Repórter Guaibense

Segunda-feira, 25 de Maio de 2026

Notícias/Política

Secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos presta esclarecimentos na Câmara de Vereadores

Rudinei Minhos Mussoline apresenta balanço de obras, iluminação e estradas, mas enfrenta críticas sobre tapa-buracos, limpeza, falta de materiais e preparo para novos eventos climáticos

Secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos presta esclarecimentos na Câmara de Vereadores
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Em audiência realizada na Câmara de Vereadores de Guaíba, na última terça-feira (17), o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudinei Minhos Mussoline, prestou contas das ações da pasta e respondeu a uma série de cobranças dos parlamentares. Em pauta, estiveram principalmente os serviços de iluminação pública, tapa-buracos, drenagem, limpeza urbana, situação das estradas do interior e obras em execução em diferentes bairros da cidade.

Na apresentação inicial, Mussoline destacou a renovação da frota da secretaria, com seis veículos novos já incorporados, e a ampliação do maquinário próprio, incluindo retroescavadeiras adquiridas com recursos de emendas parlamentares. Segundo ele, o município entregou, em 2025, 113 ruas asfaltadas e, em 2026, já soma 11 novas vias pavimentadas, superando 300 ruas desde o início da gestão. Também citou obras de drenagem em pontos críticos, como a avenida Recife e o bairro Pedras Brancas, além da abertura do segundo acesso à Zona Sul e de investimentos em pavimentação nas estradas da Barra do Ribeiro e do Logradouro, que somam cerca de R$ 16 milhões na área rural.

Em 2025, a secretaria registrou 9.924 protocolos concluídos, número considerado expressivo para uma pasta que definiu como “pequena em tese”. Apenas entre janeiro e a data da audiência, em 2026, já teriam sido atendidos 1.940 protocolos. O secretário lembrou também a revitalização da orla após a enchente, alvo de críticas pela demora, que ele atribuiu a dificuldades licitatórias e três certames desertos até a contratação definitiva.

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Na área de iluminação pública, afirmou que, quando a atual gestão assumiu, a cidade tinha mais de 6 mil lâmpadas queimadas. De acordo com os números apresentados, a Infraestrutura passou a atender, em média, 400 pontos por mês, instalou 4.180 lâmpadas de LED e já possui outras três mil unidades compradas para implantação em praças, orlas e bairros ao longo de 2026. Em 2025, teriam sido iluminados 122 novos pontos. Rudinei também lembrou a instalação de banheiros contêineres na Praia da Alegria, Florida e Centro, agora com limpeza diária garantida por contrato iniciado em 4 de março, e mencionou parcerias, como a firmada com o Sicredi para o bebedouro do terminal do catamarã.

O vereador Gilsão abriu a rodada de questionamentos destacando que as cobranças ao Executivo refletem as demandas recebidas nas visitas de rotina aos bairros. Ele elogiou o atendimento do secretário, mas cobrou mais planejamento, citando a situação da rua Bom Retiro, onde uma travessia sem limpeza adequada tem causado alagamentos há mais de seis meses, e do entorno da empresa Santer, na rua Amaral Ferrador, onde o mato alto prejudica a visibilidade de motoristas. Ele também questionou a falta de coordenação entre pavimentação, meio-fio e bocas de lobo, lembrando que a rua Lauro Rodrigues, no bairro Alegria, alagou na primeira chuva após receber asfalto.

Sorriso reforçou a preocupação com a segurança em áreas com obras inacabadas de drenagem. Ele citou caixas de macrodrenagem abertas na Rua 14, há muito tempo sem tampas, o que representaria risco para crianças e animais, e pediu solução para uma travessia na Capororoca, onde peças intertravadas foram retiradas por moradores, deixando um grande buraco. Sorriso questionou se a responsabilidade nesses casos é da Corsan ou da Infraestrutura.

