Todos os países do mundo têm direito ao desenvolvimento econômico, pois é por meio dele que se torna possível elevar a qualidade de vida da população, estabilizando tensões sociais e políticas. Mas sem a aplicação de leis ambientais e uma fiscalização eficiente por parte dos governos, o desenvolvimento pode cobrar um preço alto em vidas humanas e biodiversidade. É nesse ponto que as mudanças climáticas incrementam os desastres naturais que tem influência direta na vida e no bolso da população.
A Aon, empresa global líder de serviços profissionais, que oferece soluções em riscos, previdência e saúde, emitiu um relatório sobre catástrofes globais no qual afirma que, nos três primeiros meses do ano, as perdas provocadas por desastres naturais ao redor do mundo devem chegar a US$ 63 bilhões, valores muito acima da mediana de US$ 38 bilhões de todo o século 21 para o mesmo período — e os prejuízos também são sentidos no Brasil.
A exemplo, o terremoto que atingiu a Turquia e a Síria em fevereiro de 2023 deixou cerca de 50 mil mortos e foi responsável pelas maiores perdas financeiras: US$ 39,1 bilhões, segundo cálculos baseados nos danos materiais diretos reportados pelo Banco Mundial ao fim daquele mês. Entretanto são os efeitos das mudanças climáticas o motivo de maior preocupação no restante do mundo, inclusive no Brasil, pois a seca que ainda atinge o sul do país e os vizinhos Uruguai e Argentina ficou em segundo lugar no ranking da Aon, provocando perdas de US$ 5,9 bilhões às três economias locais, com principais impactos no setor agrícola.
Outras 12 catástrofes naturais atingiram os países sul-americanos nos primeiros três meses do ano, sendo seis enchentes no Brasil – ocorridas ao fim de janeiro, início de fevereiro e meados de março – que provocaram perdas de US$ 1,1 bilhão, segundo cálculo da Aon.
Para efeitos de comparação, nos doze meses dos anos de 2020, 2021 e 2022 catástrofes naturais custaram à economia brasileira US$ 3,8 bilhões, US$ 6,1 bilhões e US$, 5,5 bilhões, respectivamente, sendo as inundações fluviais o tipo de catástrofe mais provável no país, com base em dados históricos, incluindo os eventos de 2022.
De acordo com o CEO de resseguros da Aon Brasil, Antonio Jorge Rodrigues, no primeiro trimestre de 2023 essa probabilidade se confirmou considerando principalmente as chuvas extremas no início do ano.
Regido pela lógica do retrovisor, o mercado de seguradoras e resseguradoras tem como bases os dados passados para projetar cenários e riscos futuros em um momento de mudanças climáticas e esse impacto já é sentido pelo setor, ainda que de forma restrita.
“As perdas advindas da seca, por exemplo, tornaram-se um sinistro de grandes proporções, que tem movimentado todo o mercado de seguros e resseguros agrícolas, pois estamos observandos uma tendência de aumento da frequência e severidade dos eventos climáticos, o que, consequentemente, provoca maior sinistralidade, além do aumento na procura por coberturas mais personalizadas, que levem em consideração índices climáticos específicos”, diz Rodrigues, que afirma que o clima tem se mostrado um fator cada vez mais relevante para as avaliações de risco.
Na indústria, isso é conhecido como seguro paramétrico. A ideia, que atrai especialmente o setor agrícola, é que o acionamento do seguro deixe de ser atrelado a danos materiais e passe a ser vinculado a determinados gatilhos, como temperaturas acima de certo nível ou falta/excesso de chuva por determinado período.
Da totalidade de prejuízos por desastres naturais no início do ano, apenas US$ 15 bilhões (24%) estavam segurados, segundo a Aon. A maioria das perdas seguradas se deu nos Estados Unidos (58%) e Europa, Oriente Médio e África (25%) e infelizmente não há dados específicos para o Brasil. E na estiagem da região da Bacia da Prata, onde a perda econômica esteve em US$ 5,9 bilhões, apenas US$ 0,4 bilhão tinha cobertura.
Em Guaíba um exemplo desse tipo de infortúnio foi a microexplosão - evento climático severo associado a fortes correntes de ar que se espalham horizontalmente, chegando a percorrer cerca 6 km de distância, com duração de 2 a 5 minutos. O fato aconteceu em 17/01/2022, a qual foi causada pela instabilidade, ventos de até 200km/h e pelo calor excessivo em um curto espaço de tempo, assim como os alagamentos de 2023 provocados por fortes chuvas e o suposto mal planejamento dos novos empreendimentos habitacionais.
Então, os eventos climáticos batem às nossas portas cobrando políticas públicas que minimizem os danos, o mais rápido possível. E você, cidadão, o que tem feito para ser menos poluidor e mais ecologista?
Fontes:
Capital Reset. Disponível em: https://www.capitalreset.com/perdas-com-desastres-naturais-disparam-em-2023-o-brasil-engrossa-a-conta/?utm_campaign=17052023_-_petroleo_net_zero__aon&utm_medium=email&utm_source=RD+Station Acesso em 16/05/2023.
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