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Os festejos juninos e o gaúcho

Entendemos que a festa junina deve ser feita com os nossos trajes típicos, ou seja, a pilcha gaúcha,

Os festejos juninos e o gaúcho
Maris Strege
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Como já dissemos anteriormente, folclore é o conhecimento popular, no folclore percebemos a identidade social de um povo através de atividades culturais, transmitido de geração a geração. O folclore envolve música, dança, festas populares, artesanato, brinquedos e brincadeiras, crendices, lendas, religiosidades, usos e costumes, entre outros. Entre esses festejos que acontecem de forma temporal, estabelecendo uma frequência fixa, temos as festas juninas.

De origem religiosa, como a maioria dos folguedos, as festas juninas, que vêm de uma cultura milenar e através da oralidade e da literatura foram passadas às gerações, sofreram alterações com o passar dos anos e incorporaram mudanças culturais. Segundo os historiadores, os folguedos fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro. E, por isso, continuam nas mais diversas manifestações, com as comidas típicas, brincadeiras, músicas e as fogueiras.

No Rio Grande do Sul as festas de junho estão ligadas ao solstício de inverno e são quatro, os santos do mês: Santo Antônio (13), São João (24), São Pedro e São Paulo (29). São festas importantes no calendário gaúcho e sua alegria não tira a seriedade das comemorações.

Paixão Côrtes tem um livro inteiro focado nas comemorações dos santos do mês de junho, explicando as diferenças, tipos de fogueira, comidas típicas, louvações.

Conforme consta no livro “Folk Festa e Tradições Gaúchas”, publicada pelo Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), “não devemos ser contra a festa caipira, dentro dos princípios tradicionais e corretos. Devemos ser, sim, contrários à mistura de costumes de caipiras e gaúchos em festas juninas. E mais: contra a pretensa substituição pura e simples da festa caipira por festas gauchescas. Se nós gaúchos, temos uma tradição e cultuamos, também os caipiras possuem a sua, e a mesma deve ser respeitada, pela sobrevivência do folclore nacional, em suas puras manifestações.”

A influência brasileira, na tradição da festa, se deu especialmente na alimentação, quando foram introduzidos o aipim (mandioca) e o milho. A quadrilha fora acrescentada pelos franceses, que trouxeram os passos e marcações inspirados na dança da nobreza europeia. Assim como os fogos de artifício foram trazidos pelos chineses. A dança de fitas, muito cultuada no sul do Brasil, teria sua origem em Portugal e Espanha.

Para os católicos, a fogueira, que é maior símbolo dos festejos, tem suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, conta-se que Isabel acendeu uma fogueira.

Para cada santo junino existe um tipo de fogueira. Para homenagear São João acende-se a fogueira em forma de um cone, já na fogueira de Santo Antônio as madeiras são empilhadas formando um quadrado. E para encerrar o mês junino se acende a fogueira para São Pedro em forma de um triângulo. O horário para o acendimento do símbolo dos festejos deve acontecer, pontualmente, às 18h, que é o horário da Ave Maria. Ainda se encontram registros de que as fogueiras eram também usadas para comemorar as colheitas na Europa antiga.

Diante de todo este contexto histórico e cultural gostaríamos de trazer uma reflexão: Como nós (gaúchos/gaúchas), estamos realizando as festas juninas nas escolas, clubes, praças, núcleos familiares?

Entendemos que a festa junina deve ser feita com os nossos trajes típicos, ou seja, a pilcha gaúcha, sem remendos nas bombachas, sem pinturas no rosto, sem chapéu de palha, sem camisas enxadrezadas, etc. Temos também a nossa culinária típica: arroz de carreteiro, paçoca de charque e de pinhão, arroz doce, pratos com carne de ovelha, galinha encilhada, sapecada de pinhão e por que não, o churrasco. Pipoca, batata-doce, rapadura de amendoim, pé de moleque, pão de ló e pão de milho, são pratos indispensáveis.

Ao invés de fazer algo típico de outra cultural, como o baile e casamento caipira, por que não dançar o pezinho, o balaio, o maçanico ou então, as danças gaúchas de salão, sem fantasias? Há muitas brincadeiras que podem ser resgatadas, como o pau de sebo, a dança da batata, a corrida do saco, as corridas do casal, do bastão e da colher. Pode-se declamar, cantar, contar causos. As bebidas típicas são o quentão, o vinho, o pula-macaco, a concertada, o ponche e a jurupinga.

Vamos fazer uma festa junina típica gaúcha?

 

                                “Que o maior presente entre as pessoas,                                                                                                                                            sejam a bondade e o amor fraterno!”

                                                  Mário Terres e Tainara Moraga

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