Temos visto o tema alfabetização em alta na imprensa brasileira estas duas últimas semanas, isto se deve a proximidade com o início do ano letivo 2022 e aos dados apresentados pela Ong “Todos pela Educação” em nota técnica intitulada “Impactos da pandemia na alfabetização de crianças” e amplamente divulgada na mídia. A nota mostra uma realidade que todos conhecemos, porém o que chama a atenção são os números.
Segunda a nota, que baseou-se em dados da “Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua” realizada pelo IBGE, o analfabetismo de crianças entre 6 e 7 anos (idades em que deveriam estar alfabetizadas, cursando o primeiro e segundo anos do Ensino Fundamental), cresceu 66,3% nos últimos dois anos, o que representa em torno de dois milhões e quatrocentas mil crianças brasileiras. Chocante não é mesmo? E este dado não mostra as crianças maiores de sete anos e que ainda não sabem ler e escrever.
O problema reflete é óbvio, os efeitos da Pandemia e todas as suas consequências como a fome, desemprego, falta de conectividade, enfim; mas somos sabedores de que as desigualdades e flagelos da alfabetização no Brasil são antigos e sérios, e que foram brutalmente elevados na Pandemia. Observa-se também as desigualdades sociais e étnico raciais refletidas em números na mesma mostra de dados.
A questão da alfabetização é séria e imensa, não é questão apenas dos municípios (que absorvem a maioria dos anos iniciais), mas também dos Estados e da próprio Governo Federal, será preciso um alinhamento, uma gestão de crise do MEC e Secretarias de Educação para garantir que a aprendizagem garantida na BNCC se efetive, afinal os prejuízos de uma alfabetização deficiente ou inexistente serão para todo o futuro escolar do indivíduo e consequentemente da sociedade em geral.
Professores e gestores escolares (já tão desgastados, desmotivados) precisarão de apoio e suporte técnico, os estudantes e famílias também, com estrutura material e pedagógica, políticas públicas de valorização e formação do docente e de amparo e atendimento aos educandos, alinhadas nacionalmente, porém respeitando as características de cada rede e comunidade, buscando formas de minimizar prejuízos e alcançar a alfabetização de forma mais eficiente e em tempo.
Lembrando que estar alfabetizado é muito mais do que ler e escrever, não é questão de este ou aquele método, as crianças não são meros receptores de informações. Alfabetizar e letrar exige interação, experimentação, vivências. O papel da família é de fundamental importância, é preciso incentivo e acompanhamento. A criança precisa estar bem alimentada, ter material escolar, roupas e calçados adequados, acesso a saúde física e mental. A educação é responsabilidade de todos!
Boas práticas e bons exemplos em alfabetização existem, mas é preciso que aconteçam em todos os cantos do país, será preciso um esforço coletivo em busca de soluções para os desafios vindouros, pois a alfabetização é a base da educação, e a educação é a base para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, fraterna e livre de todo tipo de preconceito, onde todos prosperem e respeitem a vida.
O Brasil pode, o Brasil merece!
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