Repórter Guaibense

Quarta-feira, 27 de Maio de 2026

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Intolerância religiosa é tema da Conferência de Povos de Matriz Africana em Guaíba

Guaíba é umas das cidades brasileiras mais adeptas às religiões de matriz africana

Intolerância religiosa é tema da Conferência de Povos de Matriz Africana em Guaíba
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Guaíba sediou a 1ª Conferência Municipal das dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, na noite da última sexta-feira (4), no auditório da faculdade Ulbra. O tema foi “A luta por um modo de vida: enfrentamento ao racismo, discriminação e a laicidade do estado".

Guaíba é umas das cidades brasileiras mais adeptas às religiões de matriz africana, como a umbanda, a quimbanda e o candomblé.

O evento discutiu a valorização do patrimônio histórico e cultural religioso existente na nossa cidade, como a Pedra de Xangô e a Gruta de Oxum; a inconstitucionalidade da leitura bíblica na sessão da Câmara de Vereadores, devido a laicidade do estado; a tentativa antiga de construção de um "despachódromo", forma desrespeitosa às práticas religiosas; e o fortalecimento do conselho para construção de políticas públicas para as religiões de matriz africana.

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O sociólogo e membro da Conselho Municipal de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Luis Osmar Mendes, criticou a ausência de representantes do poder público no evento e na construção de políticas públicas.

"A nossa luta efetiva não é contra nós mesmos, não, a nossa luta é contra um sistema racista e opressor. Essa é a nossa luta. Enquanto a gente não reconhecer que o opressor, o racista e o fascista está do outro lado, a gente não vai fazer que eles reconheçam efetivamente a nossa religião de matriz africana independente da nação que for. Precisamos exigir mais políticas públicas, não podemos mais aceitar todo esse racismo em nosso município", disse.

A mãe Marli D'Sàngó defendeu que Guaíba tem um problema identidade, sendo fundamentalmente construída em processos negros mas não se entende como negro:

"As pessoas tem problemas de se identifica-las como negras, elas não se posicionam como negras. E não estou de colorismo, estou falando de identidade e autoidentidade de pertencimento. Isso é um problema sério".

A presidente mãe Chris de Oxalá destacou a luta pela instalação do Conselho Municipal de Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, em 2022, mas que, sim, há vários problemas de apoio do poder público para a construção de políticas públicas.

"Queremos que respeitam as nossas religiões, sabiam que é proibido tambor dentro da Câmara de Vereadores? Mas pode ler a Bíblia, sim. Eu venho lutando por políticas públicas para pessoas negras há muito tempo, e temos que construir mais políticas públicas de igualdade em nossa cidade", afirmou.

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