O Rotary e a Casa de Amizade de Guaíba realizaram na terça-feira (11) o painel “O retrato da violência contra a mulher em Guaíba e no Brasil”, na sede das entidades, no Centro. O evento, alusivo ao Mês da Mulher, contou com a presença da primeira-dama Deisi Maranata, da policial civil Marília Cavalar e da coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), Ana Paula Sigas.
As participantes abordaram o aumento do número de mulheres com medidas protetivas ativas, o trabalho de acolhimento às vítimas de violência e a construção de políticas públicas de combate ao feminicídio. A cidade registrou o primeiro caso de feminicídio do Rio Grande do Sul em 2026: a bombeira civil Gislaine Rodrigues Duarte, de 31 anos, foi morta a facadas pelo então namorado, em janeiro.
Deisi destacou que, após o caso, o poder público ficou surpreso ao constatar que a vítima não havia procurado nenhum órgão da rede de proteção às mulheres. O último registro relacionado a ela foi um pedido de consulta com um médico ortopedista no Centro de Especialidades Médicas. “Logo após, criamos um grupo de estudo de caso para que possamos trabalhar na prevenção, analisando o perfil dos agressores e das mulheres, para que nossos equipamentos tenham algum tipo de alerta e nossos servidores consigam identificar possíveis vítimas. Esse é o primeiro movimento que fazemos para enfrentar essa realidade”, disse.
Ela afirmou ainda que a prefeitura tem intensificado ações de combate à violência contra a mulher, como a campanha do sinal, que permite que a mulher peça ajuda em farmácias, órgãos públicos e agências bancárias por meio de um sinal na palma da mão.
Parte das mulheres vítimas de violência busca atendimento no CRAM, que oferece acolhimento humanizado, escuta qualificada e orientação por meio de equipes multidisciplinares das áreas social, psicológica e jurídica. Somente em 2025, o órgão realizou quase 2,5 mil atendimentos e recebeu 68 novos casos de mulheres em situação de violência doméstica. Entre os tipos de violência registrados, a psicológica é a mais recorrente, com 206 casos, seguida da física (167), moral (143), patrimonial (83) e sexual (52).
“Infelizmente vivemos em uma sociedade que acaba empurrando as pessoas para certos padrões de relacionamento, e muitas famílias não têm o hábito de conversar sobre o que é aceitável dentro de uma relação, especialmente quando a mulher cresce em um ambiente onde a comunicação violenta é considerada normal. A todo momento queremos fortalecer essa mulher para que ela consiga identificar o primeiro sinal”, afirmou.
Ela também destacou que o CRAM atende apenas pessoas que procuram o serviço, não havendo atendimento compulsório. Assim, se a mulher identifica que naquele momento não está pronta para o acolhimento, sua vontade é respeitada e o órgão permanece sempre à disposição.
Marília acredita que falta força política para a construção de uma delegacia especializada no atendimento à mulher e a outros grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes e idosos. Segundo ela, Guaíba tem recursos e local para que a delegacia seja instalada atrás da atual Delegacia de Polícia, e a cidade conta com uma das redes de proteção mais estruturadas do Rio Grande do Sul.
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