Então aos poucos, a vida vai retomando o seu curso! É fato que está diferente, mas ainda assim, vamos resgatando o que é importante para cada um de nós.
Ainda neste último feriado, tivemos a oportunidade de estarmos juntos (Mário e Tainara) em palco muito importante para o movimento tradicionalista gaúcho, fica em Santa Cruz do Sul. Este local conhecido por receber o ENART (Encontro de Arte e Tradição Gaúcha), este ano, ampliou sua proposta e somou junto ao FEGADAN (Festival Gaúcho de Dança) e FEGACHULA (Festival Gaúcho de Chula).
Existem vários movimentos dentro de um mesmo movimento.
Desculpem a redundância, mas a explicação é que dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho há outros movimentos que giram para direções opostas, usando a mesma força para impulsionar seu andejar.
Nessa coisa de divergência de vetores, um passo importante foi dado, a aproximação desses movimentos. O intento de criar sinergia, de abrir portais, antes intransponíveis e, quiçá, o entendimento das propostas de cada um desses vetores.
Afinal o pano de fundo é o mesmo, a vertente cultural trazida por jovens que idealizaram um movimento lá em 1947 e que, apesar de já estarem na Estância Grande do Céu, seu legado perpetuará por essas forças.
O que está certo, ou errado? Pergunta que não cabe nesse contexto, o que vale é o fomento, através dessas forças, desses movimentos, se fomenta a cultura, perpetua-se a cultura da dança, movimenta-se comunidades inteiras em prol do tradicionalismo, os CTGs se iluminam com as apresentações, os familiares, amigos e colegas torcem para que os grupos façam o melhor e encham os olhos de todos.
Há vieses por detrás, como em todo o movimento, mas não estão relacionados com regras, dogmas ou manuais, somente com as pessoas, intrínseco aos egos e suas egocentricidades.
Quando o encontro dessas diferentes vertentes compartilhou o mesmo tablado com acolhimento e atenção de todos, algo despertou em sua acepção. Afinal, tudo é tradicionalismos, não é mesmo?
O público teve sua maior interação pelos canais online, lembrando que ainda estamos em tempos pandêmicos, os valores praticados para ingressar no evento estavam fora do contexto, mas nada fez com que perdesse a relevância do evento, a alegria e o amor pela representatividade que cada um levou na mala para representar a sua entidade tradicionalista, seja na modalidade grupo nas danças, ou nas categorias individuais.
Tivemos a oportunidade de celebramos a vida, representar também aqueles que não puderam estar conosco neste momento e outros que homenagearam os que agora fazem parte da estância do céu.
Esse passo foi incipiente, mas importante para unir histórias e forças para que comecemos a ter um olhar mais terno e fraterno sobre o que fazer para mantermos esse festival de pé.
A pandemia castigou os CTGs, todos passaram por período nebuloso, com medo de como conseguir o aporte para manter seus custos fixos, como manter a conexão com seus associados, como fazer tradição em tempos de pandemia.
Pois o tempo deu mostras que esse movimento é transcendental, não afroxa um tento, nem frente a coisa mais braba.
O Festival dos Festivais traz a proposta de integração, de acolhimento, de quebrar barreiras e lembrar a todos que, independentemente de qualquer coisa, estamos todos unidos pelo mesmo ideal, manter viva a cultura do nosso povo.
A Pátria Mãe Ancestral se levanta no coração de cada um que ovaciona sua história, sua cultura, seja na forma de dança, de poesia, de causo, de declamação, de chula, no toque do seu instrumento ou na voz de seu canto, a força da tradição está enraizada nas nossas almas e dela brota a luz para exaltá-la.
Precisamos refletir sobre o futuro, na pergunta crucial: Como fazer um tradicionalismo fraterno?
Sim pois esse é o mote, fraternidade, acolhimento social, sem elitizar, sem privar, mas acolher. Essa forma de unir forças, esquecer a competição e fazer mostra de arte, agrada quem entende o sentido e o valor do tradicionalismo, fortalecendo que o mostrar é mais importante que o vencer.
"Independentemente da forma ou caminho escolhido, havendo respeito e trabalho árduo, manteremos vivo o tradicionalismo gaúcho."
Tainara e Mário
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