Seguindo a sina de estradear e trazer os relatos do tradicionalismo, representando o CTG Gomes Jardim, andamos (Tainara e eu) junto com o nosso CTG, cruzando a fronteira do Mampituba e se largamo pelas bandas de Turvo-SC. Por lá, no CTG Vale da Amizade, ocorreu nesse final de semana (14 e 15) a primeira etapa do Festiva Nacional da Cultura Gaúcha (FNCG) de 2025 com muitas entidades tradicionalistas participantes envolvidas nas suas apresentações, promovendo e perpetuando a tradição gaúcha em pagos Catarinenses.
Foram 54 invernadas de danças tradicionais, 47 chuleadores, 165 declamadores, 29 instrumentistas, 73 intérpretes vocais e muita gente buena para aplaudir e se regozijar com as apresentações. Literalmente um final de semana de encher os olhos, com tanta gente jovem e tantos talentos se dedicando a abrilhantar o evento.
O CTG Gomes Jardim não deixou por menos, saíram de Guaíba com cinco ônibus, levando os integrantes e familiares das invernadas Mirim, Juvenil, Adulta, Veterana e Xirú, junto com os participantes das modalidades individuais, para brilharem nos palcos do CTG Vale da Amizade. Foi uma linda integração, a organização do evento disponibilizou alojamento em uma escola do município, onde a comitiva doo CTG Gomes Jardim se estabeleceu e conviveu harmoniosamente durante o final de semana. E nesse alojamento é aquela correria, arruma cabelos das prendas, revisa as pilchas dos peoes, faz café, prepara o almoço, bota o povo no ônibus, vai pro rodeio, ajeita a torcida, volta pro alojamento, alimenta o pessoal, acomoda todo mundo, repete a saga andarilha com o próximo grupo.
Eita coisa boa, a gente fica extenuado, mas é só cansaço físico, porque mentalmente a gente se sente realizado. Ver as crianças seguindo os passos na tradição, ver o povo se enlaçando pelo mesmo ideal, pela mesma entidade e criando uma imensa energia positiva, contagia quem está no palco.
Nessas apresentações dos trabalhos preparados para o rodeio, tivemos a premiação da prendinha mirim Sofia Graboski e do peão veterano Valério Anderson, no interprete vocal, do Pedro Graboski (irmão da Sofia) na Gaita Ponto menos de 15 anos, do Bento Malcorra na declamação peão mirim e da invernada veterana o primeiríssimo lugar em danças tradicionais.
Mais importante quanto os vencedores é chamar a atenção para o trabalho que vem sendo desenvolvido e bem apresentado pela Laura Rodrigues, prendinha mirim que toca gaita ponto e também é solista vocal mirim; o Lorenzo Kerber da Silva, nosso Lolozinho; e a Lívia Azevedo Guedes que também é solista vocal; a Lívia Weber Jorge, a Soraia Oliveira, o Guilherme Soares e a nossa Diretora Cultural, Elisa Terres na declamação. Tem ainda os “fenômenos” na chula pré-mirim Léo Alves (Leonardo) e o Bento Rodrigues que dão show sempre com sua participação ativa, alegre e divertida, arrancando aplausos e sorrisos de quem os acompanha no desenvolver os passos da chula.
Enfim, o CTG Gomes Jardim é um celeiro de talentos artísticos, mas isso dá trabalho, precisa de dedicação de instrutores, músicos, pais, coordenadores e patronagem, mas o que é estimulante nesse percurso, são os valores que o CTG passa para seus participantes, que ao subir no palco, representa uma entidade e não mais um departamento ou uma pessoa física. E pensa em baixinhos que são gigantes quando representam nosso CTG Gomes Jardim, eles realmente nos representam.
Por isso foi criado, em tempos de pandemia a música "MEU CTG, MINHA QUERÊNCIA", denotando que o CTG é a segunda casa, é lugar de família, onde valores são repassados e toda a carga de costumes, cultura acompanhadas de fraternidade e afeto, afinal Querência é algo de se querer...
Ainda neste belo final de semana, foi muito bonito de ser a entregada em todas as modalidades citadas acimas, mas não podemos deixar de mencionar o olhar emocionado e alegre daqueles que estavam lá, seja concorrendo ou somente contemplando as apresentações. Recebemos abraços com olhos emaranhados, palavras de reconhecimento, por simplesmente ser nós!!... Pessoas apaixonadas pela cultural gaúcha. Este foi sem dúvida mais um troféu que trouxemos na mala.
E assim, com o coração aquecido e a alma lavada de tanta emoção vivida, retornamos pra nossa querência com o peito cheio de orgulho e a certeza de que o CTG Gomes Jardim segue sendo farol que guia, abriga e ensina. Cada passo de dança, cada verso declamado, cada nota musical ecoada no palco de Turvo foi mais que apresentação: foi reafirmação do amor à Tradição Gaúcha.
Voltamos cansados, sim, mas é aquele cansaço bueno, que vem depois da lida bem-feita, do dever cumprido e da entrega verdadeira. Cada pessoa que se fez presente nessa etapa do festival carrega agora uma lembrança bonita na memória e um pouco mais de bagagem tradicionalista no coração.
Aos que participaram, aos que torceram, aos que ajudaram de forma visível ou nos bastidores, fica nosso agradecimento. Seguimos juntos nessa jornada, sabendo que cada viagem, cada encontro, cada festival como esse nos fortalece como grupo, como família e como povo gaúcho.
Porque no fim das contas, o nosso CTG Gomes Jardim segue firme, com a lança em riste, levando adiante os valores que nos formam e nos unem. Até a próxima jornada, que com certeza já nos espera logo ali, no compasso de uma gaita, no repicar de uma bota, no calor de um novo galpão!
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