A presença do gerente institucional da Corsan, Rogério Madrid, transformou a sessão da Câmara de Vereadores de Guaíba em uma longa prestação de contas sobre o saneamento na cidade nesta terça-feira (10). Ex‑gerente local da companhia por quase 10 anos, ele apresentou números de investimentos, tratamento de esgoto e redução de perdas de água, mas ouviu críticas dos parlamentares sobre vazamentos, falta d’água e aumento nas contas.
Madrid destacou que, até 2018, o município praticamente não tratava esgoto. “Nós saímos de 0% para cerca de 49% do esgoto tratado em menos de sete anos”, afirmou. Segundo ele, a meta é chegar perto de 60% até 2028 e atingir 90% de esgoto tratado até 2033, conforme exigido em lei. Ele também mencionou investimentos previstos de dezenas de milhões de reais em novas redes e estações, além de ações para reduzir perdas de água no sistema.
Os vereadores, porém, concentraram suas falas em problemas do dia a dia da população. João Caldas criticou o valor da tarifa de esgoto, próxima a 70% do consumo de água, e relatou baixa pressão em bairros como Ipê. Rogério respondeu que o índice da tarifa é definido pela agência reguladora, não pela empresa: “Tudo que entra de água na residência, 70% se transforma em esgoto. Esse percentual é padrão e quem define é a agência reguladora, não a Corsan”.
Manoel Eletricista levou ao plenário a situação do Hospital Nelson Cornetet, que vem enfrentando dificuldades de abastecimento e chegou a depender de caminhões‑pipa. Madrid reconheceu o problema, mas apontou falhas internas na rede da instituição. “A pressão que entregamos lá está acima do mínimo técnico. O desafio agora é ajustar a parte interna do hospital, e nossa equipe já está trabalhando junto com a direção”, garantiu.
Também foram relatados vazamentos recorrentes em diversos pontos da cidade, buracos que demoram a ser fechados após os consertos, tampas de bueiro rebaixadas em ruas recém‑asfaltadas e contas de água que teriam mais que dobrado de um mês para outro. Rogério admitiu falhas recentes: “Nós tivemos problemas de equipe nos últimos meses, é uma meia culpa nossa. Por isso vamos fazer um mutirão agora em março para colocar em dia os vazamentos e as ligações, e voltar ao prazo de até sete dias para novas ligações”.
Sobre o aumento repentino nas contas, ele explicou que a mudança na roteirização da leitura em janeiro provocou ciclos de cobrança com mais de 30 dias. “Não foi aumento de tarifa, foi leitura com prazo maior, de até 45 dias em alguns casos. Estamos oferecendo revisão, cobrança pela média ou parcelamento sem juros para quem foi prejudicado”, disse.
Ao final, Rogério propôs reuniões periódicas com os vereadores para evitar acúmulo de demandas. “A ideia é estar aqui a cada 15 dias, ouvir o que não está andando e ajustar a rota mais rápido”, concluiu. A presidência da Câmara aceitou a proposta e afirmou que o Legislativo seguirá cobrando melhorias no serviço para acompanhar o crescimento de Guaíba.
Comentários: