Que tempos difíceis estamos vivendo! Que vendaval de emoções, sentimentos, percepções, desejos, frustrações! Se já está difícil encarar e administrar tudo isso em nossas próprias vidas, paremos um pouco para imaginar como está a cabeça e o coração de nossos filhos, os bem pequenos, os pequenos e os nem tão pequenos.
Cuidemo-nos com a armadilha dos filhos perfeitos! Cuidemo-nos com o excesso de atividades “extras”, e não estou aqui condenando os cursinhos ou aulas de inglês, natação, ballet, futebol, cursos técnicos disto ou daquilo, etc... De forma alguma e bem ao contrário, acho todos estes e outros afins, excelentes e extremamente válidos, experiências muito significativas para a vida das crianças e adolescentes. O preocupante é o excesso ou a imposição destes na vida dos filhos.
É absolutamente normal querermos dar o melhor para nossos filhos, querer que eles tenham todas as oportunidades possíveis, mas reflitamos sobre esta questão. Sobre o tempo, o “tempo deles”, tomando o cuidado de não projetar nos filhos nossos próprios desejos, ou mesmo de querermos que eles acompanhem as atividades dos filhos de amigos ou familiares para que “não fiquem para trás”. Seus filhos não tem que atender as expectativas de futuro de ninguém além deles mesmos.
Deixemos nossos filhos vivenciarem suas experiências de coragem e medo, alegria e frustração, dúvidas e certezas, deixemos eles livres para decidirem lutar por um objetivo ou mesmo desistir de um, tudo isso faz parte do crescimento, é desenvolvimento de inteligência emocional, e é nosso papel enquanto pais apoiar, orientar, auxiliar a organizar a mente, o pensamento, o tempo, a lidar com as decisões tomadas e as suas consequências. Não é fácil, mas é necessário.
Os filhos precisam ter nos pais figuras de apoio, esta mudança de rotina, este “retorno a vida normal” está recheado de desafios, ainda estão extremamente vinculados a vida virtual, a rotina mais caseira, por vezes solitária, ou mesmo com a presença (positiva ou negativa) dos familiares em casa, e tudo isto está mexendo com o emocional, refletindo-se e muito na escola também. Tem sido bem comum crianças e adolescentes somatizando fisicamente problemas emocionais, o pedido de socorro vem em várias formas. Estejamos vigilantes para o auxílio se necessário.
Para alguns casos, esportes e atividades extras serão bem positivos e trarão benefícios a vida dos filhos, em outros casos a máxima do “menos é mais” se mostrará mais eficaz. Seja qual for a sua decisão enquanto pais, que seja pela sua criança/adolescente, analisando a situação e a necessidade ou desejo dela e não pela imposição social, pela busca da perfeição, ou mesmo para alinhar o discurso de bons pais.
Pelo futuro de todos nós enquanto seres humanos e sociedade, sejamos pais mais "humanos" e menos "perfeitos", deixemos para o mundo filhos mais “humanos” e menos “perfeitos”.
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