Quem consome literatura nas redes sociais, seja através do Instagram, TikTok ou Twitter, já sabe que nas últimas semanas o vídeo de uma produtora de conteúdo racista viralizou. E o que era o ponto de partida de uma indignação coletiva teve o seu estopim quando a produtora de conteúdo Dayhara Martins - inclusive, sigam ela porque o material é incrível - fez um post falando sobre ataques, também racistas, que recebeu no dia 1º de fevereiro.
Não vamos falar sobre qual era o teor ou o que foi falado no determinado vídeo nem trazer o que foi comentado na postagem da Day. Isso seria totalmente o oposto da discussão que decidimos trazer aqui.
Palco fechado
Palco é o lugar onde artistas, palestrantes, pessoas que têm o que falar se apresentam. Ele pode ser um local definitivo ou abstrato, afinal, a internet é palco para muitas coisas hoje em dia. Mas quais são as pessoas que podem estar nesse lugar?
Desde quando o Brasil é Brasil, quem sobe no palco são pessoas brancas, majoritariamente homens e de classe média. Isso não é coisa da nossa cabeça: a taxa de analfabetismo é de 9,1% entre pessoas pretas com idade igual ou superior a 15 anos, superior ao dobro da taxa de analfabetismo entre brancos da mesma faixa (3,9), de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O percentual de pretos e pardos que concluíram a graduação aqui no Brasil é de, também segundo o IBGE, 9,3% em 2017 - em 2000, era 2,2%. Ainda assim, a população branca tem índice de 22%, mais que o dobro de pretos diplomados.
Como esperar que, diante de tanta desigualdade, a “minoria” preta (56% da população brasileira é negra, o que faz a minoria ser apenas artifício de linguagem) consiga estar no palco tendo o protagonismo que deveria?
Aí está o nosso papel: abrir o palco para que pessoas pretas não sejam mais sub-representadas no sistema político e na indústria cultural.
Palco aberto
Falar de livros na internet é um desafio para qualquer tipo de pessoa. Porém, o meio literário disponibiliza uma série de acessos para quem é branco: editoras que, ao fazerem a seleção de parceiros do ano, desconsideram a categoria de diversidade; autores pretos que são ignorados para fechar um contrato; e os criadores de conteúdo que, ou são cobrados para falar só sobre racismo, ou são totalmente deixados de fora do engajamento, da publicidade, das discussões…
Quando falamos de cultura e, principalmente literatura, tudo parece muito bonito. Mas não adianta nada se estamos perpetuando um comportamento racista que vem de formação social.
Já passou da hora de parar e pensar: estou lendo obras de pessoas pretas? Estou acompanhando o trabalho de produtores negros? Estou sendo antirracista além da “tela preta” no Instagram e de uma hashtag?
Abram a mente. Leiam pessoas pretas. Consumam o conteúdo de quem tem muita coisa pra falar.
Abram o palco.
Agora, uma lista de criadores não-brancos que temos acompanhado desde o início do Clube da (Não) Cultura lá no Instagram:
@dayharabooks
@enevoadaa
@dayescreve
@karouescreve
@a.lyssilva
@sinceroteca
@sooaresigor
@k_livroseafins
@abducaoliteraria2
@biblidamari
@umbookaholic
@joylannd
@palcodeleituras
@patzzic
@impressoesdemaria
@livrosdodrii
@livralivs
@mayrasigwalt
@literanegra
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