Uma história de mãe e filho se transformou em livro. Aos 79 anos, a jornalista aposentada Carmen Blaskoski lançou sua primeira obra na Feira do Livro de Porto Alegre, no último dia 13, em homenagem ao seu filho mais velho, Tadeu, que faleceu aos 48 anos em 2023. Ela concedeu entrevista ao Repórter Guaibense na última semana.
O livro “Minhas vidas com meu filho” era um sonho antigo dessa mulher que sempre amou escrever. Formada na primeira turma de Jornalismo da PUC, há 50 anos, ela realizou esse sonho com o apoio do edital PROArte Guaíba, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura.
“A minha psicóloga me incentivou a escrever essa obra para eu colocar para fora e para que sirva a outras mães, pois é muito difícil lidar com a deficiência mental. Eu dediquei a minha vida inteira para ele, e depois que ele faleceu fiquei perdida”, disse à reportagem.
Tadeu tinha esquizofrenia, que não era ligada à deficiência mental. A deficiência dele nunca foi especificada, pois apresentava traços de várias. Na primeira internação no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre, descobriu-se que um dos cromossomos havia saído do lugar. “Eu fui premiada, e graças a Deus eu fui premiada porque o Tadeu foi uma criatura muito especial. Tadeu era amor”, afirmou.
Para ela, escrever foi muito doloroso, mas também libertador, pois permitiu colocar para fora toda a dor da perda do filho. Não à toa, algumas pessoas a conheciam como “a Carmen do Tadeu”. Uma mãe que acompanhava cada passo do filho, mesmo quando ele era rejeitado — especialmente na igreja, o lugar que ele mais amava.
Questionada sobre qual parte do livro foi mais difícil de escrever, Carmen chorou. Disse que foi relembrar o momento da morte do filho, o dia em que se viu sozinha. Já sobre o trecho de que mais gostou, citou o início de tudo, quando levou nove anos para conseguir engravidar. “Eu era chamada de figueira do inferno e ninho sem ovos, porque não tinha filhos. [...] Agora, com quase 80 anos, estou lançando esse meu livro, colocando muita vibração nele, pois conta toda essa história”, completou.
Ela diz que ainda não se sente escritora, é apenas a Carmen. Escreve porque faz parte dela, assim como fez ao longo de muitos anos no jornal O Guaíba, que administrou por mais de 30 anos ao lado do marido, Antônio, e da filha do meio, Ciça. A história desse jornal, que faz parte da memória da cidade, será o tema do próximo livro que ela pretende lançar, em 2026.
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