A Penitenciária Feminina de Guaíba recebeu, na terça-feira e quarta-feira (15 e 16), a 1° Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Sistema Prisional. A unidade é uma das 54 do Brasil a receber o evento com o tema central “Viver com dignidade é direito humano”. A ação é coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), em articulação com administrações penitenciárias estaduais e distrital.
A ação inédita buscou proporcionar um momento de protagonismo aos apenados, fomentando o diálogo sobre cidadania e direitos humanos por meio de rodas de conversa e dinâmicas educativas sobre os filmes, alguns inspirados na realidade das próprias internas.
Segundo a chefe da Divisão de Educação Prisional do Departamento de Tratamento Penal, Carolina Di Giorgio Beck, mais do que uma exibição de filmes, a Mostra representa uma ação concreta de inclusão cultural, alinhada a políticas públicas nacionais e diretrizes internacionais que reconhecem a cultura como um direito fundamental. “A iniciativa também integra o Plano Pena Justa, especialmente no Eixo 2, que prevê a ampliação e qualificação do acesso a práticas culturais e educacionais no sistema prisional. Ao promover o cinema como ferramenta de transformação, a Mostra reafirma que a dignidade e os direitos culturais devem alcançar todos os cidadãos — inclusive aqueles que vivem atrás das grades", disse.
Desde quando foi criada, em 2006, uma das intenções da mostra é ampliar o debate sobre temas sociais por meio da linguagem cinematográfica. Um dos objetivos do evento é criar espaços de escuta e diálogo para que as pessoas privadas de liberdade se sintam reconhecidas. “Acredito que a ressocialização ocorre de forma múltipla: pelo estudo, pelo trabalho, pela religião e também pela arte. A cultura tem um poder transformador, de reflexão, de diálogo, mas, acima de tudo, de inclusão”, observa a diretora da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, Fernanda Kersting.
Após as sessões, os apenados precisam fazer um relatório, tendo como foco a obra assistida e suas próprias vivências, para que a remição de pena seja contabilizada. “O acesso à cultura é um direito que todo preso tem. É um direito de cumprir uma pena mais humanizada. Em última análise, de sair melhor do que entrou, mais preparado para voltar ao convívio social. Essa mostra é bastante importante para que se garanta esse acesso e, também, a um outro direito na execução da pena, que é a remição, uma prática educativa social, não escolar”, destaca o juiz-corregedor, coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), Bruno de Lamare.
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