Eu tive todo o apoio quando optei por seguir a carreira de realizador audiovisual, mas esse apoio não foi livre de preocupações dos meus familiares. A verdade é que a nossa profissão está muito longe de ser a mais estável das profissões; e muitos poucos de nós conseguem viver unicamente do audiovisual. Isso acaba gerando preocupação nas pessoas próximas a nós.
DC – Acaba que a maior parte do nosso círculo de amizades é formado por pessoas com os mesmos interesses. Mas sempre temos aqueles amigos de fora do meio que ficam curiosos sobre nossos trabalhos e, muitas vezes, possuem uma visão romântica demais sobre o que fazemos.
O que os teus amigos e teus familiares costumam a falar e perguntar sobre a tua carreira e profissão? Te perguntam quando tu vai para a Globo?
RAFAEL – Já perguntaram se já tentei a Globo várias vezes. Alguns até dizem que eu deveria tentar Hollywood, pois aqui não tem campo. Existe sim uma visão romantizada da profissão entre os leigos, já que é uma profissão constantemente associada ao espetáculo. Há também aqueles que acreditam que por termos feito audiovisual, somos especialistas em todos os departamentos do cinema e vimos todos os filmes que existem. Há uma mítica em torno do nosso trabalho, que verdade seja dita, muitas vezes é alimentada por nós mesmos.
DC – Já que a gente falou em televisão: Você participou como roteirista e pesquisador de um dos programas mais clássicos do nosso estado, o Pandorga.
Você era audiência na infância, ou só teve noção da importância do projeto quando foi contratado?
Conta como foi a tua experiência na TVE e, especialmente, nesse programa com mais de 30 anos de existência.
RAFAEL – Assisti muito o Pandorga quando criança, e adorava. E olha que nunca fui um grande fã de programas infantis, mas o programa, juntamente com o Castelo Ra-Tim-Bum exibido no mesmo período em que assistia o Pandorga, era um dos meus favoritos, pois a inteligência da criança era respeitada.
Minha experiência nos dois anos que passei na TVE foi fantástica, e guardo ótimas lembranças daquela época, e de toda a equipe. Nunca imaginei que chegaria o dia em que eu teria a chance de escrever para personagens que acompanhei durante a infância; mas lá estava eu, podendo escrever uma história onde a boneca Nina pegava um Catamarã e vinha a Guaíba. Sempre vou ser grato á Maria Inês Falcão, criadora e diretora do programa, por ter me dado essa oportunidade. O tempo que trabalhei na TVE também me fez valorizar imensamente os trabalhadores da TV Pública, que foi tão maltratada recentemente.
DC – Você pode dividir conosco algum momento, dentro da tua trajetória no audiovisual, que tenha te emocionado além do "normal"?
RAFAEL – A primeira exibição pública do curta metragem Curiosidade Mórbida, no Santander Cultural, que escrevi e dirigi em 2011. Ver a plateia reagindo aos personagens e a história que eu havia criado foi emocionante, pois percebi que o filme que eu havia criado com os meus colegas havia conseguido tocar aquelas pessoas; havia provocado algo nelas. Foi uma emoção incrível, que acredito, seja almejada por qualquer um que se arrisque a criar um produto artístico.
DC – Falando em emoção: Para ti, o que é construir uma cena e ver ela em ação?
RAFAEL – É uma sensação ótima, pois vemos literalmente aquilo que imaginamos ganhar vida. Ver um ator interpretando a cena que você escreveu; o diretor criando um enquadramento para algo que nasceu na sua cabeça; é sempre uma experiência um pouco surreal, mas muito gratificante.
DC – Tens algum ritual que execute antes de entrar em dia de gravação? Como é a tua rotina de trabalho no set?
RAFAEL – Não tenho nenhum ritual específico, mas posso dizer que mesmo já tendo participado de vários Sets, aquele frio na barriga está sempre presente no começo, o que é ótimo, pois nos mantém alerta. O Set é um ambiente de muita concentração, então temos que nos manter sempre focados no que precisamos fazer a seguir, pois qualquer distração pode gerar atrasos que podem atrapalhar a produção.
DC – Por mais que nos preparemos, as saias justas estão sempre presentes. No meio de tantas coisas lindas que já aconteceram ao longo da tua experiência, qual foi o maior perrengue que você passou em cena ou em um set de gravação?
RAFAEL – Houve uma situação que me marcou especialmente. Foi durante a produção de uma campanha politica grande para qual prestei assistência de produção. Uma das equipes de gravação havia se esquecido de levar o seu HD Externo reserva, e me perguntaram se eu podia levar esse HD reserva para essa equipe pegar o que estava com eles e trazer de volta a base de produção. Pensei “Ótimo, eu posso fazer isso”. O que não haviam mencionado foi que essa equipe não estava do outro lado da cidade, como eu imaginei a principio, e sim á seis horas de viagem da base de produção. Assim, ganhei a viagem de ônibus mais longa e inesperada que fiz até hoje.
DC – Você também trabalha com oficinas voltadas ao audiovisual. Como é a experiência de passar esses conhecimentos?
RAFAEL – É uma experiência que me dá muito orgulho. Nós vivemos em um mundo onde as mídias audiovisuais se fazem cada vez mais presentes. Assim, sinto que ao apresentar os conhecimentos em torno do fazer audiovisual para os meus alunos; estou ajudando-os a observarem com mais atenção o mundo á nossa volta, e a refletir sobre esse mundo. Esse, afinal; é o papel da cultura.
DC – Esse com certeza é um dos momentos mais confusos que a classe artística já enfrentou. Fomos atingidos em cheio pelas medidas de segurança necessárias, mas que, de um dia para o outro, deixou nossas atividades suspensas.
Estamos sendo obrigados a tentar nos reinventarmos de alguma forma.
No mês passado você encerrou a sua participação nas oficinas promovidas dentro das atividades do Ponto de Cultura Espaço Livre Biguá.
Foram dois cursos muito interessantes voltados a Produção e Edição de obras audiovisuais, ministrados por ti, em parceria com o também talentosíssimo Eduardo Teixeira (Que já foi personagem na entrevista Luz, câmera...emoção)
As oficinas de vocês começaram uma semana antes do decreto que limitou as nossas atividades.
Inevitavelmente, vocês foram obrigados a alterar o cronograma e a forma de execução do projeto.
Conta para nós como está sendo esse momento. Como está funcionando o processo de adaptação? Qual está sendo a principal dificuldade encontrada e quais pontos estão mais te surpreendendo positivamente?
RAFAEL – Foi um momento surreal; pois do dia para a noite, tudo aquilo que dávamos como certo caiu. O mundo mudou muito rápido. O processo de adaptação não foi fácil; não só por nem eu e nem o Eduardo termos experiência com o ensino online; que possui uma metodologia muito diferente; mas pela própria natureza de uma oficina de produção audiovisual pressupor proximidade. O curso acabou se tornando muito mais teórico do que havíamos planejado inicialmente, já que o modelo online não nos permitiria acompanhar o desenvolvimento de certos exercícios práticos. Apesar disso, fiquei feliz com o resultado final; especialmente diante das condições impostas pela pandemia.
Eu ainda prefiro o modelo de aula presencial; tanto como aluno quanto como professor, pois a troca proporcionada pelo presencial simplesmente não é substituída pela mediada pela maquina, mesmo nas aulas em live. Mas por outro lado, essa crise nos forçou a nos reinventar, e ver as possibilidades criativas e pedagógicas existente nesse modelo de curso, o que é um ponto positivo.
DC – Além da atuação profissional, você arranja um tempo livre para participar do Conselho Municipal de Políticas Culturais (COMPC).
Você, assim como todos que fazem parte do Conselho, foi eleito para representar um segmento do setor cultural, no caso Fotografia e Audiovisual ao lado do engajadíssimo Pedro Molnar.
Como você entende o papel do Conselho Municipal de Políticas Culturais e, para você, qual é a importância de participar dessa instancia de deliberações sobre a cultura local?