O vereador Cristiano Eleu voltou a tratar do valão da avenida Nei Britto, obra de inversão de fluxo iniciada e, segundo ele, paralisada antes da conclusão. Moradores teriam relatado assoreamento completo na parte mais próxima ao rio Guaíba. Ele quis saber se há projeto para retomada dos trabalhos ou se o problema é de natureza licitatória. Cristiano também cobrou atuação mais firme junto à Corsan para o levantamento de tampas de bueiro e caixas de inspeção que ficaram abaixo do nível após recapeamentos recentes, deixando buracos no meio da pista.

Tiago Green levou ao plenário reclamações sobre o padrão dos serviços de tapa-buracos, a ausência de um cronograma público para implantação de lâmpadas de LED e a preparação da Infraestrutura para novos eventos climáticos extremos. Ele apontou que, em vários trechos da cidade, os reparos no asfalto não seguem o procedimento considerado ideal – com corte, recomposição de base e aplicação de emulsão antes do asfalto – e comparou o trabalho do município ao exigido da Corsan.

Green também entregou ao secretário uma relação de protocolos de iluminação pública registrados pelo seu gabinete e pediu que a prefeitura torne público um cronograma indicando quais bairros receberão LED e em que períodos. Em seguida, lembrou que a gestão já enfrentou três enchentes de grandes proporções, além de outros fenômenos climáticos, e citou a previsão de um El Niño forte na metade do ano. Ele cobrou informações sobre o nível de preparo da secretaria, incluindo equipamentos de proteção individual, capacitação das equipes para atuação em áreas alagadas e eventuais obras de contenção nas orlas de bairros como IPE, Engenho, Alvorada e Florida, para reduzir o impacto da água e do material arrastado pelo rio sobre ruas e residências.

Mussoline respondeu que a secretaria dispõe de maquinário adequado para melhorar a qualidade dos tapa-buracos e que vem qualificando as equipes para proceder com cortes e preparo de base sempre que possível. Ele explicou que o município mantém um contrato com uma empresa especializada em manutenção asfáltica, mas que, por questões de custo, procura priorizar o uso de equipes próprias, recorrendo à terceirizada apenas em situações específicas.

Sobre a iluminação, o secretário afirmou que a implantação de LED é organizada por bairros e a programação é divulgada nos canais oficiais da prefeitura. A orientação, segundo ele, é substituir trechos inteiros de rua, e não apenas lâmpadas isoladas, o que facilitaria o controle, a logística de manutenção e evitaria que uma mesma via misture diferentes tecnologias de iluminação. Quanto à preparação para enchentes, Rudinei relatou que a Infraestrutura investiu em EPIs, como botas pantaneiras, e realizou treinamentos em parceria com o Corpo de Bombeiros para resgate em água e manuseio de motosserras, tendo a intenção de ampliar a capacitação para resgate em altura. Ele lembrou que, nos últimos eventos de cheia, as equipes estiveram atuando diretamente nas áreas alagadas, em apoio à Defesa Civil. Sobre obras de contenção nas orlas, o secretário esclareceu que esse tema está inserido em um projeto de revitalização mais amplo, sob responsabilidade da Secretaria de Planejamento, e que caberá à Infraestrutura executar as intervenções quando os estudos estiverem concluídos.

O vereador Nelson do Mercado centrou seus questionamentos na realidade do bairro IPE. Ele pediu previsão para a retomada das roçadas na região, lembrando que a cidade passou meses sem empresa contratada para capina e limpeza, e cobrou um cronograma para a limpeza de valos importantes, como da Rua 1, da Rua dos Pinheiros e do trecho que liga a Santa Rita ao IPE, que, segundo ele, não recebem manutenção desde a enchente de 2024. Nelson também mencionou um requerimento sobre as casas populares a serem construídas no IPE, perguntando qual o estágio do projeto.

O vereador Marcos SJ adotou tom crítico ao questionar a falta de materiais básicos e a estrutura da secretaria para enfrentar alagamentos. Ele citou a ausência de tubos de 30 centímetros, bocas de lobo e tampas, o que estaria levando servidores a improvisar com tubos maiores para substituir caixas de drenagem, prática que classificou como tecnicamente incorreta. Marcos perguntou a quem Rudinei atribui a falta desses insumos e se a estrutura atual da pasta é suficiente para atender à demanda da população. Também cobrou informações sobre operadores para as novas retroescavadeiras entregues recentemente, lembrando experiência anterior de formação interna de operadores de patrola que não teria dado certo, e pediu prazos para solução em ruas como Santo Onofre, Arthur F. de Oliveira e Eletrical, onde a combinação entre asfalto e vias de chão tem provocado arraste de barro e entupimento da rede pluvial.

