Estamos a menos de um mês para o reinício do ano letivo no país e nossas perspectivas para o mesmo não são muito diferentes do ano passado. Nossas lutas, dúvidas e anseios são iguais. Problemas que poderiam ser resolvidos, minimizados, estratégias a traçar e colocar em prática, esperanças e desesperanças de ontem, de hoje e pelo andar da carruagem, de amanhã também. MEC, BNCC, ENEM, Piso Nacional do Magistério, conectividade, Novo Ensino Médio, Ensino Superior, Covid-19, cortes orçamentários, etc... etc... etc...
Tivemos a frente do Ministério da Educação no governo Bolsonaro quatro diferentes Ministros da Educação e nenhum deles marcou boa ou efetiva atuação até o momento, estamos enfrentando uma das maiores crises educacionais do país, e o MEC se mostra a cada dia incapaz de gerenciá-la. Assistimos a um desmonte da educação como um todo, especialmente no que tange ao ENEM e ao Ensino Superior. A pandemia não criou, mas escancarou as desigualdades educacionais no país, mas este é um ponto que se combate com trabalho de estruturação e qualificação, não estou dizendo que é fácil, mas não é impossível.
Problemas como a pouca conectividade de alunos com vulnerabilidade social, a falta de equipamentos adequados, a desvalorização dos profissionais da educação e suas consequências, como o desânimo entre tantos outros pontos, a falta de estrutura física adequada das escolas, a falta de investimentos e recursos financeiros, a falta de políticas públicas de educação, o ENEM com todos os seus equívocos de planejamento, organização e aplicação que acabam por prejudicar a muitos estudantes, acabando com o sonho do acesso a universidade, e aqui poderia elencar bem mais.
Ainda vivemos sobre o perigo e o medo estressante da pandemia, que ainda não acabou, pelo contrário, estamos enfrentando uma mutação do vírus, com disseminação rápida e alarmante, que só não é mais mortal devido a vacinação, outro ponto aqui, a vacinação infantil, que poderia trazer algum conforto e segurança para o reinício do ano letivo, mas vem de forma lenta, incapaz de ser concluída antes do reinício das aulas, além de enfrentar o negacionanismo do governo federal, que chega a incentivar a resistência das famílias quanto a vacinar seus pequenos.
Mas de tudo o que li, vi e ouvi até o momento, o que mais me chama a atenção foi a LOA 2022 (Lei Orçamentária Anual), esta que foi publicada no Diário Oficial da União na segunda, 24 de janeiro, que destina R$ 4,9 bilhões para o Fundo Eleitoral (destinado aos partidos para financiarem a campanha política das eleições deste ano), ao mesmo tempo que realiza cortes orçamentários, dentre eles está o corte de R$ 1,82 bilhões para os Ministérios em geral, atingindo principalmente áreas de ensino e pesquisa, pesquisas estas que envolvem diversos assuntos como tecnologia ligada a desenvolvimento sustentável, desenvolvimento científico, formação e capacitação de recursos humanos, reestruturação e modernização de instituições federais de ensino superior, pesquisa e extensão, entre outros.
Fica difícil esperançar não é mesmo? Mas não impossível! Somos um povo forte, e precisamos acreditar que é possível ressignificar o fazer educacional. Teremos um ano difícil pela frente, não só na área educacional, será preciso coragem e trabalho, muito trabalho para recuperar as perdas da Pandemia, do desgoverno, da desinformação. Também é preciso registrar que somos um país gigante e existem muitos governadores e prefeitos realmente comprometidos com a educação, a estes os meus mais sinceros parabéns, aos outros o meu desejo e esperança de mudanças.
Encerro a coluna com a frase de Marianna Moreno: “A educação deve ser levada a sério porque ela transforma vidas, muda a realidade e faz nascer um novo mundo.”
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