Com a conclusão do ano letivo, vem a preocupação com os resultados escolares dos filhos. Notas, conceitos, pareceres, recuperações, conselhos de classe, aprovação ou reprovação. Enfim, se a criança é aprovada não se costuma questionar, porém no caso de reprovação, as famílias e mesmo os estudantes buscam respostas: E agora, o que fazer? Reprovação é sinônimo de fracasso? Onde foi o erro? De quem é a “culpa”? Esses questionamentos são bem comuns e totalmente naturais que surjam dentro do universo educacional.
O baixo rendimento escolar está associado a diversos fatores, que podem estar ou não vinculados a família ou a escola, ou mesmo a saúde física ou emocional da criança/adolescente, posso aqui listar alguns destes, como o pouco tempo e qualidade do sono, uso excessivo de telas, falta de incentivo e acompanhamento ou excesso de cobranças, estratégias pedagógicas que não funcionam para a criança, desânimo, má alimentação, ansiedade, depressão, ou então a transtornos que dificultam a aprendizagem como o TDAH, TPAC, Dislexia, Disgrafia, entre outros.
Todos os aspectos potencializados pela Pandemia que estamos vivendo a quase dois anos, não são dois dias, duas semanas, dois meses, são aproximadamente dois anos de medo, preocupação, perdas, solidão. De profundas mudanças no cenário da educação, da própria vida, da maneira como interagimos, como nos relacionamos com nós mesmos, com os outros e com as situações apresentadas. E não estou aqui dizendo que os resultados escolares não são importantes, eles os são e muito! Deve-se buscar auxílio na escola e se necessário, com profissionais como reforço escolar ou mesmo psicopedagogos, psicólogos, etc... Algumas redes já oferecem estes serviços como apoio. Informe-se.
Mas no meu ponto de vista, independente dos resultados impressos nos boletins escolares, este é um importante momento de reflexão enquanto pais e professores. Como estamos educando, como estamos ensinando nossas crianças? E para quê? Para qual tipo de sociedade? Existe um dito bem popular que ouço muito sobre que mundo estamos deixando para as nossas crianças, e eu reflito sobre que tipo de crianças estamos deixando para o mundo? Esclareço aqui que a cada um cabe o seu papel na vida da criança, os pais e familiares tem o seu papel específico e os professores/escola tem outro papel, os dois são importantes, mas diferentes!
Como estou trabalhando a autonomia dos meus filhos ou alunos? Mesmo que seja para pequenas tarefas? Como estou estimulando sua autoestima? Isto se ensina, não nascemos sabendo. Estou ensinando meu filho a ser confiante em si mesmo? Mas é preciso cautela e cuidado para não confundir autoestima e confiança com arrogância e egoísmo. Conviver é uma habilidade a ser desenvolvida, com respeito, empatia e solidariedade. Mais do que nunca a parceria entre a família e a escola é fundamental!
As redes de ensino tem suas peculiaridades, os governos vem e vão, as ideias e ideais também, uns gerem a educação com mais habilidade e comprometimento, outros com um pouco menos, outros sem nenhuma. E por este motivo se faz tão importante a participação cidadã na qualificação da educação, na estruturação da escola, física e pedagógica. O fazer educacional deve ser acompanhado e avaliado de forma efetiva, levando-se em conta a realidade e as particularidades de cada comunidade escolar.
Lidar com o baixo rendimento escolar, com a frustração não é fácil, mas nos tornam mais fortes para enfrentarmos os erros e buscarmos os acertos. Nada na vida acontece sem esforço e empenho, e esta é uma lição fundamental, primeiro na escola, depois no trabalho, na vida, não somos perfeitos, não precisamos ser! Buscar as potencialidades e fortificá-las, assim como identificar as fragilidades e vencê-las. O apoio e o acompanhamento da família impulsiona, serve de base para os desafios que surgirem em qualquer aspecto da vida.
Para encerrar vamos refletir com o mestre Paulo Freire quando diz: “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.”
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