A violência parece ser a companheira mais inseparável do homem.
Ela esteve presente em toda a evolução da espécie, desde quando o conceito de civilização não existia, e continua a exercer seu poder ainda hoje, nestes tempos de tecnologia avançada e de pensamentos sofisticados.
Na Europa ultracivilizada, multidões saem às ruas para protestar contra outro tipo de violência: a econômica, que destrói as pessoas tanto quanto a física.
No Brasil, há muito se tenta incutir nas pessoas a noção de que este é um país de gente ordeira e pacífica, um paraíso no meio do caos do resto do mundo.
Balela.
Somos uma das nações mais violentas que existe, lugar onde se perpetram as violações mais elementares aos direitos humanos.
Somos um dos campeões mundiais da desigualdade social.
Praticamos a tortura incessantemente, em qualquer delegacia de polícia.
Os presídios se igualam às masmorras da Idade Média.
Nossos empresários desrespeitam a legislação trabalhista básica.
Nossa elite é preconceituosa, reacionária, sem nenhum preparo intelectual.
A imprensa é controlada por meia dúzia de famílias, que formam um oligopólio vergonhoso.
Os meios de comunicação cultuam e propagam um consumismo desenfreado, que ilude os jovens e os transformam em seres sem nenhum apego a valores positivos.
A polícia é despreparada, extrapola a sua função e faz papel de juiz e carrasco, assassinando inocentes, na total maioria pobre e negra das periferias, como as mais torpes milícias nazistas.
O sistema judiciário é lento, complicado, ineficiente, e atua sob a suspeita de favorecer os mais abastados.
A corrupção é generalizada, está incrustada em todos os poderes, no meio empresarial, em todo lugar.
Os tentáculos da violência abraçam todos os setores da sociedade brasileira.
É simples continuação de uma história de horrores.
O que se vê hoje no Supremo Tribunal Federal, com juízes desempenhando o papel de atores canastrões não é nada demais. É simples continuação de uma história vergonhosa.
Esse é o nosso país cheio de desigualdades sociais e cada pessoa querendo passar a perna na outra.
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