Repórter Guaibense

Terça-feira, 12 de Maio de 2026

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Em tom de despedida, Maranata apresenta resultados e avanços do governo na Câmara de Vereadores

Prefeito citou pandemia, vendavais, enchentes, expansão da saúde, educação e obras

Em tom de despedida, Maranata apresenta resultados e avanços do governo na Câmara de Vereadores
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Guaíba enfrentou seis situações de calamidade em cinco anos, entre pandemia, vendavais e enchentes, e, mesmo assim, hoje estaria “muito melhor do que quando a gente chegou aqui”. A avaliação foi feita pelo prefeito Marcelo Maranata durante discurso de prestação de contas na Câmara de Vereadores, nesta quarta-feira (1º), em sessão que reuniu parlamentares, autoridades e moradores. Ao longo de mais de 50 minutos, o prefeito fez um balanço de ações em áreas como saúde, educação, assistência social, infraestrutura e desenvolvimento econômico, e afirmou que sua gestão buscou R$ 180 milhões em recursos – contra R$ 8 milhões, segundo ele, obtidos pelo último governo em oito anos.

Logo no início, Maranata contextualizou o período, lembrando que assumiu em plena pandemia de Covid‑19, com mais de um ano lidando com vacinação, internações e mortes – inclusive de seu então chefe de gabinete. Em seguida, relatou uma sequência de eventos extremos: microexplosão em Santa Rita, que destruiu cerca de 4.500 casas, vendaval que atingiu cerca de 200 residências no interior, uma enchente que “judiou” da orla, com retirada de 1.000 caminhões de entulho em setembro, seguida por nova cheia em novembro, com mais 800 caminhões de resíduos. Em 2024, nova enchente, que, segundo o prefeito, levou Guaíba a acolher quase 20 mil moradores de Eldorado do Sul.

“Em cinco anos foram seis vezes que o município entrou e pediu estado de calamidade. Com tudo isso, a gente teve que gastar quase R$ 30 milhões para recuperar a cidade”, afirmou. Ainda assim, disse acreditar que a cidade está hoje em situação melhor e agradeceu o apoio da Câmara, de secretários, servidores e terceirizados, destacando a “maturidade política” de vereadores de diferentes partidos.

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A área de saúde ocupou boa parte da fala. Maranata afirmou que Guaíba aplica, em média, 22% do orçamento municipal em saúde, acima do mínimo constitucional e da média do Estado, que, segundo ele, “não coloca 12%”. Criticou o baixo repasse federal por procedimentos – citando hemograma a R$ 1,90 e consulta médica a R$ 10,90 – e argumentou que o município precisa “retirar recursos de uma pasta para outra para cumprir aquilo que o Estado e a União não fazem”.

O prefeito destacou a estrutura montada no Hospital Nelson Cornetet e no atendimento de urgência e emergência:

  • Bloco cirúrgico com mais de 3 mil cirurgias realizadas, inclusive próteses integrais de quadril e joelho e 42 tipos de procedimentos traumatológicos (ele diz que a única exceção é traumatismo craniano);
  • Nova UTI, em fase de entrega;
  • Prédio para hemodiálise e ambulatório;
  • Instalação do primeiro tomógrafo da cidade, evitando deslocamentos para outros municípios em casos de urgência.

“Um PA que não fazia cirurgia de unha encravada, hoje coloca prótese inteira de quadril. A gente não tem como contabilizar quantas vidas salvou com o tomógrafo”, disse, lembrando que antes pacientes eram levados para Charqueadas ou Porto Alegre.

Na atenção domiciliar, citou o programa Melhor em Casa, que retira pacientes estabilizados do hospital e mantém o tratamento em casa com equipe própria, liberando, segundo ele, “mil leitos num ano”. Na saúde visual, anunciou que o município iniciou cirurgias de catarata e que o objetivo é zerar uma fila de cerca de 2.500 consultas de oftalmologia, originalmente responsabilidade do Estado. Também exaltou a marcha da telemedicina, mencionando cerca de 2.900 pacientes na fila de especialidades que devem ser atendidos com o apoio do serviço.

O prefeito ainda ressaltou a criação do centro de atendimento a crianças vítimas de violência, que reúne, em um único espaço, atendimento médico, psicológico, perícia e atuação da delegada, evitando que menores circulem entre Conselho Tutelar, delegacia e IML. “É um cuidado com a criança que não tinha no município”, disse, afirmando que outras gestões foram demandadas mas não implementaram a estrutura.

