Amigos, familiares, vizinhos e o movimento Levante Popular realizaram uma caminhada neste domingo (11) pedindo justiça pela morte do jovem Gabriel Marque Cavalheiro, de 18 anos, encontrado morto dentro de um açude em São Gabriel. Ele teria sido deixado por três policiais militares na localidade de Lava Pés, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, há um mês, em 13 de agosto.
A caminhada partiu por volta das 16 horas da frente da prefeitura municipal, na avenida Nestor de Moura Jardim, e percorreu as 20 de Setembro e São José até a sede do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO), em frente a praça Gastão Leão, sendo recepcionados pelos comandantes da Brigada Militar. Em frente a entrada do Parque Ruy Coelho Gonçalves (Coelho), local dos festejos farroupilhas, fizeram um minuto de silêncio em memória ao adolescente.
"Justiça por Gabriel", "a juventude quer viver" e "justiça e paz por Gabriel e sua família" estavam escritos em cartazes durante todo o trajeto com balões brancos em sinal de paz. Eles gritavam o grito de guerra "Por Gabriel, quero justiça para viver sem ter medo da polícia". O mesmo movimento aconteceu em São Gabriel, onde o adolescente estava para cumprir serviço militar obrigatório.
"Esse ato seria mais por justiça, infelizmente sabemos que houve de fato trágico o jeito que Gabriel morreu. Mataram mesmo, não foi afogado e nem nada, então por isto queremos justiça. Vamos lutar até o fim por justiça para nos unir juntamente com a família, pois a situação está bem triste mesmo", disse o mobilizador e então vizinho da vítima, Lucas dos Santos.


A Justiça aceitou denúncia na última terça-feira (6) contra o segundo-sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Cléber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso, por homicídio triplamente qualificado, motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Eles também respondem pelos crimes militares de ocultação de cadáver e falsidade ideológica. O trio está detido preventivamente no Presídio Militar de Porto Alegre.
No entendimento da acusação, Gabriel foi espancado durante a abordagem porque teria se dirigido a um dos PMs chamando-o de “fraco” e porque o jovem estava embriagado.
Comentários: