Pesquisa, elaborada pelo Sindicato dos Professores do Município de Guaíba (SPMG), aponta que 72% acham que a carga horária de trabalho remoto está maior que em tempos de aulas presenciais. A entidade realizou essa consulta com objetivo de ter uma boa noção dos cenários vivenciados pelos educadores e educadoras da cidade em tempos de pandemia. Houve 287 respostas, sendo quase 40% de todo quadro de professores da rede municipal.
Segundo o SPMG, sobre esse dado, o que leva a refletir é que o custo, pessoal e emocional estão sujeitos os educadores e educadoras da rede para manter a qualidade do trabalho. Que muitos comentários vão no sentido de não existir mais horários para as cobranças, que são feitas a todo momento, exposição de dados e contatos pessoais, obrigatoriedade de atender a diversas reuniões demandas que surgem repentinamente com tempo exíguo para serem realizadas, entre muitos outros.
- Os profissionais da educação de Guaíba não medem esforços para continuar garantindo um ensino remoto de qualidade e mesmo assim estão sujeitos a diversas situações de intimidação, ameaças e cobranças que em nada colaboram para a qualidade desse trabalho - destacou em relatório
O grupo de psicólogas e orientadoras da Secretaria Municipal de Educação também realizou uma pesquisa semelhante. A psicóloga Fernanda Minella explica que a preocupação com a saúde mental dos professores vem bem antes da pandemia, e que já havia sido observado que havia uma sobrecarga e exaustão emocional desses profissionais, e que estas sensações acabavam acarretando em conflitos na relação professor-aluno.
- A educação vai muito além do conteúdo formal - enfatiza.
No decorrer do curso da pandemia, as quase 30 escolas do município receberam protocolos de orientações sobre os trabalhos realizados em casa. A orientadora Renata Figueiredo destaca que a secretaria também está aprendendo a trabalhar nessa forma online, e que está preocupada e atenta à saúde mental de todos seus profissionais.
- Começamos a nos questionar como estava a saúde mental não só dos professores, mas de todos profissionais que trabalham na rede municipal, como monitores, agentes educadores, serventes e merendeiras. Nossa intenção é ajudar, pensar estratégias de apoio, solidariedade e empatia - destaca.
Elas ainda observam que esta questão da carga horária de trabalho semanal é importante e que os professores devem respeitar as orientações da SME para organizarem o trabalho e que usem o bom senso. Fernanda exemplifica que há profissionais que se permitem trabalhar mais, que tem dificuldade em colocar limites e que se cobram mais por características próprias. Depende de como cada um gerencia o seu tempo, as suas tarefas diárias e a sua saúde.
A pesquisa do SPMG ainda diz que 65,5% estão "em parte" acreditando que as aulas remotas estão atingindo o objetivo de manter o vínculo emocional com os alunos e 53% concorda com a utilização da plataforma de ensino EducaWeb.
Para o presidente, Pablo Gomes, a elaboração do estudo partiu da diretoria tentar aprofundar o entendimento do que de fato está acontecendo com os professores da rede municipal e quais os impactos da pandemia no seu contexto de trabalho:
- O SPMG sabe que está situação é uma novidade para todos e que ninguém estava preparado para essa pandemia que assola o país, mas mesmo assim preza pela manutenção da legislação que rege os contratos de trabalho e está procurando acompanhar essas relações.
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