Rudinei respondeu que a carência de materiais não decorre de falta de vontade da equipe, mas de entraves em processos licitatórios que se arrastam há mais de oito meses, especialmente para a compra de meios-fios, tampas e peças de drenagem. Sem licitação concluída, segundo ele, a secretaria fica impedida de adquirir diretamente esses insumos pois depende de outros setores da administração. O secretário afirmou que não pretende apontar culpados, mas reconheceu a necessidade de destravar os processos. Quanto à mão de obra, informou que seis servidores do quadro estão em formação para operar retroescavadeiras e que foi antecipado concurso para 12 operadores de motosserra, voltado a ações de Defesa Civil, com o objetivo de reduzir improvisos e garantir mais segurança no uso do maquinário.

O vereador João Caldas agradeceu o atendimento das demandas do seu gabinete, citou melhorias na avenida Nei Brito e questionou o andamento do asfaltamento da avenida Eletrical e do beco ao final da rua Estância Velha, na São Francisco. Ele também sugeriu que, sempre que uma lâmpada de sódio queimar, seja avaliada a troca direta por LED, como forma de acelerar a modernização da rede. Rudinei respondeu que a bacia 7, na região do Bom Fim, ainda não foi concluída pela Corsan, que já passou tubulações mas não realizou testes de pressão nem entregou oficialmente as redes à prefeitura. Por isso, a pavimentação de alguns trechos ainda depende da finalização dessas obras. Sobre a troca pontual por LED, o secretário afirmou que isso complicaria o controle e a logística, razão pela qual a prefeitura tem optado por substituições por trecho ou por rua inteira.

Manoel Eletricista resgatou o histórico de criação da subprefeitura de Pedras Brancas para questionar a divisão de responsabilidades entre o gabinete do prefeito e a Secretaria de Infraestrutura. Ele lembrou ter proposto que a audiência se concentrasse na situação da zona rural e criticou o que considera uso político da máquina pública por alguns agentes, rejeitando a ideia de que secretários “fazem favores” a vereadores. Manuel também mencionou episódio em que um operador teria passado patrola junto a um poste, soltando terra em um barranco, o que poderia trazer mais barro para a rua, e cobrou que a secretaria não minimize esse tipo de problema. Rudinei esclareceu que a estrutura da subprefeitura é vinculada diretamente ao gabinete do prefeito e que o único servidor da Infraestrutura naquele espaço atua apenas como coordenador de bairro, sem ligação formal com a subprefeitura.

Miguel Crizel voltou o foco para o interior. Ele perguntou como é definido o patrolamento das estradas rurais, quem decide onde será colocado material e qual a periodicidade da ida do caminhão de iluminação às comunidades. Miguel salientou que a falta de iluminação, somada à ausência de policiamento permanente, aumenta a sensação de insegurança em localidades rurais. Também cobrou uma operação tapa-buracos no bairro Jardins dos Lagos, que classificou como “intransitável”, e questionou a retirada de contêineres de lixo na Nestor de Moura Jardim, no Centro, cobrando esclarecimentos sobre a manutenção da limpeza na área central.

Rudinei explicou que o patrolamento das ruas de chão, na área urbana e rural, é feito em ciclos de aproximadamente 15 dias, combinando inspeções da equipe técnica com protocolos abertos pela população. Segundo ele, todas as estradas não pavimentadas entram nessa rotina e demandas pontuais são avaliadas caso a caso. Sobre a iluminação do interior, reafirmou que a equipe de manutenção atende periodicamente os pontos rurais, buscando reduzir o número de lâmpadas apagadas. Em relação aos contêineres, afirmou que muitos estão sendo usados de forma indevida por comércios, que despejam resíduos comerciais em estruturas destinadas ao lixo doméstico, o que sobrecarrega o sistema. Rudinei destacou ações conjuntas com a Secretaria de Planejamento para orientar e, se necessário, notificar estabelecimentos que utilizam contêineres públicos como destino de lixo empresarial.

