Dia 12 de junho de cada ano, comemoramos o Dia dos Namorados, um momento especial para agradecermos, celebrarmos e geralmente trocarmos presentes entre os apaixonados.
Tá bem, mas o que isso tem a ver com a Tradição Gaúcha?
Tem tudo a ver vivente, a Tradição carrega em si, conceitos arraigados por seus fundadores Paixão Cortes e Barbosa Lessa, que corroboram em todos os sentidos com o princípio de um relacionamento: O Namoro!
Ao rebuscarem os aspectos socioculturais do Rio Grande do Sul, de um passado remoto, Paixão e Lessa trouxeram a carga de valores, recatos e de conceitos alicerçados na aristocracia europeia. Como exemplo podemos trazer o tratamento por senhor e senhora com avó e pais, pedir a benção ao chegar na casa dos avós, entre outros.
Então o Tradicionalismo tem muito a ver com o namoro, pois no namoro se principia um relacionamento que, pode ou não, vir a ser a formação de uma nova família, a constituição de um novo lar. E nada melhor começar com afinco, dedicação, paciência, carinho, bondade e muito respeito.
Tudo isso são valores trabalhados dentro dos CTGs (Centro de Tradições Gaúchas), em todas as áreas, desde a Patronagem, seguindo pela Campeira, Cultural e Artística, os valores permeiam as atividades, os exemplos e tudo o que manifesta seus líderes (de cada departamento) para com seus liderados.
No próprio ambiente do CTG, sempre escutamos que é algo familiar, onde as famílias são acolhidas e se cultua o respeito e a igualdade.
No namoro é assim, começa com aquela paixão repentina que acende os corações apaixonados, como o fogo de chão do campeiro, ou o fogo altaneiro do fogão de galpão, e vai aquecendo, mas para durar a que alimentar o fogo, com carinho, respeito e muito afeto, assim como um peão enrodilha o seu laço, uma prendinha engoma sua saia, o peãozinho engraxa sua bota, a que se cuidar do relacionamento com afinco.
E é nesse entrevero de sentimentos, onde o respeito cruza com a admiração, que o namoro ganha força para seguir firme. O namoro, não é feito só de palavras bonitas ou presentes comprados na correria da cidade grande. É feito de gestos simples, como oferecer o braço para sua prenda ao cruzar o salão, ou escutar com atenção o que ela tem para contar.
Os bailes e os rodeios, são palcos de muitos começos de namoro. Um valsita ou uma milonga, bem dançada pode ser mais certeiro que flecha de cupido, mas mais do que saber dançar, é preciso saber cuidar!! Cuidar da companheira como se cuida de uma flor: com calma, com presença, com respeito.
E que bom seria se todos entendessem que amar é também ser parceiro na lida da vida. Compartilhar sonhos, respeitar as diferenças e zelar pelo bem-estar do outro, bem como os limites de cada um.
Por isso, no Dia dos Namorados, que a gente celebre não só com flores e bombons, mas com valores. Que sejamos inspiração dentro e fora dos galpões, levando adiante o que nossos antepassados nos ensinaram: que amar é construir juntos, com coragem, respeito e tradição.
Se Don Barulho estivesse escrevendo sobre o Dia dos Namorados, naquele jeito interiorano antigo dele, iria torcer o bigode, pitar o palheiro, soltar aquele aroma de fumo bueno e figueirilha, olhar pra os netos e dizer: “É o respeito que constrói as relações meus netos, juntamente da sinceridade no falar e a transparência no olhar, se queremos que o pão chegue na mesa, precisamos plantar o trigo, regar pra que brote e cuidar para as pragas não tomarem conta da lavoura, no namoro é assim, cuida, respeita e preserva, senão não dá frutos.”
Esse Don Barulho era quase um filósofo dos pampas abagualado!
“que o maior presente entre as pessoas, sejam a bondade e o amor fraterno!”
Mário Terres e Tainara Moraga
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