Há uma semana uma notícia inusitada ganhou espaço na mídia: uma mãe havia excluído o perfil da filha de um aplicativo. A garota com 14 anos tinha um perfil de quase 2 milhões de seguidores e contava até mesmo com um fã clube, sendo considera uma influencer. A atitude da mãe foi criticada pelos fãs, mas com certeza muitos pais preocupados com seus filhos devem ter se identificado. No seu desabafo, a mãe trouxe da preocupação que tanta exposição pudesse trazer prejuízos na individualidade da menina e que a vida real deveria ser mais importante que a virtual.
Longe de acreditar que tudo se resolve com a exclusão de uma conta ou a retirada do celular, a família hoje, precisa pensar sobre o uso da tecnologia, tanto para as crianças como para todas as outras fases. É impossível imaginar que possamos criar filhos fora do mundo virtual. Preocupada com o livre acesso as mídias, e os prejuízos causados por elas nas crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria- SBP lançou um manual de orientação. Segundo ele, as novas mídias são utilizadas para preencher vácuos, tédio, necessidade de entretenimento e até mesmo abandono afetivo. Como consequência, as crianças acabam tendo acesso a conteúdo inadequado, e o uso excessivo pode causar distúrbios de aprendizado, baixo desempenho escolar, problemas comportamentais, e, em casos extremos, causando dependência digital.
Um ponto importante do manual são as ressalvas que ele traz sobre um hábito muito frequente de se oferecer para crianças o smartphone como forma de distração. A distração passiva acaba por impedir que a criança brinque ativamente e com isso desenvolva habilidades cognitivas e sociais. Além disso, olhar a expressão facial e o contato com a família é muito importante para o desenvolvimento sadio dos pequenos, tanto físico como emocionalmente.
A SBP indica que seja evitada a exposição de crianças menores de dois anos às telas, mesmo que passivamente. Crianças entre dois e cinco anos devem ter o tempo limitado das telas em no máximo uma hora por dia. Entre seis e 10 anos, o tempo máximo é uma ou duas horas por dia, sempre com supervisão. Para adolescentes, entre 11 e 18 anos, o tempo para telas e vídeo games deveria ser de duas a três horas por dia, com supervisão e nunca “virar a noite”.
Em família, crie regras para ouso dos equipamentos, além de regras de segurança e ter filtros apropriados para a toda família. Para que o uso saudável seja estabelecido, é necessário que todos na família respeitem as regras. Por exemplo, não adianta proibir os menores, mas os adultos na hora das refeições estarem conectados. Incluir momentos de desconexão e de maior convivência familiar promove momentos de trocas. Trazer jogos, brincadeiras, atividades esportivas, aproveitar quando possível o ar livre, são alternativas para que as crianças e adolescentes não fiquem tão conectados.
É importante a família ter momentos de conversar sobre temas importantes que são vinculados na internet. Debater a cultura do cancelamento, a agressividade que as pessoas expressam por meio da mídia, tomar conhecimento dos termos utilizados pode promover um maior vínculo da família. Como pais não é necessário saber de tudo! É muito bom deixar que os filhos nos apresentem de seu mundo. Deixar que eles mostrem seus conhecimentos e até conquistas nos jogos. Assim, a tecnologia não será usada como barreira, mas utilizar todos os momentos para promover a alfabetização midiática, buscando fazer o uso seguro e saudável da rede.
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