O conceito de cultura, de acordo com a sociologia e outros estudos antropológicos parte da compreensão de comportamentos, tradições e conhecimentos de um determinado grupo. Isso pode ser definido pelo idioma que se fala, comidas típicas, religiões… A verdade é que nada é concreto e sempre buscamos o que raios é a tal da cultura.
Ao pesquisar sobre o significado deste termo para escrever aqui, chegamos em outra definição, a de “cultivo” e “arte ou modo de cultivar”. E aí gerou uma dúvida: será que estamos cultivando a cultura? Será que estamos valorizando os nossos artistas da forma que deveriam? Será que estamos abraçando a arte que está perto da gente, mas longe da televisão e dos grandes estúdios de cinema?
Não entendam mal, mas isso é um exercício diário que requer paciência e dedicação. E estar atento. Atento para saber quem está à nossa volta e o que está sendo criado. Afinal, existem variados conteúdos a todo momento, sendo desenvolvidos por aí na internet - e poucos são os que têm a finalidade de nos fazer pensar. É uma lógica de consumo: a gente tem tanta coisa a todo o tempo que, no fim das contas, apenas lemos, vemos, ouvimos e provamos aquilo que nos é oferecido sem busca alguma, na palma da mão e sem esforço.
E é para trazer esse esforço que nós, do Clube da (Não) Cultura, chegamos no Repórter Guaibense. Queremos te fazer refletir, questionar e entender a importância de saber que a cultura é muito mais que uma única e simples definição. Na verdade, ela é abrangente, completa e indefinível. Serve para todos os gostos, credos e ideais.
Nosso foco maior será a literatura, já que é nisso que nos firmamos e temos maior experiência em discutir. E é ela que dá este pontapé inicial hoje.
Pensamos, pensamos, pensamos… Até que descobrimos quais eram as indicações que poderíamos trazer para a coluna de hoje, para cultivarmos a cultura - mas não uma cultura qualquer, e sim, uma cultura brasileira, cheia de histórias e denúncias a serem feitas.
Torto Arado
Vencedor dos prêmios Leya (2018), Jabuti (2020) e Oceanos (2020), Torto Arado é o primeiro romance de Itamar Vieira Junior, que retrata a vida de duas irmãs, Bibiana e Belonísia. Sua escrita é perfeita, poética, sensível e, ainda assim, crua.
Crua porque a realidade não é fácil quando a história é sobre duas mulheres pretas do sertão baiano, regadas pela desigualdade e preconceito. E, de certa forma, Itamar consegue construir uma narrativa que nos emociona e nos põe de frente à realidade. E é uma experiência incrível, profunda e digna de releitura no futuro.
Tudo É Rio
Também é um romance de estreia, da Carla Madeira. É incrível e doloroso. Você não consegue pausar a leitura, porque a agonia e o desespero vão além do papel.
Uma leitura forte, com o passado e o presente dos personagens se mesclando. Todas as dores desaguam em histórias interessantes e sensíveis, mas também ásperas. Você termina a leitura e não percebe - dói tanto em você quanto em Dalva, a protagonista. É a agonia coletiva de todas as mulheres, é o silêncio falando bem alto.
Falamos um pouco mais sobre essas obras, que já marcam a literatura nacional contemporânea, em nosso podcast que vai ao ar todas as terças-feiras, a partir das 07h. Nele, também buscamos cultivar a cultura.
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