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Sabado, 16 de Maio de 2026

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Quando os queridos se vão

Aprender a lidar com a morte é aprender a viver com a vida. Ela é uma realidade

Quando os queridos se vão
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Os números de vítimas da covid-19 têm crescido assustadoramente. A pandemia trouxe a exigência de se criar novos rituais para se aliviar a dor das perdas em decorrência da doença. O que antes era possível fazer, ante o falecido, como velório, e externalização da perda  com o consolo da família e amigos presencialmente foi tirado.  Culturalmente fala-se pouco sobre a morte no Brasil. Aqui o dia 2 de novembro ficou definido como o Dia de Finados. Uma data marcada de reflexão e reclusão. Já outros países como o México, a data é mais celebrada com cores e músicas. Por isso, ante a finitude, muitos podem ficar extremamente perdidos e desorganizados.

Podemos dizer que estamos vivendo tempos marcados pelo luto. Ele é universal. É um processo que comporta uma sucessão de pensamentos, sentimentos e comportamentos. Ou perdemos algum familiar, ou algum conhecido, ou colega de trabalho. E o que a palavra luto representa? Ela dá conta de um rompimento de vínculos que nos despertam afeto. E colado com ele, vem a morte, que nos dá consciência do nosso fim. Então, falar de morte também é falar de vida. E o vírus nesse momento, tem nos dado consciência de quanto somos frágeis.

Entretanto, aprender a lidar com a morte é aprender a viver com a vida. Ela é uma realidade. O que tem sido um fator complicador nesses dias é que para aprender a viver com o luto organizamos processos de despedida que hoje não são mais possíveis. Digo viver com o luto, porque ele deixa marcas, e é uma história continuada. Ele é um processo individual e exige um tempo cronológico. Apesar de ser dolorido, o luto convida a transformar, ou retransformar valores, vínculos para se prosseguir vivendo.

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Rituais de despedida são importantes e por razões sanitárias na pandemia ficaram fora do que era da nossa cultura. Tem-se feito nesse momento um processo adaptativo desse ritual. Poder expressar os sentimentos de luto são importantes, e para isso, as redes sociais hoje tem se caracterizado uma forma alternativa de homenagear o falecido e uma garantia que essa memória permaneça em algum local. Paginas são transformadas em memorial, e isso propicia que se ofereçam manifestações de apoio e conexão emocional, já que o distanciamento não permite o contato físico.

Até mesmo os profissionais da saúde tiveram que nesse momento lançar mão da tecnologia. Eles são mensageiros que levam para o leito da pessoa, quando possível, mensagens de seus familiares, por celulares ou tablets procurando assim que nos últimos instantes de vida a voz de um querido possa ser ouvida. Outra forma de se realizar uma despedida é enviar para que sejam colocados junto ao caixão, uma carta ou objeto que possam simbolizar naquele momento, o que a perda representa para aquela pessoa. É importante que os familiares e amigos mais próximos possam ter um espaço de acolhimento e de conversa para falar de quem se foi, e agradecer pela vida do falecido; Um outro momento pode ser marcado para se encontrarem e realizarem uma despedida mais planejada, já que muitas vezes a doença vem com a urgência do enterro. Ou até mesmo uma videoconferência.

Se você perdeu alguém, é importante lembrar que você deve se cuidar. É uma frase repetida, mas que tem sentido.  Você tem direito de viver seu luto, e da forma que te faça sentido.  Escrever uma carta, falar da pessoa que morreu, chorar, ligar para alguém que julgue poder te amparar, ou ficar em silencio, é uma opção sua. Mas procure comunicar aos parentes ou amigos a forma que você prefere lidar com o luto. O luto não é bem visto, já que vivemos em uma sociedade que prefere estampar apenas a felicidade e realização. Mas ele existe, e nem tudo é felicidade ou alegria. E vivenciar a tristeza também é necessário e terapêutico.  

O luto traz muitos sentimentos. Sensação de impotência, ansiedade, sentir-se numa montanha-russa de emoções, raiva, entre outros. Para lidar com eles, procure acolher os sentimentos. Não se sinta culpado e dê atenção ao que está sentindo. Procure expressá-los. Procure controlar aquilo que é possível, nem tudo vai estar ao seu dispor. Procure organizar sua rotina diária, coloque atividades produtivas na medida do possível e de auto cuidado. Seja flexível com você, ninguém está preparado para perder alguém.

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Mariza e Ana Paula

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Mariza e Ana Paula

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