O Brasil está no radar da Organização Mundial de Saúde (OMS) devido ao aumento dos casos de suicídio no país nos últimos 20 anos e um dos motivos que tem levado os brasileiros a cometerem essa barbárie poder estar associado a questões financeiras. Segundo informações extraídas do DataSUS, o número de mortes por suicídio dobrou nos últimos 20 anos, passando de 7 mil para 14 mil por ano e já é mais recorrente do que os óbitos por acidentes de motos, por exemplo, ocupando a quarta colocação entre os cinco principais motivos.
Estes dados revelam uma situação em nosso país que contraria o que vem acontecendo em boa parte do mundo, que viram os números de suicídio reduzirem nas últimas décadas. Segundo a OMS, a pandemia deu sua contribuição, pois o aumento da depressão e da ansiedade durante e após o período de reclusão é um dos fatores que acabou contribuindo para as estatísticas.
De acordo com a entidade, houve um aumento de 25,6% dos casos de transtornos de ansiedade e 27,6% de depressão só no ano de 2020 no mundo. Os principais motivos identificados foram: solidão, medo da morte, luto e preocupações financeiras.
Em entrevista concedida ao site Istoé Dinheiro, a psiquiatra do Hospital Sírio Libanês, Dra. Carolina Hanna, declara que são vários os aspectos psicossociais que podem levar ao suicídio. Segundo ela, estamos vivendo muita privação social, aumento da pobreza, falta de perspectiva e descrença nos governos, entre outras situações. Os jovens sofrem com a cultura do imediatismo, a falta de um sonho mais longevo e os mais velhos com a deplorável situação dos aposentados deste país.
Mas onde entra a “educação financeira” nesta questão? Situações de endividamento e inadimplência afetam a vida pessoal e profissional dos indivíduos. Além de causar brigas dentro de casa, o cidadão acaba trabalhando pensando em seus problemas. É o que chamamos de presenteísmo, quando ele está apenas de corpo presente na empresa, mas não produz.
Segundo o estudo “The Employer’s Guide to Financial Wellbeing 2018-19"realizado no Reino Unido, que contou com cerca de 10 mil trabalhadores respondentes, as preocupações com dívidas e dinheiro reduz em até 15% a produtividade no ambiente de trabalho. Por outro lado, uma boa gestão financeira pessoal, a organização de um orçamento familiar que atenda suas necessidades, alguns desejos, mesmo que supérfluos, e que ajude na realização de sonhos e objetivos, sem exigir grandes sacrifícios, oportuniza às pessoas uma melhor qualidade de vida. Além disso, o baixo endividamento e o fato de as contas estarem pagas permite que as decisões sejam tomadas de forma mais racionais, como realizar o planejamento de uma reserva de emergência, pagar compras à vista, investir melhor e também construir uma base financeira para a aposentadoria, afim de complementar o benefício pago pelo INSS de forma que o cidadão possa ter um final de vida com dignidade e algum conforto.
Este tema foi inspirado na campanha “Setembro Amarelo”, que é organizada desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina - CFM em todo o território nacional, onde são realizadas ações de “Prevenção ao Suicídio”. Atualmente o “Setembro Amarelo” se tornou a maior campanha anti estigma do mundo.
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