Vai pela rua um corpo de uma mulher sem nome.
Vai pela rua um corpo, à procura de sua fome.
Vai pela rua e se percebe assim,
meio difusa,
porque funciona apenas
em ambiente estéril e cercado de vidros.
E vai e treme e teme:
o calor o frio a chuva
- e tudo o que lembre sua natureza viva.
Vai pela rua, insone, e já separada de si
entra no shopping, à procura de abrigo.
Capturada, não sabe ser mais
que um corpo que jaz
em frente à vitrine.
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