Antes do verso era o verbo,
a ação, sempre um convite.
Falávamos, brincávamos,
colhíamos os frutos e
comíamos com as mãos.
Antes do verso era a sílaba,
o som, o sussurro.
Tocava tocando na carne,
beijava os ouvidos
fazendo dançar a pele do corpo.
Antes do verso era o sopro,
como o vento
que venta a árvore
e inventa um pássaro
que nunca pousa.
Mas, cedo ou tarde,
sentimos que a leveza
torna-se insustentável.
Antevemos o peso da queda
e o pouso, a garantia do chão.
Assentamos as palavras,
cuidadosamente,
como quem ajeita seu próprio ninho.
Com amor e silêncio
parimos o primeiro poema.
Estreamos:
talvez pássaros,
talvez poetas.
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