No dia 11 de agosto, o governador Eduardo Leite e o secretário de Educação Faisal Karam divulgaram um calendário para o retorno presencial das aulas da rede pública e privada no estado. O mesmo inicia ainda em agosto, dia 31, pelos menores da educação infantil e segue-se até dia 08/10 com os anos iniciais do Ensino Fundamental. O governador argumenta que apesar de sensível, este é um tema que não se pode resignar, segundo ele não será colocado crianças e equipes em risco, sugere dividir os turnos e horários, mas considera essencial o contato (em algum nível) entre professor e aluno.
Desde então aprofundou-se a polêmica sobre o retorno presencial neste momento, dentro do contexto de pandemia vivido no estado. Como os prefeitos tem autonomia para seguir ou não este calendário, estão ponderando as possibilidades e realidades de seus municípios, vários já declarando que não o farão, citando como exemplo Guaíba e Eldorado do Sul. Muitas entidades ligadas à educação, como a UNDIME-RS e UNCME-RS, além do CEPERS posicionam-se como contrários a este retorno, nestas datas e nestes moldes.
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A proposta do governo também prevê a liberdade para as famílias decidirem se enviam ou não os filhos à escola. E neste sentido todas as pesquisas apresentadas na imprensa, inclusive uma feita pelo próprio governo do Estado e nas mídias sociais, apontam para uma maioria de pais preocupados e optando por manterem seus filhos em casa. Decisão esta que minha família também optou, levando em consideração a realidade que acompanhamos de perto, das escolas e do município com relação a prevenção e ao risco de contágio do coronavírus.
Mas, e como professora? Sabe uma coisa que me irrita, e muito, é ver tantos “entendidos de educação” dando opiniões e sugestões de quando e como deve ser o retorno, sem no entanto jamais terem posto o pé em uma escola. Sem saber como é de fato um recreio, uma sala de aula. Fico eu aqui imaginando os alunos pequenos, ou mesmo os adolescentes, usando máscaras, mantendo distanciamento, usando álcool gel. E confesso, fico bastante apreensiva, por mim, por eles, pelas famílias deles, pela minha família. É surreal.
Pesquiso sobre experiências de retorno em outros estados e países e fico mais preocupada ainda, ouço que crianças são assintomáticas, talvez, mas não todas, e, mesmo assintomáticas, são capazes de transmitir o vírus. Assisto que estão perdendo o ano e sinceramente não acredito nisto. Todo o aprendizado é válido, se os conteúdos da escola estão difíceis peça ajuda, nunca as famílias acompanharam tão de perto a educação dos filhos como agora, claro que com exceções estão aprendendo sobre a empatia, a solidariedade, a administração do tempo, o valor da saúde, da vida! O ano e a vida estão perdidos para quem perdeu a batalha para a covid-19.
A educação definitivamente precisa ser levada mais a sério! Qualquer decisão sobre o retorno às aulas presenciais precisa ser fruto de uma ampla discussão de toda a comunidade escolar e respaldada pela área da saúde, economia e assistência social. Precisa ser democrática e ter condições de oferecer segurança emocional, física e estrutural aos alunos, professores, funcionários e famílias.
E você leitor, sente-se confortável com a ideia de mandar seus filhos à escola neste momento?
E você professor, sente-se seguro e preparado para este retorno presencial?
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