Na educação, Maranata afirmou que Guaíba “disparou no IDEB”, subindo 111 posições no ranking estadual a partir da melhoria em português e matemática. Para ele, o resultado se deve à busca de “boas práticas” em outros estados, ao incentivo à formação e à adoção de programas como:

  • Férias na Escola, que sucedeu o “Férias Sem Fome” da pandemia, oferecendo alimentação e atividades no recesso;
  • Ampliação de tempo integral na Escola São Paulo, com transporte garantido pela prefeitura;
  • Participação de alunos na Olimpíada Brasileira de Matemática, com dezenas de medalhas e menções honrosas.

Em termos de estrutura física, listou:

  • Ampliação da escola da quadra Santa Rita, com dez salas e cerca de 860 m² de área construída;
  • Construção de anexo para a escola da São Jorge, acolhendo cerca de 200 alunos;
  • Coberturas de quadras em bairros como Itororó;
  • Quadras poliesportivas e sintéticas em diferentes regiões.

Na educação infantil e assistência, citou:

  • Creche na quadra de Santa Rita, retomada após estar abandonada;
  • Ampliação da EMEI Pedras Brancas, com salas para mais 80 crianças;
  • Unidade no Jardim dos Lagos, atendendo cerca de 220 crianças de 0 a 5 anos;
  • A criação da Casa da Primeira Infância e o fortalecimento do Programa Primeira Infância Melhor (PIM), que, segundo ele, tem sido referência, inclusive com reportagem prevista da RBS;
  • Casa de acolhimento para mais de 30 crianças vítimas de abuso ou abandono, em duas unidades, sob responsabilidade direta da gestão.

Uma das ações destacadas foi o CEIAG – Centro Educacional Integrado de Atendimento ao Autista, com cerca de 330 crianças atendidas. O prefeito mencionou que, ao assumir, o município tinha cerca de 190 crianças com laudo; hoje seriam em torno de 1.400, entre laudos e demandas em fila. “É um cuidado com as nossas famílias”, disse.

Na assistência social, lembrou a criação de três CRAS (zonas Oeste, Sul e Norte), além do CRAN para enfrentamento à violência contra a mulher, e programas como a Família Acolhedora. Durante a pandemia, citou o Cartão Guaibense, benefício que teria alcançado 2.725 famílias, e um programa de microcrédito em que a prefeitura deposita R$ 500 mil por ano como garantia, arcando com os juros para empreendedores locais.

Na área de infraestrutura, Maranata abriu a contagem de ações com a resposta às enchentes de 2024: disse que Guaíba foi a “primeira cidade do Rio Grande do Sul” a receber recursos federais, montou 82 alojamentos, acolheu 6.273 pessoas em abrigos e recebeu mais de 700 animais, fornecendo cerca de 15 toneladas de ração. Também citou a retirada de 34 mil metros cúbicos de entulho pós-cheias.

No campo viário e urbano, listou:

  • Usina de asfalto e pavimentação de 298 ruas, com mais dez em fase final, superando a marca de 300 vias asfaltadas;
  • Obras como a Estrada do Conde, a Estrada Santa Maria e a Capororoca, com intervenções de drenagem e correção de pontos de alagamento;
  • Grande obra de drenagem na Zona Sul e no bairro Pedras Brancas, citada como a “maior obra de drenagem da história do município”;
  • Travessia do IPÊ como primeira obra do Estado a usar recurso federal, executar e prestar contas, segundo o prefeito, com investimento na ordem de R$ 1,2 milhão;
  • Readequações de macrodrenagem ligando a Nei Brito à Recife, invertendo fluxos para reduzir alagamentos.

Na orla, destacou a entrega do pier (que, segundo ele, resistiu à enchente sem danos estruturais), a quadra de basquete à beira do Guaíba e o projeto de reurbanização da orla, elaborado pelo mesmo escritório responsável pela orla de Porto Alegre, com recursos captados junto a um banco asiático.

Em iluminação pública, informou que:

  • Foram instaladas 172 luminárias de LED em um trecho de 4,5 km em um dos eixos principais;
  • Já foram colocados cerca de 2.900 pontos de LED pela cidade, com expansão recente no Jardim dos Lagos;
  • O número cresce diariamente, com meta de ampliar segurança e reduzir custos de energia.

Também citou:

  • Implantação de lombadas ecológicas;
  • Renovação da frota da SAMU, que antes contaria com ambulâncias de 1999 e hoje teria apenas veículos zero quilômetro, atendendo Guaíba, Eldorado do Sul e região;
  • Novas máquinas pesadas, totalizando 22 equipamentos para manutenção de vias e serviços urbanos.

