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Quinta-feira, 20 de Junho de 2024

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O meio ambiente não é só uma causa, mas também a nossa casa

Dia Mundial do Meio Ambiente, que agora sim está ao meio.

O meio ambiente não é só uma causa, mas também a nossa casa
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Do ar que respiramos até a água que bebemos e a comida que comemos, dependemos da natureza para o nosso dia a dia e para a estabilidade da economia.

Cada vez mais é difícil estar em um grupo de pessoas,independentemente do lugar, sem ouvir falar de mudanças climáticas, sustentabilidade, proteção do meio ambiente ou ESG. A verdade é que o assunto influencia diretamente o nosso dia a dia e já ocupa a maior parte dos noticiários, mesmo quando não é percebido de pronto.

Quando se fala sobre o aumento do preço dos produtos eletrônicos, o que está por trás dessa informação é a crise de falta de matéria-prima na natureza para produção de componentes eletrônicos. Quando é noticiado que a mesma quantidade de produtos no carrinho do supermercado está mais cara do que no mês anterior, esse pode ser o resultado de uma quebra de safra histórica por causa de alterações no clima ou de um climatismo. Ou se aquela reunião, que tinha tudo para render uma ótima parceria de trabalho, desandou e pode ter sido um desalinhamento entre critérios e prioridades ambientais entre os possíveis parceiros.

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A natureza está em tudo o que é produzido e, embora possa haver uma nítida desconexão, nós - a HUMANIDADE, ainda faz parte da natureza. Tudo está interligado na e com a natureza. No meio de tudo, está o meio ambiente.

Além de fornecer água e alimentos necessários para a sobrevivência de todos os seres vivos na Terra, o meio ambiente também é a fonte de matéria-prima para todas as atividades econômicas. Por isso, alterações no clima ou impactos ambientais afetam diretamente a disponibilidade e o preço dos mais variados produtos, assim como os rendimentos de toda a cadeia de produção, como no agronegócio, que é totalmente dependente do clima e, por isso, extremamente sensível às mudanças climáticas.

Para se ter uma noção melhor, em 2023, o Brasil ficou em quarto lugar na lista de países que tiveram as maiores perdas econômicas associadas a eventos climáticos extremos, que geralmente podem ser associados às mudanças climáticas. Ao todo, 93% dos municípios brasileiros registraram episódios de calamidade pública e só com reconstrução de habitações destruídas já foram gastos mais de US$ 5 bilhões nos últimos dez anos.

Na mesma vertente sobre o desastre no Ro Grande do Sul em 2024, a conta já é estimada em R$ 19 bilhões referente só a um plano de reconstrução do estado após as enchentes. Mas a cada semana que se passa, esses valores só aumentam...

Entretanto, os desastres ambientais não são a única fonte de prejuízos econômicos relacionados à falta de proteção do meio ambiente. Um novo estudo avaliou que o poder aquisitivo das pessoas, em todo o planeta, também diminuiu cerca 19% globalmente, como consequência das mudanças climáticas, e o Brasil deve ser um dos países mais afetados, incluindo a intensificação das emergências sanitárias e riscos à saúde, como a continuidade de casos graves de Covid-19, no aumento de casos de dengue, os quais também causam enormes prejuízos financeiros e são potencializados pelas mudanças climáticas.

E o que é necessário e urgente a se fazer? Entendendo-se que a economia é totalmente dependente da natureza em estado de equilíbrio, é preciso direcionar o fluxo de capital e fortalecer políticas públicas para impulsionar o desenvolvimento sustentável em atividades produtivas que ajudem a protegê-la e recuperá-la, como a sociobioeconomia, as agroflorestas, a agricultura regenerativa, a restauração de matas nativas, os investimentos maciços em saneamento básico e saúde preventiva, a despoluição de mananciais de águas superficiais e proteção de águas subterrâneas, o investimento em tecnologias de  geração de energia elétrica solar e eólica mais baratas e com menos impostos, e a lista segue....

Com essa transição, ainda será possível eliminar, ou pelo menos reduzir, impactos ambientais em cadeias de produção, por meio da intensificação sustentável da pecuária, a diversificação agrícola e o direcionamento da produção para áreas já abertas, freando o desmatamento e protegendo a qualidade do solo e das águas. Além disso, proteger ou restaurar a vegetação nativa e associá-la com o agronegócio, ajudará a diminuir a possibilidade de eventos climáticos devastadores para o planeta, para as pessoas e, consequentemente, para a economia.

O trabalho é pesado, os investimentos são necessários, as políticas públicas devem ser modernizadas, mas o mais difícil é a mudança de conceitos e principalmente de práticas que precisam ser aplicadas de imediato por toda a raça humana,se ainda quiser evitar a extinção em massa, a exemplo dos filmes hollywoodianos.

Caros leitores, a hora se finda, apliquemos os 16 R’s da Sustentabilidade em suas Vidas: Refletir, Rejeitar/Recusar, Repensar, Reduzir, Reusar, Redirecionar, Reparar/Restaurar, Recondicionar, Remanufaturar,  Reciclar, Reintegrar, Respeitar, Responsabilizar-se, Repassar, Recuperar e Reminerar.

E pensando em dia 05 de Junho de 2024 - Dia Mundial do Meio Ambiente, fica aquela sensação de choro preso na garganta, nas lágrimas veladas, na tentativa de um sorriso de conforto a quem ainda está, nesse frio, sem roupas, sem móveis,  sem casa, sem dignidade, sem esperança, sem nada!

 

A Coluna Papo Ambiental é um oferecimento de:

 

 

Comentários:
Aline Stolz

Publicado por:

Aline Stolz

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