Nunca estar à frente de uma entidade tradicionalista foi tão difícil, nem sequer pensaríamos que enfrentaríamos um momento tão difícil na história da humanidade.
A pandemia afastou o convívio e obrigou as pessoas a fazerem escolhas, principalmente no campo financeiro.
As entidades tradicionalistas, por sua vez, ficaram em segundo plano nessas escolhas, passando algum sufoco para manterem-se de pé, pois a pandemia congelou todas as atividades, mas não congelou as contas de água, energia elétrica e muito menos de necessidade de manutenção das instalações.
As coisas apertaram, mas em meio as adversidades surgem as lideranças que tomam pé de tudo e demonstram que sempre há uma saída, ainda que dificultosa, sempre há o que se fazer pela honra de nossa tradição.
O patrão (que seria o mesmo que o diretor de uma empresa) lida com uma equipe e conta com ela para sanar as dívidas de um CTG (Centro de Tradições Gaúchas) para mantê-lo saudável e atuante. Há um em particular que tem sempre em sua fala algo surpreendente, ele diz: “Não importa o que nos façam ou o que nos acometa, vamos sempre semear a bondade, pois as sementes trarão bondade de volta pra nós!”
Essas palavras soam como hino em ouvidos que priorizam o trabalho voluntário para dedicarem-se a cultura e a manutenção das tradições, mesmo que ainda hoje existem pessoas que se achem maiores que as entidades, isso não se sustenta.
A figura de um padrão, traz consigo o papel de liderança e neste o direcionamento a ser seguido junto aos seus e para a comunidade a qual desempenha também sua dedicação. Há de se comentar que por vezes, abre mão de seus compromissos pessoais para dar conta da sua lida na entidade.
Em tempos de pandemia, precisou se manter forte para seus entes e aqueles que lidera! Olhando para a gestão financeira de seu galpão, mas ainda também para saúde física e emocional dos seus integrantes. Neste caminho, uma palavra de acolhimento, aquela mensagem inesperada, um olhar acolhedor, traz alento e coragem para seguirmos em frente.
Geralmente ele chora reservadamente, para não abater seus liderados, absorve demandas exageradas e mantém a motivação daqueles que estão ao seu lado, para entregar aos sócios e a sociedade o melhor da sua entidade.
Sim, liderar não costuma ser muito fácil, pois tem momentos que a pausa para reflexão é solitária, a fim de trazer justiça, tomada de perspectiva e compreensão das suas decisões.
Baseado sempre no cuidado com os seus e seu galpão, não podemos deixar de dizer, que estar a frente de uma entidade requer enfrentar situações adversas, onde exige posicionamento, propósitos claros, atitudes coerentes e respeitosa.
Me parece a cada frase escrita neste texto, que ser patrão, é um ofício importante, Dom Barulho, tem um bom exemplo para este contexto.
Certa feita o velho e bom Dom Barulho estava falquejando a cabeça de um palanque, usando uma enxó e um machado, quando seu neto interrompeu o trabalho para perguntar se era fácil ser capataz de estância. Ele secou o suor da testa, pediu pro neto trazer um pouco de água na botija e depois de refrescar a carcaça dolorida, respondeu ao neto:
“Ser capataz de estância meu neto, é como ser patrão de um CTG, os sócios são os donos da estância, teus diretores são os peões e o público em geral são arrozais, soja, milho, trigo, enfim, são a lavoura que deve ser cuidada, regada com carinho, adubado com afeto e o sol da fraternidade deve brilhar para que eles além de frutificarem, se sintam bem e fortificados naquele ambiente e assim seguirão dando o melhor de cada sumo.
O Capataz da Estância ou o Patrão do CTG não são donos de nada, mas devem cuidar aquilo que se comprometeram, como se fossem donos, nas suas mãos estão o destino de tudo o que foi entregue a eles. Há que se cercar de bons peões, usar o melhor insumo e sempre ter fé e boa vontade para que as colheitas sejam fartas. Entendeu meu neto? ”
E claro que com uma elucidação dessas, ficamos todos satisfeitos e entendidos que as atribuições são tantas e imensas, mas que se dividirmos a carga com bons “peões” a labuta fica mais amena e o resultado acaba sendo satisfatório.
"APARTE"
Gostaria de abrir espaço e agradecer a todos os patrões de entidade tradicionalista (CTG, DTG, etc.) que mantém acesa a chama em seu galpão, mas em especial um aparte ao nosso patrão Adriano Silveira e sua esposa Janaina Olinski, do CTG Gomes Jardim, que são patrões de fina estampa, pessoas que por mais que as adversidades surjam, por mais que os embates sejam cruéis e sufocantes, não abrem mão de semearem a bondade, o afeto, o respeito e a fraternidade a frente da mais antiga e maior entidade desse município.
Adriano e Janaína, ou simplesmente Nenê e Jana, vocês são referência de que os corações livres de maldade e egoísmo podem transformar a sociedade, obrigado por estarem a frente do nosso CTG e serem baluarte do tradicionalismo guaibense, que os nossos filhos e netos se espelhem em vocês para seguir empunhando a bandeira do verdadeiro tradicionalismo fraterno. Esses colunistas reverenciam suas condutas, na certeza que a entidade cresce em boas mãos, mãos honestas e verdadeiras.
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