Na segurança, o prefeito afirmou que Guaíba é, hoje, a décima cidade mais segura do Brasil e a segunda mais segura do Rio Grande do Sul, resultado de ações como:

  • Apoio financeiro à Brigada Militar e à Polícia Civil, com pagamento de aluguéis de sedes e fornecimento de viaturas;
  • Parcerias com vereadores via emendas impositivas para aquisição de veículos;
  • Políticas específicas para as mulheres, com a criação de secretaria temática.

Na mobilidade urbana, mencionou:

  • A rótula da Havan, facilitando acesso à zona Sul;
  • A obra de interligação da BR‑116 com a zona Sul, com galerias de grande porte, para reduzir congestionamentos em caso de acidentes;
  • O projeto de novas arquibancadas no Estádio do Coelhão, com previsão de entrega entre maio e junho, e a revitalização do entorno.

Sobre transporte coletivo, Maranata afirmou que a prefeitura mantém há quatro anos a tarifa sem reajuste, mesmo com aumento de combustíveis, subsidiando cerca de R$ 300 mil por mês para manter linhas e ampliar horários. Argumentou que boa parte dos usuários possui isenção (por idade, doença ou benefício) e que, sem subsídio, o sistema não se sustentaria.

Na cultura e eventos, o prefeito listou iniciativas como:

  • Criação e consolidação do Sarandeio, festival que, segundo ele, já chegou a reunir cerca de 60 artistas de diferentes estilos e foi mantido inclusive durante a pandemia e em ano de enchente para garantir renda a músicos locais;
  • Realização de festival de música com gravação em estúdio público municipal, que já teria atendido cerca de 150 músicos;
  • Organização de feiras e eventos como a Olifeira, descrita como “maior feira da América Latina da olivicultura”, onde expositores venderiam toda a produção antes do fim do evento;
  • Atração de redes de food truck e marcas nacionais, como franquias de alimentação rápida.

No esporte, citou:

  • Descentralização de atividades da melhor idade para o Ginásio Coelhão;
  • Oferta de modalidades gratuitas como jiu‑jitsu, capoeira, beisebol, voleibol e câmbio;
  • Projetos de inclusão para crianças com deficiência, com atividades esportivas adaptadas em formato de “quase olimpíada”;
  • Reformas de quadras e ginásios, como o Bagezão, entregue cerca de um ano após enchente, e quadras de areia em bairros como Santa Rita, Bonfim, Colina, Pedra Verde e orla.

No desenvolvimento econômico, o prefeito destacou:

  • Crescimento de 63,7% no valor adicionado fiscal, colocando Guaíba na quarta posição do Estado em participação no ICMS, com cerca de R$ 16,6 bilhões em valor adicionado;
  • Abertura de 3 mil novos negócios (micro, pequenas e médias empresas), com tempo médio de abertura de empresa em 15 horas, um dos menores do país, segundo ele;
  • Criação de cerca de 19 mil novos postos de trabalho no período;
  • Negociações em andamento para instalar “o maior centro logístico do Rio Grande do Sul”, disputado com outros municípios e que poderia gerar 700 empregos diretos.

Maranata também citou ações de planejamento e inovação, como a Agência de Desenvolvimento, que recebe eventos de startups, capacitações e programas como o Salto Sante, e a criação da Escola de Gestão, que já teria oferecido 142 cursos a mais de 3.200 participantes, entre servidores e terceirizados.

Ao final do discurso, o prefeito fez um tom de despedida, afirmando que ele e a vice Claudinha governaram de forma conjunta e que ela está preparada para assumir novos desafios à frente da cidade. “Ela já governou comigo, ao meu lado. Muitas coisas ela fazia, ela resolvia, e eu nem sabia”, afirmou, dizendo que, daqui para frente, a vice precisará contar ainda mais com apoio da comunidade e dos vereadores.

Maranata reforçou que decisões políticas implicam renúncia e não permitem “ter todas as coisas”, mas que confia na condução “de Deus” e agradeceu repetidamente “a oportunidade”. Disse que “nunca foi sorte, sempre foi Deus”, e que ora “por cada criança, por cada comunidade”.

Sem entrar em detalhes sobre críticas recentes de movimentos que apontam “gastança” e priorização de festas, o prefeito disse respeitar quem reclama, reconheceu que ainda há muito a fazer, e garantiu que tudo o que passou pelo Tribunal de Contas tem “resposta de tudo”. Encerrou reforçando a gratidão à Câmara e às equipes e afirmando que a gestão deixou “a cidade muito melhor” do que encontrou ao assumir o comando do Executivo.

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