Repórter Guaibense

Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

Notícias/Política

Entrevista: candidata a deputada estadual mais votada de Guaíba, Deisi Maranata, avalia resultado

Ela conquistou quase 15 mil votos em todo o RS

Entrevista: candidata a deputada estadual mais votada de Guaíba, Deisi Maranata, avalia resultado
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Candidata a deputada estadual mais votada em Guaíba, Deisi Maranata concedeu entrevista sobre a avaliação do resultados das urnas do primeiro turno das eleições. É advogada, empresária, primeira-dama de Guaíba, esposa do prefeito Marcelo Maranata. Ela conquistou 9.253 votos na cidade e 14.575 em todo o Rio Grande do Sul, sendo a sétima suplente do PDT na primeira eleição que concorre a uma cadeira na Assembleia Legislativa.

 

Pedro Molnar: como surgiu a ideia de colocar o seu nome nas eleições 2022?

Leia Também:

Deisi - Na verdade, quando fizemos a confreternização de final de ano do ano passado do PDT, lá no CTG Gomes Jardim, convidamos nosso presidente estadual, Ciro Simoni, e o deputado federal Pompeo de Mattos. Convidamos ainda a prefeita de Arambaré e demais lideranças do partido para o encerramento do ano do PDT regional. 

Nos conhecemos, a maioria eu não conhecia e o Marcelo [Maranata] nos apresentou, e numa parte falei sobre o trabalho do movimento da mulher trabalhista que tinhamos reativado. E ai o Pompeo começou dizendo que achava que estava desabrochando uma rosa do PDT, começaram a me cantar e o presidente disse para mim pensar em concorrer a deputada estadual, que havia tudo para dar certo. Eu? Minha primeira reação foi de surpresa, pois sempre quem concorreu foi o Marcelo. Fico sempre nos bastidores, por trás. Começamos a pensar sobre aquilo, pensar, pensar, e lá por fevereiro que sentamos com o grupo do PDT que firmamos em haver um candidatura na nossa cidade.

 

Pedro Molnar: Foi tua estreia, você nunca tinha se candidato. Como você avalia a eleição?

Deisi - Nunca tinha concorrido a nada, sempre foi o Marcelo. Foi uma experiência para mim muito gratificante. Claro que encontramos pessoas nos bairros que não gostam da gente, mas a grande maioria me tratava muito bem, fui muito bem acolhida. "Tu que a primeira-dama, que legal te conhecer, já ouvi falar do teu trabalho, da Casa Solidária, do gabinete". Então a gente é sempre bem recebido, para mim foi muito gratificante porque tu entra em contato com muitas pessoas e recebe muito carinho. Abraços, carinho, palavras de incentivo.

Um coisa diferente desta campanha foi a questão das mulheres, né. Em cinco campanhas sempre houve uma certa resistência. Como sempre ficava com o grupo das mulheres, fazendo as caminhadas pela tarde, participando das atividades com elas e incentivando as vereadoras, nem sempre eu senti uma abertura das mulheres pra votarem em mulheres. Sentia uma resistência, e desta vez foi diferente.

As mulheres tem que ocupar os espaços. Um parâmetro que mudou foi essa questão das mulheres quererem ter uma representante. Vi nos relatórios das redes sociais que a grande maiorias dos meus seguidores são mulheres. É um movimento de mulheres apoiando mulheres que é muito legal e que foi diferente nesta eleição.

Claro, tivemos pessoas que não queria nos atender, que já tinham outros candidatos. Mas a grande maioria muito acolhedora, pessoas muito carinhosas e receptivas. 

 

Pedro Molnar - Você esperava 14 mil votos? Você esperava menos ou mais?

Deisi - Quando a gente entra a gente pensa que queremos ganhar, obvio né. Mas sabemos da realidade, que é difícil, eram 600 candidatos a deputado estadual. É muita gente. E querendo ou não, eles entram na nossa cidade como entramos em outras cidades. Sabia que era difícil.

Quando eu cheguei aos 10 mil votos estava radiante. Estava ali. Cinco, seis, sete, oito mil. Eu estava dando uma entrevista para a Rádio Acústica, em Camaquã, e tinha visto que estava sete, e conversando, conversando, quando termina estava 10 mil votos. Que legal. Eu já fiquei muito feliz quando chegamos na marca dos 10 mil, porque sei por toda experiência do Marcelo que é difícil conquistar um voto. 

É muito difícil, porque você tem que se apresentar e apresentar seu projeto de mandato, e temos toda essa crise política que temos que provar que tu não é ladrão, que é pessoa do bem, correta, que não está querendo tirar vantagem de nada em alguns minutinhos que você tem com a pessoa para convencer ela. Para mim, primeira vez, numa candidatura que planejamos em fevereiro deste ano, com pouco tempo, avaliei como muito bom o resultado. Quase 15 mil votos é muito voto.

