A CMPC participou, na última terça-feira (22), do INDX sobre investimentos bilionários, realizado no Salão de Convenções da FIERGS, em Porto Alegre. O diretor-geral de celulose no Brasil, Antonio Lacerda, destacou o impacto da taxação de 50% anunciada pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos brasileiros. A medida começa a entrar em vigor nesta sexta-feira (1º).
Ele afirmou que a fábrica de celulose da CMPC, localizada em Guaíba, exporta quase 30% de sua produção para os Estados Unidos. No momento, as fábricas do Chile estão abastecendo o mercado norte-americano. “Com isso, os clientes da Ásia passarão a ser atendidos pela unidade de Guaíba. O impacto, num primeiro momento, é palatável. Mas isso não é sustentável”, explicou Lacerda.
O executivo também compartilhou a história centenária da CMPC no setor de celulose e apresentou detalhes do novo projeto Natureza CMPC, que prevê um aporte de R$ 27 bilhões — o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul — valor que, segundo Lacerda, foi reajustado em R$ 3 bilhões desde o anúncio inicial. O projeto está estruturado em quatro pilares de desenvolvimento: silvicultura sustentável, infraestrutura logística, produção industrial avançada e práticas de conservação ambiental e cultural. Está prevista a instalação de uma nova unidade industrial no município de Barra do Ribeiro.
Lacerda enfatizou que o projeto vai além da construção de uma nova fábrica, promovendo melhorias significativas na infraestrutura portuária e rodoviária do estado, além de gerar importantes impactos sociais e ambientais. A nova planta terá capacidade anual de 2,5 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto, matéria-prima utilizada na fabricação de diferentes tipos de papéis, embalagens e produtos higiênicos.
O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, reforçou a mobilização da entidade para mitigar os efeitos da taxação e relatou uma reunião realizada com o vice-presidente Geraldo Alckmin, em Brasília. Ele defendeu a manutenção da tarifa atual para as exportações brasileiras aos EUA, evitando a entrada em vigor do aumento anunciado, ou, ao menos, a prorrogação por 90 dias do prazo para implementação das novas tarifas. O objetivo é viabilizar negociações técnicas e diplomáticas, além da adoção de medidas compensatórias por parte do governo federal, caso a medida seja efetivada.
“Foi uma reunião proveitosa. Levamos representantes de diversos setores do RS para expor suas dificuldades. Foi fundamental para que o governo entendesse os impactos no nosso estado. Há empresas concedendo férias coletivas; outras não sabem se devem continuar produzindo ou suspender os pedidos. A insegurança é grande e pode levar ao desemprego”, afirmou.
Dados da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema FIERGS indicam que, no Rio Grande do Sul, cerca de 1,1 mil indústrias exportam para os Estados Unidos — o que representa 10% do total nacional. Nas vendas da indústria de transformação gaúcha, o mercado norte-americano responde por 11,2%, sendo o principal parceiro comercial do Estado. Produtos de metal, máquinas e materiais elétricos, madeira, couro e calçados, além de celulose e papel, estão entre os segmentos com maior exposição ao mercado dos EUA.
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