RAFAEL – O Conselho possui um papel fundamental para a criação de uma classe artística coesa e organizada em nosso município. O nosso papel é não só promover o diálogo entre a classe artística e o poder público; gerando a criação de políticas publicas culturais que beneficiem o município e seus trabalhadores da cultura; mas proporcionar o diálogo entre diferentes segmentos; que nem sempre se comunicam, mas deviam.
Fazer parte do conselho é um papel de muita importância e responsabilidade, pois nós queremos ver mudanças, e uma classe artística unida que é valorizada dentro de Guaíba; tanto como força cultural quanto como força econômica, pois nós movimentamos a economia.
DC – Ainda aproveitando um pouco mais a temática da Pandemia, na tua opinião qual é o papel da Arte nesse momento?
RAFAEL – O papel da arte é o mesmo que ela sempre ocupou em momentos de crise: entreter, mas provocar reflexão. Fomos os primeiros a sermos atingidos pela crise com o fechamento dos espaços públicos; mas o consumo doméstico dobrou durante o isolamento. O mundo está se reinventando nesse cenário; e cabe a arte fazer o mesmo para continuar cumprindo a sua função: entreter e provocar reflexão; coisas que em momentos de crise como esse, tornam-se mais importantes do que nunca.
DC – Que tipo de emoções estimular em um momento tão obscuro na história da humanidade?
RAFAEL – Esperança é o que eu acho que mais precisamos; no momento. As pessoas precisam acreditar que possuem a força necessária para atravessar esse período tão assustador e encontrar uma saída.
DC – Uma boa notícia para a Cultura e para a Economia é a liberação, através da LEI ALDIR BLANC, de recursos para os trabalhadores e espaços culturais.
Esse dinheiro, que só pode ser investido no setor cultural, virá em boa hora e poderá, além de auxiliar financeiramente a classe artística, os técnicos de espetáculo e os espaços de cultura, transformar a história cultural de nossa cidade.
Como você vê a importância dessa lei nesse momento e qual é a tua expectativa atual com relação a isso?
RAFAEL – A Lei Aldir Blanc foi extremamente importante nesse momento; pois os trabalhadores da cultura foram os primeiros a serem afetados; e provavelmente serão os últimos a se recuperarem. A minha expectativa em relação á lei é que esse dinheiro que será investido no setor cultural deixe um legado para a nossa classe artística; um alicerce sobre o qual o setor cultural poderá se refazer após a crise; talvez mais forte do que antes. Esse é o meu desejo.
DC – Quais sonhos você alimenta para o seu futuro artístico/profissional?
RAFAEL – Eu espero ampliar os cursos e oficinas de produção audiovisual que eu conduzo; tanto dentro do município quanto para outras regiões. Sou apaixonado pelo papel que o audiovisual desempenha na educação, e quero muito ver esse papel crescer e fazer parte disso. Retomar o meu trabalho na produção audiovisual; que está estacionado há dois anos também é um dos meus objetivos.
DC – Se você resolvesse se aventurar atuando, que personagem, ou tipo de personagem, você gostaria de interpretar?
RAFAEL – Eu sou extremamente travado diante de uma câmera, então dificilmente me aventuraria. Mas em uma realidade alternativa muito louca; eu provavelmente interpretaria algum tipo cômico; acho que tenho um pouco de humorista frustrado.
DC - Qual tipo de filme tu gostaria de montar? Nos teus sonhos mais malucos, por onde tua imaginação viaja?
RAFAEL – Eu sou fascinado por filmes de terror; então provavelmente um longa metragem do gênero que tivesse a nossa cidade como palco.
DC – Como você gostaria de ver o cenário cultural guaibense nos próximos anos?
RAFAEL – Mais unido, com certeza. Já demos grandes passos; começando pela fundação do Conselho de Cultura há alguns anos, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. Ainda há muito potencial inexplorado nos mais diferentes segmentos na nossa cidade; e setores que precisam conversar mais. Ainda que muito de nossa cultura local ganhe destaque em certos eventos; eu espero ver em um futuro próximo a participação do setor cultural como algo que esteja mais integrado na rotina da nossa cidade.