 

Pedro Molnar - Tu recebeu apoio do partido?

Deisi - Sim, os deputados federais tiveram comigo, me levaram para outras cidades e outras reuniões. Não posso reclamar nada dos três deputados. Pompeo, que sempre é muito presente aqui na cidade há muito tempo, nosso amigo de muitos anos e sempre abrindo cidades para mim; o Afonso Mota, que conheci nessa eleição, mas também foi muito parceiro e abriu parcerias, me apresentou em Butiá, Charqueadas e naquela região também apresentou apoiadores; e a Juliana Brizola, que me abriu também bastante espaço, e ela tinha o desejo de não perdêssemos a cadeira feminina na Assembleia Legislativa

 

Pedro Molnar - O que faltou nessa eleição?

Deisi - Gostaria de ter dito um pouco mais de tempo, o tempo passa muito rápido, é 45 dias. A gente acha que é pouco tempo, mas é bem cansativo porque é intenso. Para quem não é conhecido é pouco tempo. Tu tem que correr muito para ser, assim, conhecida, por isso a primeira ação que fizemos na campanha foi um panfleto pequeno dizendo quem era eu era e as principais bandeiras. Uma coisa bem resumidinha que colocamos em toda a cidade para saber que a Deisi era candidata. 

Mas quando caminhávamos depois, nas próximas semanas, o pessoal ainda perguntava o que eu era do Maranata. Sou esposa dele, primeira-dama. Então nunca tinha concorrido a nada, não era conhecida, então foi uma coisa que pode ter diminuído o resultado. Não sei. Estou na função pública como primeira-dama há um ano e meio, tudo muito recente.

 

Pedro Molnar - Mas tu foi a mais votada da cidade, como foi isso pra ti?

Deisi - Foi uma alegria, com certeza. Fiquei muito feliz, muito honrada, grata. A gente tem uma gratidão muito grande com a cidade, pois quando viemos para cá jovenzinhos, eu com 19 anos e Marcelo com 23, a gente não tinha aqui nenhum amigo e nenhum familiar. A gente só tinha a família do Miguel [vereador], foi a vózinha do Miguel que nos atendeu na casa dela.

Todos amigos que fizemos a gente fez no balcão da loja Maranata. Trabalhando, conhecendo as pessoas e sempre nos acolhendo muito bem. A gente tem essa gratidão, imagina agora, concorrer e ser a mais votada da cidade. Só gratidão, alegria, por toda essa confiança e confiar no meu trabalho. É isso que eu tinha, só tinha meu trabalho.

 

Pedro Molnar - Vai  apoiar alguém no segundo turno?

Deisi - Nós vamos fazer uma reunião da executiva municipal, já temos a orientação da nacional de apoio ao Lula. Mas a executiva municipal pretende se reunir para haver um posicionamento. Claro que não podemos ser contra a decisão da nacional, a gente respeita, mas o presidente pediu para conversar conosco sobre isso.

 

Pedro Molnar - E para governador?

Deisi - Vamos conversar sobre as duas situações, sobre os dois apoios. Se a gente vai se manter neutro. Claro que para nós, com a Claudinha [Jardim] como vice-governadora, é difícil porque ela é nossa vice-prefeita. Nosso coração tende a querer e acreditamos no trabalho dela, a gente convive com ela todos os dias e sabemos como ela é competente, guerreira e batalhadora. Seria um orgulho para nossa cidade. Para nós é uma situação atípica.

 

Pedro Molnar - E agora, o que pretende fazer?

Deisi - Já voltei para minha vida, processos, para minha loja. Voltei pro gabinete da primeira-dama. 

 

Pedro Molnar - Pretende futuramente voltar a concorrer? Pretende seguir na carreira política?

Deisi - Acredito que pelo resultado que obtivemos pela primeira vez, quase 15 mil votos, 15 mil pessoas que confiaram no meu trabalho, confiam no trabalho do prefeito Maranata e acreditam nesse projeto, eu penso que vamos sim continuar. Esse resultado me mostra que as pessoas querem ter uma deputada daqui, que não estávamos falando bobagem quando a gente dizia que deveríamos nos unir. Quando vem esse resultado, de quase 15 mil votos, a gente acha que é importante mesmo seguir nesse projeto. Agora temos quatro anos pela frente para ir nos preparando, fazendo novas parcerias com municípios daqui da região. 

 

Pedro Molnar - E para daqui dois anos? Não tem nada definido?

Deisi - Não, não. Penso que podemos nos organizar e fazer um trabalho bem feito, buscando apoios em demais cidades, para daqui quatro anos.

Comentários:

Veja também