Repórter Guaibense

Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026

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Onde anda o tradicionalismo fraterno?

Será aquele em que a classe de professores primários do Rio Grande do Sul oferecer seu decisivo apoio a esta campanha cultural

Onde anda o tradicionalismo fraterno?
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Dom Barulho sempre me alertou que demagogia social não é fraternidade, discursar sobre a unidade, mas tomar ações de individualidade. Não passa de falácia, de egoísmo.

O tempo passou, talvez eu nem lembre como surgiu o assunto à época, porém hoje o tema me tomou a mente focado no tradicionalismo.

Vamos trazer os sinônimos do que pretendemos dissertar para que possamos caminhar de mãos dadas.

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“A ideia de fraternidade estabelece que o homem, como animal social e politizado, fez uma escolha consciente pela vida em sociedade e para tal estabelece com seus semelhantes uma relação de igualdade, visto que em essência não há nada que hierarquicamente os diferencie: são como irmãos (fraternos). Este conceito é a peça-chave para a plena configuração da cidadania entre os homens, pois, por princípio, todos os homens são iguais. De uma certa forma, a fraternidade não é independente da liberdade e da igualdade, pois para que cada uma efetivamente se manifeste é preciso que as demais sejam válidas”. Wikipédia

Essa igualdade nos colocaria com total empatia entre nós, poderíamos olhar para nosso semelhante (independente do contexto social, político, religioso, gênero, etc.) e igualitariamente tratarmos das dificuldades que cerceia nosso convívio.

Trazendo esses argumentos, entrego agora a parte que define ou caracteriza o tradicionalismo, onde um de seus idealizadores, o mentor cultural desse movimento, Barbosa Lessa, escreve uma tese intitulada “O SENTIDO E O VALOR DO TRADICIONALISMO GAUCHO”. Nele o autor ressalta o problema da desintegração da sociedade, o enfraquecimento da cultura local e a extinção dos grupos locais.

Para Barbosa Lessa, um dos fundadores do Movimento Tradicionalista Gaúcho, através dos Centros de Tradições, o tradicionalismo procura entregar ao indivíduo uma agremiação com as mesmas características do “grupo local” que ele perdeu ou teme perder: o ” pago”. Mais que o seu “pago”, o pago das gerações que o precederam.

E qual o SENTIDO do Tradicionalismo Gaúcho?

Sem pestanejar nem se omitir, Barbosa Lessa respondeu que o tradicionalismo consiste numa EXPERIÊNCIA do povo rio-grandense, no sentido de auxiliar as forças que pugnam pelo melhor funcionamento da engrenagem da sociedade.

“Tradicionalismo é o movimento popular que visa auxiliar o Estado na consecução do bem coletivo, através de ações que o povo pratica (mesmo que não se aperceba de tal finalidade) com o fim de reforçar o núcleo de sua cultura: graças ao que a sociedade adquire maior tranquilidade na vida comum”.

Barbosa é perfeccionista ao extremo de pensar o Tradicionalismo de sua época e também o do futuro, olhando para os jovens, para as crianças, solicitando que as escolas, os professores deem as mãos ao tema e busquem estabelecer em seus ambientes, esses grupos locais de cultura à tradição.

Barbosa ainda escreve em sua tese sobre esse sonho da adesão dos educadores: “Por isso não temo afirmar que o dia mais glorioso para o movimento tradicionalista será aquele em que a classe de professores primários do Rio Grande do Sul – consciente do sentido profundo desse gesto, e não por simples atitude de simpatia – oferecer seu decisivo apoio a esta campanha cultural”.

Vivo sorvendo desse meio desde 1982, no tradicionalismo fiz grandes e verdadeiras amizades, vivi momentos memoráveis mas também o contrário ocorreu. Vi um Tradicionalismo fraterno e também vejo um Tradicionalismo elitista, que não busca a inclusão se não for monetariamente sustentável. Ou seja, o pobre, aquele sem condições financeiras, não deve buscar os CTGs pois não vai conseguir apoio para frequentar, afinal os CTGs devem pagar seus tributos ao MTG que tem uma série de inserções onde tudo é custo.

Pelo Rio Grande afora vemos CTGs que tem sua estrutura simples, de costaneira, chão batido, lâmpadas escassas, mas está lá, imponente na luta por um Tradicionalismo verdadeiro, que mantém suas colunas de pé mesmo nesses tempos difíceis. A pandemia dissecou os cofres das entidades, mas não atingiu a pompa do seu órgão máximo. Aliás a sede do MTG traz contornos de altivez e imponência, bem como a quantidade de diretorias e agregados cerceando as pompas.

Outra coisa interessante é que nada sai de graça, desde tempos o movimento gerou uma máquina exuberante capitalista, não falo dos gastos essenciais, mas da rede mercadológica que veio na carona disso tudo. Instrutores, coreógrafos, músicos, assistentes, enfim, a carga financeira que onera uma entidade, assoberba um tradicionalismo que se desvia da essência.

Nós reles mortais não temos acompanhado ações para reduzir os custos das entidades, nem um auxílio direto do MTG, houveram sim ações intermediadas junto aos órgãos estaduais e federais, mas da arrecadação anual em torno de quatrocentos mil, nenhum vintém desse valor retorna para as entidades, nesse momento crítico, onde as entidades tradicionalistas, os CTGs estão buscando na luta, no empenho de seus esforços manterem-se de pé, não tem desconto na mensalidade e nem auxílio de seu órgão que deveria ser o mantenedor disso tudo.

Não bastando os fatos levantados anteriormente, tenho a nítida impressão que o mais importante é estar e se manter no poder desse órgão que se desvia de sua proposição fundadora. Me explico: Nas duas últimas eleições notórias disputas inescrupulosas pela vaga de presidente deste que deveria ser um exemplo de solidariedade e fraternidade, a primeira eleição foi decidida no tapetão, teve que ter apelação judicial e as rusgas desnecessárias entre egos de pessoas que deveriam lutar pela mesma causa.

Nesse ano, em plena pandemia, com as entidade (CTGs) na UTI, colapsando para pagarem suas contas estruturais, mais uma eleição vai parar na justiça para impugnar as contas das últimas gestões, ou seja, a primazia é a manutenção do poder, suas afiliadas, as entidades que fiquem para depois.

Diante disso ficam as perguntas: Onde está o real sentido e valor do tradicionalismo? Onde anda o tradicionalismo fraterno?

Comentários:
Mário e Tainara

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Mário e Tainara

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