DC – Para quem tem vontade de seguir esse caminho, que conselho você pode dar?
RAFAEL – Tenha a consciência que o audiovisual é um trabalho e uma arte coletiva. Então, procure parceiros para se aventurar nesse caminho e não tenha receio de se expor, pois é preciso conhecer pessoas. E claro; lembre-se que é um trabalho como outro qualquer; envolve muito trabalho duro, e poucas vezes fama ou grandes compensações financeiras. Como a maioria dos trabalhos, se pensarmos bem.
DC – Alguma referência para seguir, ler ou assistir?
RAFAEL – Para quem quer conhecer um pouco mais de cinema, recomendo o livro Hitchcock/Truffaut, que é basicamente uma grande conversa entre dois gênios do cinema; Alfred Hitchcock e François Truffaut sobre os filmes do primeiro em uma linguagem super acessível. Sugiro também a minissérie Zé do Caixão, e o filme Saneamento Básico: O Filme, que falam um pouco sobre as dificuldades de se fazer cinema no Brasil.
DC – Indo em direção ao final de nosso bate papo e tendo em vista tudo o que conversamos sobre a tua trajetória, como seria, nessa trama confusa da existência humana, o resumo do personagem Rafael Garcez? Quem é o Rafael nessa história?
RAFAEL – Hoje alguém buscando o seu propósito. Amanhã, quem sabe?
DC – Uma última pergunta: O que é sucesso?
RAFAEL – Sucesso, pra mim, é estar em paz consigo mesmo.
DC – Encerrando a nossa conversa, não poderia deixar de, mais uma vez, agradecer muito a tua disponibilidade para esse bate-papo.
Foi muito bacana conversar sobre a tua trajetória e conhecer/apresentar um pouco mais sobre você.
Esse, como você já deve saber, é um espaço de contato com a nossa comunidade.
Pensado exclusivamente para dar ainda mais visibilidade aos nossos colegas ao mesmo tempo em que pretende aproximá-los de nossa comunidade local.
Gostaria que você deixasse uma mensagem para os colegas trabalhadores da Cultura e também para todos os nossos vizinhos.
Aproveita também que é ano eleitoral e manda um recado aos pré-candidatos que estão se preparando para o pleito. Vários deles estão sempre por aqui e juntos podemos construir uma cidade melhor.
Fique à vontade, meu amigo Rafael. O espaço é todo seu.
RAFAEL – Primeiramente, gostaria de agradecer o convite. Foi ótimo contar um pouco da minha história aqui no Drone Cultural. O que eu posso dizer aos meus colegas, é que nesses tempos incertos em que vivemos; mais do que nunca precisamos nos unir e somar esforços para criar uma comunidade onde a cultura seja cada vez mais valorizada.
Aos nossos pré-candidatos; eu peço para que olhem com carinho e atenção para todos os segmentos artísticos de nossa cidade; pois cada um deles tem o potencial de gerar não apenas capital cultural para o nosso município; mas também capital financeiro. Uma cidade é tão próspera quanto a sua cultura local.
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Caramba! Que entrevista legal, né?
Eu me amarro quando sou surpreendido.
Óbvio que eu já conhecia a competência do Rafael Garcez, mas algumas respostas me deixaram de queixo caído.
Tenho certeza de que esse trabalhador da Cultura tem um futuro ainda mais brilhante pela frente.
Cabe a nossa comunidade local abraçar e impulsionar essas iniciativas que, além de proporcionar obras de arte também fazem a roda econômica girar com vitalidade e beleza.
Dar mais visibilidade para esses colegas batalhadores está sendo uma linda missão.
É um prazer poder dividir com vocês as descobertas sobre o que temos de mais precioso na cidade: as pessoas.
Vamos juntos nesse mergulho em busca dessas magníficas histórias.
Te espero aqui todas as segundas-feiras.
Boa semana para todos nós!
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