Interditado há sete anos no Centro de Guaíba, o prédio de origem da Escola Municipal Vovó Flor encontra-se em estado de abandono e recentemente foi alvo de roubo e depredação. Em dezembro de 2021, a Prefeitura recebeu a doação do terreno, do imóvel e de todos os utensílios com a finalidade de resgatar a história de uma das primeiras escolas de educação infantil da cidade.
"A certeza que temos é que nossa escola está sendo alvo de vandalismo. Quando precisamos entrar, percebemos que estão furtando fios e danificando o espaço existente. O mato está muito alto, tomando conta do local, o que torna a situação bastante complicada. São coisas visíveis da rua, qualquer pessoa que passa enxerga. Mas, em profundidade, seria importante dar mais atenção a esse prédio histórico no centro da nossa cidade", relatou a diretora Jaqueline de Oliveira.
Para ela, a Escola Vovó Flor mantém a esperança de uma resposta da Prefeitura, para que o espaço volte a ser utilizado como uma escola com capacidade para atender cerca de 400 alunos. O termo de doação estabelece que o poder público mantenha o prédio exclusivamente para fins educacionais, podendo ampliar os serviços oferecidos além da educação infantil, mas sempre preservando o nome Vovó Flor, em homenagem à história desse importante espaço pelo qual muitos guaibenses já passaram.
A direção, o Conselho Escolar e a presidente da Associação de Proteção à Infância (API), Carliana Uranga, reuniram-se na última quinta-feira (4) com representantes da prefeitura para exigir esclarecimentos sobre os motivos da demora no início das obras. Caso o poder público não dê andamento ao projeto, a área pode voltar a pertencer à família doadora, do ex-prefeito João Salvador Jardim. "O nosso desejo é que a escola saia do aluguel e vá para onde é de direito", reforçou Carliana.
O secretário municipal de Governo, Ernani Chacrinha, reafirmou que o prefeito ainda tem interesse em realizar obras no local para fins educacionais. Segundo ele, o processo tinha sido paralisado devido às enchentes ocorridas no ano passado e suas consequências.
A procuradora Karina Asmann informou que já existe um relatório de engenharia sobre o prédio, que detalha todas as intervenções necessárias. Agora, o município deve reaabrir um processo de orçamento para avaliar os custos da reforma e, em seguida, contratar a execução. "Não tem como colocar esse prédio para funcionar sem a reforma. Sem a reforma, não há como compatibilizar essa doação. Agora o município precisa assumir essa responsabilidade", afirmou.
O valor orçado em anos anteriores para a obra era de cerca de R$ 1,2 milhão, porém o custo tende a ser maior atualmente, segundo a secretária municipal de Educação, Magda Ramos. Ela destacou à reportagem a preocupação com o vandalismo, lembrando que todos os bens materiais da instituição já haviam sido retirados antecipadamente. O portão, atualmente aberto, já havia sido soldado pela Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos.
A API
A história da Associação é antiga. Foi fundada em 1938, com a doação do terreno pela família do ex-prefeito João Jardim e, em 1969, começou com o atendimento á crianças oferecendo ensino básico. Entidade sem fins lucrativos, todo o dinheiro que entrava era de doação, de pais, voluntários e entidades filantrópicas. Chegou um momento, que em um prédio velho, não tinham mais verbas para sua manutenção e o poder público não podia doar por regras judiciais.
Depois de quase 20 anos, a API recebeu o usucapião (direito que adquire em relação à posse de um bem móvel), sendo considerada proprietária do terreno, e posteriormente doou para prefeitura restaurar mantendo o nome Vovó Flor como homenagem à história deste importante espaço pelo qual muitos guaibenses já passaram.
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