A escola profissional Solon Tavares sediou nesta quarta-feira (13) a Mostra Científica das escolas estaduais do Rio Grande do Sul. O evento reuniu estudantes de diversas instituições dos 19 municípios da 12ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), incluindo Guaíba, Eldorado do Sul e Barra do Ribeiro.
O tema central desta edição foi a “escola resiliente”. “É um assunto que precisamos debater cada vez mais, porque exige planos de contingência. Hoje temos 19 cidades do nosso estado reunidas aqui promovendo ciência”, destacou o chefe da 12ª CRE, Felipe Nunes.
Os trabalhos apresentados abordaram temas como moda sustentável, a importância das abelhas, irrigação automatizada para cultivos, uso consciente de materiais artísticos, música e sustentabilidade, energia solar e nomofobia (transtorno psicológico que se define como o medo ou ansiedade excessiva de ficar sem o celular).
Alunos da escola Gomes Jardim expuseram pesquisas sobre tratamento da água e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A professora Ana Cláudia Simão Goulart explicou que pretende implantar, na escola, um sistema de tratamento de água a partir do aproveitamento da chuva. “A proposta é realizar o processo de forma sustentável, com o mínimo de produtos químicos e utilizando plantas no tratamento, para que a água seja reaproveitada em banheiros e atividades de limpeza”, afirmou.
Segundo ela, também está previsto o tratamento de resíduos orgânicos gerados na instituição, especialmente os da merenda escolar, como cascas de alimentos. A iniciativa busca dar continuidade ao manejo de resíduos sólidos e líquidos, incentivando a conscientização ambiental entre os estudantes.
Já os alunos da escola Ruy Coelho Gonçalves apresentaram o projeto Banco Ruy, que tem como objetivo desenvolver habilidades na área administrativa e financeira, além de valorizar os povos originários. O trabalho destacou a audição — com sons característicos das aldeias —, o olfato, com o cheiro de ervas como a citronela, e a visão, para que todos percebam a importância de preservar essas comunidades.
“Em 1500, os portugueses chegaram para colonizar nosso país e, com isso, torturaram e mataram os índios, como são conhecidos. Isso acontece até hoje, embora as mortes tenham diminuído. Porém, a tortura e as agressões físicas e verbais ainda são grandes. Eles vivem no meio da mata, mas são expulsos do seu habitat. Estamos mostrando isso para que as pessoas entendam que o que fazem é errado, pois os indígenas são pessoas como qualquer outra — o sangue deles também é vermelho”, afirmou a aluna Lauren Souza Becker.

As estudantes da escola Nestor de Moura Jardim desenvolveram um blog no Instagram para auxiliar jovens a ingressar no mercado de trabalho. A iniciativa oferece dicas sobre como montar um currículo mesmo sem experiência, como se preparar para entrevistas e onde encontrar vagas de estágio e de jovem aprendiz na cidade. Segundo a aluna Bianca Valério, uma pesquisa realizada na escola mostrou que, após a enchente de 2024, cresceu a procura de jovens por vagas de emprego.
“Isso pode ter ocorrido também por causa da ansiedade climática, desencadeada por eventos extremos e que afeta principalmente os jovens preocupados com o futuro. Nosso projeto ainda é pequeno, mas queremos expandir. O objetivo é apoiar jovens na busca por empregabilidade, que enfrentam desafios no início da carreira sem experiência ou cursos”, pontuou.
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