O vereador Alisson de Jesus retomou a situação do valo da Bom Retiro, que transborda e causa alagamentos na via, além de trazer barro para frente das casas. Ele relembrou conversas anteriores com a secretaria sobre o tema e cobrou solução definitiva. Alisson também citou problemas de drenagem na quadra do Boca, onde canos quebrados e falta de escoamento têm direcionado a água das chuvas para dentro das residências, além de mencionar dificuldade de acesso para máquinas em determinados valos. Na Pedras Brancas, o vereador apontou postes de difícil acesso com lâmpadas queimadas, defendendo rondas noturnas da equipe de iluminação para identificar pontos apagados, já que o registro durante o dia nem sempre garante a solução. Ele ainda chamou atenção para a ponte do arroio Passo Fundo, e elogiou o desassoreamento parcial do arroio, pedindo continuidade do trabalho com a abertura do segundo acesso da região. Por fim, fez defesa da criação de tampas de padrão municipal, apontando que loteamentos novos têm instalado tampas de formatos variados, o que dificulta a reposição e manutenção.

Arilene Pereira optou por destacar os avanços, lembrando sua longa trajetória na Câmara e a diferença entre a situação atual e o passado de poucas obras e ruas de chão. Ele reconheceu o crescimento acelerado de Guaíba, com loteamentos por toda parte, o que, na sua avaliação, pressiona a estrutura da Infraestrutura. Arilene elogiou o trabalho da equipe, citando visitas a estradas do interior e ao antigo hospital Doutor Solon, e ressaltou a importância de deslocar equipes para monitorar pontos de alagamento durante chuvas fortes, como, segundo ele, vem sendo feito.

Juliano reforçou que, embora nem todos os problemas sejam resolvidos, a secretaria costuma atender às demandas apresentadas, e relatou que faz acompanhamento constante das solicitações. Ele voltou a cobrar fiscalização mais rigorosa das obras de saneamento da Corsan, criticando recomposições de pavimento consideradas de má qualidade, e perguntou se a prometida “força-tarefa” da companhia, anunciada na semana anterior, já teria sido realizada em conjunto com o município. Juliano também retomou o problema do lixo acumulado na Cohab/Santa Rita e na avenida Lupcínio Rodrigues, especialmente nos fins de semana, argumentando que um único contêiner não é suficiente e defendendo a instalação de mais unidades no local.

Rudinei esclareceu que a fiscalização formal das obras da Corsan cabe à Secretaria de Planejamento, por meio de técnico responsável, e que a Infraestrutura atua como parceira, sobretudo quando as intervenções afetam redes pluviais e pavimento municipal. Ele informou que a força-tarefa anunciada ainda não havia sido executada e que uma reunião com representantes da companhia estava agendada para a semana seguinte, com o objetivo de alinhar ações. Sobre a Lupcínio Rodrigues, o secretário disse que houve aditivo de contrato de limpeza e que, atualmente, as chamadas “caixas pretas” são esvaziadas também aos sábados, mas reafirmou que o mau uso das estruturas por parte de comércios é um fator central para o acúmulo de lixo.

Em sua fala final, o presidente da Câmara de Vereadores, Airton Elegância, agradeceu a presença do secretário e de parte de sua equipe, ressaltando o papel fiscalizador dos vereadores e a importância do diálogo entre Legislativo e Executivo. Rudinei Minhos Mussoline, por sua vez, reconheceu as dificuldades enfrentadas, reiterou que a Infraestrutura é uma secretaria executora que depende de planejamento e licitações conduzidos em conjunto com outras pastas, e afirmou que, mesmo diante de entraves burocráticos e aumento constante da demanda, o objetivo é manter a cidade em funcionamento e ampliar as entregas à população.

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