Fiquei pensando no que escrever na coluna esta semana e, me senti convocado a escrever sobre esse mês da visibilidade lésbica. Aviso de antemão que meu lugar de fala é de homem cis, ou seja, meu sexo ao nascer condiz com meu gênero. Sou homem com orientação homossexual. Enfim não sinto no meu corpo a violência provocada pelo preconceito em ser mulher, trans, preto ou gordo, mas sinto por não corresponder a um modelo de homem e por ser homossexual. Então vou ousar falar de algo que não tenho experiência, não sinto, mas que é importante ser abordado aqui.
O mês da visibilidade lésbica surge como movimento de luta pela existência, dignidade e por uma vida livre de violência das mulheres lésbicas. A violência aqui está nas palavras (“falta homem”, “doente”, “trauma com um homem”), na política pública onde estas foram pensadas inicialmente por homens e, podemos citar como exemplo, a política de prevenção as infecções sexualmente transmissíveis que é toda falocêntrica, ou seja, toda voltada para o homem. Essas “explicações” sociais para com as identidades lésbicas são fundamentalmente machistas! Tem sempre como referência o homem. Sinto avisar... Mas não somos o centro do universo e nem filhinhos das mamães.
Além disso, essas “justificativas” de ótica masculina é alicerçada, também, numa ideia de desejo sexual centrado no genital masculino e na penetração. Importante avisar aqui... Desejo sexual, sexo e prazer não se dão apenas em penetração, mas sim, num conjunto de signos e significados, toques, química, teatro.
Reconhecer a existência das lésbicas é rever todo o sistema heteronormativo, é desconstruir o sistema de sexo binário (homem e mulher) e ir além do sexo, pois podemos pensar os modos de vivenciar o prazer, a sexualidade e as relações afetivo-sexuais não como baseadas na natureza ou na biologia, na masculinidade genitalizada, ou mesmo como determinismos culturais, mas produzidas, construídas, e, exatamente por isso, múltiplas e passíveis de mudança. Reconhecer isso liberta a todas e todos nós, convida a saímos de nossas caixas para sermos livres e iguais em dignidade e direitos.
Partir da ideia que existe apenas um modo de ser homem ou mulher é produzir desigualdades, hierarquizar relações e vidas. É considerar algumas formas de vivenciar as sexualidades como certo e errado e, por isso, é a própria construção que deve ser posta em questão, e não a forma como as pessoas vivem.
Aprender com as mulheres lésbicas e suas existências são afirmar vida! Eu acredito em sonhos e, gostaria de uma sociedade onde as mulheres lésbicas pudessem ser livres sem sofrer com olhares julgadores e discriminatórios, com censura, com violências. Vocês acreditam em sonhos?
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